Narcos marcou a entrada de José Padilha no streaming global. A série da Netflix, criada por Chris Brancato, Carlo Bernard e Doug Miro, estreou em 2015 e acompanha a ascensão e a queda de Pablo Escobar, além do trabalho dos agentes da DEA que o perseguiram. Padilha dirigiu os dois primeiros episódios e assinou a produção executiva.
A direção de Padilha ajudou a definir o tom da série: narração em primeira pessoa, reconstituição histórica e uma câmera que trata o narcotráfico como negócio e como guerra. Gravada na Colômbia, a produção mistura inglês e espanhol e transforma Medellín em personagem. Wagner Moura interpreta Escobar, em um papel que o levou a uma indicação ao Globo de Ouro.
O elenco principal conta ainda com Boyd Holbrook e Pedro Pascal como os agentes Steve Murphy e Javier Peña, além de Joanna Christie. A primeira temporada acompanha a formação do cartel de Medellín e a escalada de violência que coloca Escobar no centro da política colombiana. A segunda temporada avança até a caçada e a morte do traficante.
O papel de Padilha na série
O diretor não comandou todos os episódios, mas sua presença nos primeiros capítulos estabeleceu a linguagem visual e o ritmo que a série manteria nas temporadas seguintes. A escolha de tratar Escobar como figura central, sem transformá-lo em mito, e de dar espaço aos agentes americanos criou uma estrutura que ajudou a popularizar o gênero de true crime na Netflix.
Padilha já tinha experiência com histórias de violência e instituições, e Narcos permitiu aplicar esse repertório a um cenário internacional. A série também consolidou a parceria com Wagner Moura, que já havia trabalhado com ele em Tropa de Elite.
Repercussão e temporadas
Narcos recebeu boa recepção da crítica e ajudou a projetar Pedro Pascal e Boyd Holbrook no mercado americano. A série teve três temporadas: as duas primeiras centradas em Escobar e a terceira no cartel de Cali. A produção também gerou debates sobre a glamorização do narcotráfico e sobre o sotaque de Wagner Moura, questões que acompanharam o lançamento.
As gravações aconteceram em locações na Colômbia e exigiram um elenco bilíngue. A aposta em uma história latino-americana com alcance global ajudou a abrir espaço para outras produções do gênero. A primeira temporada recebeu indicações em premiações de televisão e firmou o nome de Padilha entre os diretores brasileiros com carreira internacional. A série está disponível na Netflix e continua sendo uma porta de entrada para quem quer entender o interesse de Padilha por figuras que concentram poder, violência e política.





