Foto ilustrativa do produtor Bernardo Carvalho

Projeto relacionado a:

Bernardo Carvalho
Imagem promocional do produto Mongólia

Mongólia

Livro
Ver página do projeto

Este link pode ser comercial e gerar comissão para o site, sem alterar o preço para o leitor. Compare informações, preço e disponibilidade antes de decidir.

Romance de Bernardo Carvalho em que um diplomata brasileiro busca um fotógrafo desaparecido na Mongólia. Jabuti 2004 e APCA 2003.

Mongólia manda um diplomata brasileiro recém-chegado à China achar um fotógrafo desaparecido há um ano. O que ele encontra não é um desfecho de thriller e sim um país descrito como lugar sem memória, onde imaginação e realidade se misturam depois de décadas de ditadura. O romance de Bernardo Carvalho, lançado em 2003 pela Companhia das Letras, é o livro da busca que não devolve o desaparecido intacto — e o que levou o autor ao Jabuti e ao prêmio da APCA.

Do que trata o romance

A estrutura é um diálogo entre o diário do fotógrafo perdido nos montes Altai e as anotações do diplomata encarregado de encontrá-lo. A narrativa passa pela vida nômade no deserto de Gobi e nas estepes, pelos tsaatan criadores de renas na fronteira com a Rússia, pelos criadores de camelos no deserto de Sharga. Aparecem um cantor difônico, um monge budista, um falcoeiro cazaque. O olhar é sempre o do estrangeiro que não sabe se o que vê é costume, invenção local ou projeção própria.

Carvalho viajou à Mongólia em 2002 com bolsa da editora portuguesa Cotovia em parceria com a Fundação Oriente, de Lisboa. O deslocamento real alimenta o livro, mas o romance se apresenta como ficção — o autor chegou a tratar a foto de viajante usada na edição como paródia de relato de viagem, não como prova de “estive lá, portanto é verdade”. Quem lê em chave de reportagem perde o jogo: o tema é o encontro com o desconhecido e a dificuldade de provar o que se viu.

Por que o livro pesa na reputação do autor

Mongólia venceu o Prêmio APCA de romance em 2003 e o Jabuti de romance em 2004. Chegou um ano depois de Nove noites e mostrou que o método da busca — alguém some, alguém investiga, o outro resiste à explicação — não era caso único. Se Nove noites amarra o leitor ao Brasil e a um morto histórico, Mongólia joga o mesmo procedimento para o outro lado do mapa, num país que o público brasileiro conhecia pouco na época do lançamento.

A crítica acadêmica leu no texto uma nova consciência do espaço e da mobilidade. Para o leitor comum, o efeito é mais direto: a estranheza não vem de exotismo de cartão-postal e sim da impossibilidade de traduzir o que se atravessa. Os mongóis do romance misturam percepção, desejo e lenda; os brasileiros projetam diplomacia, culpa e pressa. Ninguém sai ileso do contato.

Para quem faz sentido ler

  • Quem já leu Nove noites e quer outro romance de busca, com outra geografia
  • Leitores de narrativa de viagem que aceitam a paródia do relato
  • Quem procura o Bernardo Carvalho premiado pela APCA e pelo Jabuti
  • Quem se interessa por ficção sobre diplomacia, desaparecimento e choque cultural

O livro pede paciência com diários e depoimentos cruzados. Não entrega um “guia da Mongólia” nem um mistério com assassino no último capítulo. Faz mais sentido para quem gosta de atmosfera, deslocamento e dúvida do que para quem quer enredo de ação contínua. São 192 páginas na edição da Companhia das Letras; o volume é curto, o ritmo não é.

Lugar na obra

Na sequência da carreira, Mongólia fecha o díptico da busca inaugurado por Nove noites e antecipa outras viagens que virariam romance — a Rússia de O filho da mãe, o Japão de O sol se põe em São Paulo. O diplomata e o fotógrafo são parentes formais do jornalista-investigador: profissionais do olhar que descobrem o limite do olhar. Quem monta um percurso de leitura pode ler os dois livros de busca em sequência e só depois saltar para a sátira de Reprodução ou para o recorte íntimo de Os substitutos.

A edição brasileira segue no catálogo da Companhia das Letras. Há e-book e livro físico. Na compra, o ISBN da edição de referência é 978-85-359-0422-2. Confira o nome do autor e o título completo para não confundir com guias de viagem ou com obras homônimas.

Como ler sem transformar em turismo

O risco deste romance é o leitor tratar a Mongólia como cenário pitoresco. O texto trabalha contra isso: o país aparece como lugar onde a memória foi apagada pela força e a imaginação ocupou o vazio. Preste atenção no que o diplomata não entende e no que o diário do fotógrafo afirma sem prova. A veracidade, no livro, só se “prova” com a própria perda — frase da editora que resume o pacto. Quem aceita esse pacto encontra um dos romances mais premiados de Bernardo Carvalho e uma chave para o restante da obra: o outro nunca cabe inteiro no relatório.

Página vinculada ao projeto

Para consultar a página vinculada a este projeto, acesse Mongólia.


O que você acha deste Projeto?

O projeto Mongólia entrega o que promete? Foi uma boa experiência de aprendizagem ou serviço? Mande o seu feedback franco.

Outros projetos do mesmo autor

Se você se interessou por Mongólia, talvez também queira conhecer outros projetos de Bernardo Carvalho.

Ver perfil completo
Nove noites
Nove noites
Romance de Bernardo Carvalho sobre o suicídio do antropólogo Buell Quain em 1939. Mistura arquivo, invenção e duas vozes narrativas.
00%
00%
Reprodução
Reprodução
Romance de Bernardo Carvalho sobre um estudante de chinês detido na PF e o ruído do discurso público. Jabuti de romance em 2014.
00%
00%
Os substitutos
Os substitutos
Romance de Bernardo Carvalho de 2023 sobre pai e filho na Amazônia da ditadura, madeira, ficção científica e o Brasil que leiloa a si mesmo.
00%
00%