Quem é Bruna Lombardi
Bruna Lombardi apareceu na televisão brasileira em 1977, em Sem Lenço, sem Documento, e oito anos depois interpretou o papel que atravessaria gerações: Diadorim, na minissérie Grande Sertão: Veredas, adaptação do romance de João Guimarães Rosa exibida pela Globo em 1985. Entre a estreia e esse ponto de virada, construiu uma trajetória que atravessa televisão, cinema e literatura: atriz, poeta, escritora, roteirista, produtora, apresentadora, palestrante e ativista ambiental.
Quem pesquisa o nome dela costuma chegar por caminhos diferentes. Há quem procure as novelas e minisséries que marcaram época, quem queira entender a obra literária que soma mais de dez títulos e quem se interesse pelas reflexões sobre felicidade, autoconhecimento e qualidade de vida que ela transformou em plataforma digital e em palestras. Este perfil reúne a trajetória pública, as obras e os projetos de uma das figuras mais versáteis da cultura brasileira.
Da Tupi à Globo: como a atriz se formou
Bruna Patrícia Romilda Maria Teresa Lombardi nasceu no Rio de Janeiro, em 1º de agosto de 1952, filha do fotógrafo e cineasta italiano Ugo Lombardi e da atriz austríaca Yvonne Sandner Lombardi. Cresceu em um ambiente em que cinema e imagem eram assunto de casa, estudou no Colégio Dante Alighieri e se formou em Comunicação Social pela FAAP e em Propaganda e Marketing pela ESPM, em São Paulo.
A estreia profissional veio em 1977, na novela Sem Lenço, sem Documento, escrita por Mário Prata para a Rede Globo. No ano seguinte, foi para a TV Tupi viver a médica Estela Bezerra em Aritana, de Ivani Ribeiro, e foi nesse trabalho que conheceu o ator Carlos Alberto Riccelli, com quem se casaria em 1978 e com quem tem o filho, Kim.
De volta à Globo, participou da minissérie Avenida Paulista (1982), escrita por Daniel Más e Leilah Assumpção, e em 1983 interpretou Patrícia Dumont em Louco Amor, de Gilberto Braga, dividindo o protagonismo com Fábio Júnior e Glória Pires. Foi um período de aprendizado em um formato que exigia presença diária e disciplina de novela.
Diadorim e o encontro com Grande Sertão: Veredas
Em 1985, Bruna Lombardi viveu Diadorim na minissérie Grande Sertão: Veredas. A personagem, que no romance de João Guimarães Rosa esconde a identidade para sobreviver no sertão, virou o trabalho mais lembrado de sua carreira na televisão, com reconhecimento de público e crítica. É uma interpretação que costuma ser associada à própria imagem da atriz, e não por acaso: o texto de Guimarães Rosa pede uma entrega que mistura silêncio, tensão e corpo.
No ano seguinte, ela emendou dois trabalhos de peso: a minissérie Memórias de um Gigolô e a novela das oito Roda de Fogo, de Lauro César Muniz, na qual interpretou Lúcia Brandão.
A fase americana e o programa Gente de Expressão
Em 1990, Bruna decidiu se afastar da rotina de novelas e se mudou com a família para os Estados Unidos, para acompanhar a criação do filho. A mudança não significou pausa: a partir de 1991, ela passou a produzir e apresentar Gente de Expressão, programa de entrevistas gravado de Los Angeles, exibido primeiro na Rede Manchete e depois na Band, com cerca de uma década no ar.
Pela atração, entrevistou nomes como Mariah Carey, Dustin Hoffman, Jean-Claude Van Damme e Mel Brooks, entre outros artistas internacionais e brasileiros. No mesmo período, voltou ao Brasil para trabalhos pontuais na TV, como De Corpo e Alma (1992), O Fim do Mundo (1996), Andando nas Nuvens (1999) e O Quinto dos Infernos (2002).
Cinema: roteiro, produção e prêmios
O cinema se tornou o centro da produção artística de Bruna Lombardi a partir dos anos 2000. Em 2005, ela roteirizou e atuou em Stress, Orgasms, and Salvation, com direção de Carlos Alberto Riccelli. No mesmo período, assinou o roteiro e atuou em Sob o Signo da Cidade, longa dirigido por Riccelli e rodado em São Paulo.
Depois vieram Brasília 18% (2006), Onde Está a Felicidade? (2011), Luz nas Trevas — A Volta do Bandido da Luz Vermelha (2012) e Amor em Sampa (2016), produção em família, com roteiro dela e direção do marido. Os filmes acumularam prêmios nacionais e internacionais, segundo a biografia oficial publicada por suas editoras.
Na televisão por assinatura, criou, roteirizou, produziu e protagonizou A Vida Secreta dos Casais, série da HBO que teve três temporadas entre 2017 e 2019. O trabalho consolidou uma segunda fase de carreira, em que ela passou a controlar o processo criativo de ponta a ponta.
Bruna Lombardi escritora: poesia, crônicas e romance
A literatura veio antes da fama na TV. No Ritmo dessa Festa, seu primeiro livro de poesias, é de 1976, um ano antes da estreia na Globo. Vieram Gaia (1980), O Perigo do Dragão (1984), o registro poético Diário do Grande Sertão (1986), o infantil Apenas Bons Amigos (1987) e o romance Filmes Proibidos (1990).
Anos depois, a obra ganhou novo impulso. Jogo da Felicidade (2015) propôs uma leitura em forma de oráculo, com capítulos que funcionam como etapas de uma jornada pessoal. Em 2017, a Sextante publicou Poesia Reunida, volume que reúne os três primeiros livros da autora, e Clímax, com poemas sobre intimidade, desejo e entrega. Em 2024, chegou Manual para Corações Machucados, com 88 crônicas sobre amor, perda e cura.
O romance mais recente é Mulheres que Sentem os Espíritos, lançado em 2026 pela Record. O livro acompanha Lorena e Dora em uma viagem à Grécia para jogar as cinzas da mãe no mar Egeu e nasceu de uma ideia que a autora carregou por mais de quarenta anos, desde o período em que viveu Diadorim e escreveu o diário de Grande Sertão.
Críticos e escritores reconhecem na poesia dela um equilíbrio pouco comum entre emoção e domínio técnico da métrica e do ritmo. Nomes como Ferreira Gullar, Mário Quintana, Clarice Lispector, Vinicius de Moraes e Carlos Drummond de Andrade elogiaram sua obra, segundo material da editora.
Rede Felicidade e o trabalho com felicidade
Além dos livros e da TV, Bruna Lombardi criou a Rede Felicidade, plataforma digital que reúne conteúdos e experiências sobre autoconhecimento, equilíbrio, espiritualidade e qualidade de vida. O projeto deu origem ao canal oficial dela no YouTube, que faz parte desse ecossistema, e a um trabalho de palestrante em eventos e empresas.
Nas palestras, ela aborda temas como empoderamento pessoal, atitude positiva, relacionamentos, equilíbrio entre vida pessoal e profissional e o papel das escolhas na construção de uma rotina mais leve. É um trabalho que conversa diretamente com os livros de desenvolvimento pessoal que publicou, mas com linguagem de palco, não de página.
O que Bruna Lombardi defende hoje
Ativista ambiental e ligada a causas sociais, Bruna mantém presença ativa nas redes, com milhões de seguidores, e participa de campanhas por qualidade de vida, preservação do meio ambiente e direitos das mulheres. A longevidade pública dela não vem só da exposição: vem da capacidade de se reinventar em formatos diferentes, da novela ao cinema autoral, da poesia ao palco.
Aos 74 anos, segue publicando, produzindo e falando sobre temas que interessam a quem busca propósito. É essa mistura de repertório artístico e conversa sobre bem-estar que explica por que o nome dela continua sendo pesquisado por públicos tão distintos.
Marcos da trajetória
- 1976 — publicação de No Ritmo dessa Festa, primeiro livro de poesias.
- 1977 — estreia na televisão, na novela Sem Lenço, sem Documento.
- 1985 — interpreta Diadorim na minissérie Grande Sertão: Veredas.
- 1991 — passa a produzir e apresentar o programa Gente de Expressão.
- 2015 — lança Jogo da Felicidade, voltado ao desenvolvimento pessoal.
- 2017 — publica Poesia Reunida e Clímax; estreia A Vida Secreta dos Casais, na HBO.
- 2024 — lança Manual para Corações Machucados.
- 2026 — publica o romance Mulheres que Sentem os Espíritos.
Perguntas frequentes sobre Bruna Lombardi
Quem é Bruna Lombardi?
Atriz, escritora, poeta, apresentadora, roteirista, produtora, palestrante e ativista ambiental brasileira, nascida no Rio de Janeiro em 1952. É conhecida por papéis na TV e no cinema, por uma obra literária que inclui poesia, crônicas e romance e pela criação da plataforma Rede Felicidade.
Qual é o papel mais marcante de Bruna Lombardi na televisão?
Diadorim, na minissérie Grande Sertão: Veredas (1985), adaptação da obra de João Guimarães Rosa. O trabalho é apontado até hoje como o mais marcante da carreira dela na TV.
Quais livros Bruna Lombardi escreveu?
Entre os títulos estão No Ritmo dessa Festa, Gaia, O Perigo do Dragão, Diário do Grande Sertão, Apenas Bons Amigos, Filmes Proibidos, Jogo da Felicidade, Poesia Reunida, Clímax, Manual para Corações Machucados e Mulheres que Sentem os Espíritos.
O que é a Rede Felicidade?
É a plataforma digital criada por Bruna Lombardi para compartilhar conteúdos e experiências sobre autoconhecimento, equilíbrio e qualidade de vida, com forte presença em vídeo e nas redes sociais.
Bruna Lombardi é casada com quem?
Com o ator Carlos Alberto Riccelli, desde 1978. Os dois se conheceram nas gravações da novela Aritana, na TV Tupi, e são pais de Kim Lombardi Riccelli.






