Contexto e proposta de Meu Querido Canibal
Meu Querido Canibal, lançado em 2000, mostra outra face de Antônio Torres: o romancista que investiga a História do Brasil. O livro se debruça sobre a trajetória de Cunhambebe, o líder tupinambá descrito nas crônicas coloniais como um dos guerreiros mais temidos do litoral, e reconstrói um painel das primeiras décadas da colonização, quando os relatos de viagem definiam quem era "selvagem" e quem era "civilizado".
Ao recolocar o indígena no centro da história, em vez de tratá-lo como personagem secundária dos cronistas, o romance revisita o estilo dos relatos coloniais e desloca a dicotomia entre conquistador e conquistado. Estudos acadêmicos sobre a obra descrevem essa escolha como uma tentativa de inverter os valores que, na historiografia tradicional, qualificavam Cunhambebe como selvagem.
O romance venceu o Prêmio Passo Fundo Zaffari & Bourbon de Literatura em 2001 e ganhou tradução francesa, assinada por Dominique Stoenesco. Em 2015, recebeu o Selo Oficial dos 450 anos do Rio de Janeiro.
Junto com O Nobre Sequestrador, também ambientado no passado carioca, o livro forma o bloco histórico de sua ficção — a faceta que mostra um escritor interessado em raízes, disputas e narrativas fundadoras. Para leitores de romance histórico e de literatura indígena, é uma das entradas mais diretas na obra de Antônio Torres.





