Não sei se é bom, mas é teu é o livro em que Maria Ribeiro volta à crônica depois do volume da Planeta, agora pela Editora Record, com mais de 70 textos e 176 páginas. Não é romance nem diário fechado. É reunião do que ela escreveu desde 2018 para O Globo, Veja Rio, Gama, Tpm e UOL, relido como um bloco só.
De onde vem o título e o que o livro junta
A frase não foi inventada para a capa. É fala de Paulo José no filme Todas as mulheres do mundo, de 1966, escrito por Domingos de Oliveira. Maria ajudou a adaptar essa obra para a série do Globoplay em 2020 e, anos depois, pegou a mesma sentença para nomear o livro. Em entrevistas do lançamento, ela leu a frase como um fechamento: não sei se o país é bom, mas é teu; não sei se o passado é bom, mas é meu.
O miolo passeia por maternidade, feminismo, envelhecimento, luto, futebol, política e cultura pop, sempre a partir de um detalhe pequeno. A Record descreve a autora escrevendo como quem conversa. A Veja Rio lembra que parte dos textos saiu na revista, nos anos em que ela foi colunista. A Gama republicou o recorte e apontou textos nascidos na própria revista, entre eles cartas e crônicas sobre Fernanda Young e sobre o Brasil do período.
Quem assina as bordas do livro
Anitta escreve o prefácio. Caetano Veloso assina o posfácio. Alexandre Machado entra no texto de orelha, segundo a cobertura da coluna de Veja. A escolha não é enfeite de celebridade solta: Anitta é também a pessoa sobre quem Maria assinou o roteiro de Larissa – o outro lado de Anitta, e as duas aparecem juntas na conversa pública sobre o livro. Caetano fecha um volume que já cita canção, moda e o cotidiano carioca sem tratar isso como assunto menor.
A capa rosa, com o nome em letra pesada e um par de olhos na faixa de baixo, foi assunto dela mesma num texto para a Vogue, publicado perto da Flip de 2025. Ali ela liga roupa e verbo como duas formas de aparecer. O lançamento no Rio, na Argumento do Leblon, e a ida à Flip foram o circuito público do livro em 2025.
Para quem o volume serve
Serve a quem já lê crônica de jornal e quer o recorte de uma mulher que entrou nos 40 escrevendo o Brasil daqueles anos: separação, pandemia, morte de conhecidos, filhos crescendo, menopausa dita sem eufemismo. Serve também a quem conhece Maria Ribeiro por Como Nossos Pais, por Tropa de Elite ou pelo Saia Justa e procura a voz escrita, não mais uma ficha de personagem.
Ela disse à Veja que este é o primeiro livro em que se apresenta como escritora, sem o pudor antigo de “atriz que escreve”. O intervalo desde Tudo o que eu sempre quis dizer, mas só consegui escrevendo, de 2018, é o vão que a Record trata como retorno. Quem espera manual de carreira ou memória linear não encontra isso aqui. Encontra textos curtos, tom oral e a frase do título funcionando como aceite do que a vida já é.
O que fica de fora da expectativa
Não há método, turma nem promessa de transformação. Há crônica. A edição impressa da Record, com ISBN 978-850-192-399-8 e lançamento datado de 18 de agosto de 2025, é a versão de referência. Coletâneas em que ela é uma entre vários autores, como Crônicas para ler em qualquer lugar, são outro projeto. Este volume é só dela, com as duas assinaturas convidadas na entrada e na saída.



