RoboCop, lançado em 2014, é a versão de José Padilha para o clássico de ficção científica de 1987. O filme acompanha o policial Alex Murphy, interpretado por Joel Kinnaman, que é transformado em um híbrido de homem e máquina depois de ser morto por criminosos. A empresa que o reconstrói quer usar o caso para vender um novo modelo de segurança urbana.
O elenco reúne Gary Oldman, Michael Keaton, Abbie Cornish, Jackie Earle Haley e Samuel L. Jackson. Padilha manteve o tom de ação do original, mas deslocou o debate para temas como vigilância, drones e o poder das empresas de tecnologia sobre a segurança pública. O resultado divide críticos: o filme arrecadou mais de US$ 240 milhões no mundo, mas recebeu avaliações mistas.
A refilmagem foi anunciada em 2011 e chegou aos cinemas em fevereiro de 2014, com roteiro de Joshua Zetumer. O estúdio queria uma versão mais realista do policial ciborgue, e Padilha aproveitou o orçamento maior para discutir o uso de máquinas em conflitos urbanos. O filme tem 117 minutos e foi produzido por Marc Abraham e Eric Newman.
A versão de 2014 troca parte do humor ácido do original por uma abordagem mais sóbria. A classificação PG-13 nos Estados Unidos suavizou a violência em relação ao filme de Paul Verhoeven, mas manteve a crítica à privatização da segurança e ao papel da mídia na construção do consenso.
Por que Padilha aceitou o projeto
O diretor vinha de Tropa de Elite 2 e via no remake a chance de trabalhar com um orçamento de estúdio sem abandonar questões que já apareciam em seus filmes brasileiros. A história de Murphy permite discutir quem controla a força, como a tecnologia modifica a responsabilidade e o que acontece quando a segurança vira produto. O filme não é um documentário, mas carrega a mesma desconfiança em relação às instituições que sustentam a violência.
A presença de Samuel L. Jackson como um comentarista de televisão que defende o uso de robôs ajuda a satirizar o debate público sobre segurança. Michael Keaton interpreta o executivo que vê no policial ciborgue uma oportunidade de mercado. Gary Oldman faz o cientista responsável pela transformação, dividido entre a ética e a pressão da empresa.
Recepção e legado
RoboCop não repetiu o impacto cultural do original, mas cumpriu o papel de colocar Padilha em contato com a indústria americana. O filme foi lançado entre Tropa de Elite 2 e Narcos, num momento em que o diretor ampliava sua atuação para séries e produções internacionais. A experiência ajudou a prepará-lo para os projetos seguintes na Netflix. O filme segue disponível em serviços de streaming e é lembrado como a primeira incursão de Padilha em uma franquia de grande orçamento.
Para quem acompanha a carreira de Padilha, RoboCop é a ponte entre o cinema brasileiro e a indústria americana. Está disponível na Netflix.





