Contexto e proposta de O Beijo da Mulher Aranha
O Beijo da Mulher Aranha reúne dois prisioneiros numa cela durante a ditadura militar brasileira. Valentín Arregui, militante político interpretado por Raúl Juliá, divide o espaço com Luís Molina, um homossexual condenado por corrupção de menor e vivido por William Hurt. Para atravessar o confinamento, Molina narra filmes que ama, e a amizade entre os dois cresce enquanto a repressão aperta o cerco.
O filme de 1985 é a adaptação do romance homônimo de Manuel Puig, com roteiro de Leonard Schrader. Héctor Babenco rodou em São Paulo, com diálogos em inglês e coprodução americana, e manteve o olhar sobre personagens que vivem à margem. Sônia Braga interpreta a mulher que aparece nas histórias narradas por Molina, numa estrutura que mistura prisão, memória e fantasia.
A estreia aconteceu no Festival de Cannes de 1985. William Hurt ganhou o prêmio de melhor ator no festival e, no ano seguinte, venceu o Oscar e o BAFTA na mesma categoria. O filme recebeu quatro indicações ao Oscar, entre elas melhor filme e melhor direção para Babenco. A obra ocupa a 61ª posição na lista dos 100 melhores filmes brasileiros de todos os tempos da Abraccine.
Para o leitor que quer entender a passagem de Babenco para o cinema internacional, O Beijo da Mulher Aranha é o título central. O filme não abandona o Brasil: a prisão, a ditadura e a violência política continuam no centro, mesmo com elenco e produção internacionais. A edição em DVD mantém o áudio original em inglês e legendas em português; vale conferir a região e o formato antes de comprar.
O romance de Puig havia sido proibido na Argentina, e a adaptação ajudou a levar a história a um público mais amplo. O filme consolidou a passagem de Babenco para produções internacionais sem apagar a origem brasileira do projeto.




