Mulheres que Sentem os Espíritos é o romance com que Bruna Lombardi retoma a ficção longa depois de décadas dedicadas à poesia, às crônicas e ao roteiro. Publicado pela Record em 2026, o livro parte de uma perda para investigar o que fica guardado entre gerações de uma mesma família.
O que a história propõe
Após a morte da mãe, Lorena precisa enfrentar o que mais teme: entrar no quarto, na intimidade da mulher que foi seu abrigo absoluto. Ali descobre que a mãe tinha uma vida secreta. Ao lado de Dora, irmã de criação de linhagem afro-brasileira ligada ao candomblé, ela inicia uma viagem à Grécia, terra de origem da família, para jogar as cinzas da mãe no mar Egeu. Com as tias divertidas de Lorena na comitiva, as duas encontram segredos que atravessam gerações e uma conexão espiritual que une as mulheres de sua ancestralidade.
É um romance em que o cotidiano e o mistério se tocam: dor, desejo, intuição, fé, humor e amizade convivem nas mesmas páginas. As personagens são imperfeitas, contraditórias e cansadas, e se salvam menos por heroísmo e mais pela capacidade de rir de si mesmas.
Por que o livro importa na obra da autora
A ideia atravessou mais de quarenta anos. Quando interpretou Diadorim na minissérie Grande Sertão: Veredas e escreveu Diário do Grande Sertão, Bruna registrou o desejo de um dia escrever sobre mulheres inspiradas em histórias, memórias e figuras que fizeram parte de sua vida. O projeto amadureceu até chegar a este romance, que reúne temas que acompanham a autora há décadas: a força das mulheres, a espiritualidade, os laços afetivos e a busca pelo próprio destino.
Recepção e leitores
O livro chegou às livrarias com leituras de nomes como Djamila Ribeiro, Jeferson Tenório e Itamar Vieira Junior, que destacaram a delicadeza da construção e a profundidade com que a autora trata temas difíceis, como luto, racismo, violência, culpa e herança espiritual, sem excesso de retórica.
Para quem é
Para quem gosta de romances de jornada interior, com protagonismo feminino e presença forte de ancestralidade. Para leitores que acompanham a produção literária de Bruna Lombardi desde a poesia. E para quem busca uma história sobre perda que não se resolve em luto, mas em movimento: uma travessia entre o medo e a autodescoberta, até o ponto em que as personagens aceitam ocupar o próprio lugar.





