Foto ilustrativa do produtor Boris Fausto

Projeto relacionado a:

Boris Fausto
Imagem promocional do produto O crime do restaurante chinês

O crime do restaurante chinês

Livro
Ver página do projeto

Este link pode ser comercial e gerar comissão para o site, sem alterar o preço para o leitor. Compare informações, preço e disponibilidade antes de decidir.

Ensaio de Boris Fausto sobre o quádruplo homicídio de 1938 em São Paulo, entre carnaval, futebol, imigração e a justiça da era Vargas.

O crime do restaurante chinês abre numa Quarta-Feira de Cinzas de 1938. Ho-Fung e Maria Akiau, donos de um restaurante chinês em São Paulo, aparecem assassinados com dois empregados. O suspeito é um jovem negro, Arias de Oliveira, ex-funcionário do estabelecimento. A cidade, ainda ressacada do carnaval de rua, não fala de outra coisa. Boris Fausto era menino; o caso entrou pela manchete e voltou, décadas depois, pelo arquivo.

Publicado em 2009 pela Companhia das Letras, o livro pergunta de frente se aquilo que o leitor segura é romance policial ou história do Brasil. A resposta do próprio texto é a segunda, escrita com pulso da primeira: o enredo do inquérito vira mote para imigração, raça, imprensa, carnaval e a Copa de 1938.

O caso e o que ele carrega

Fausto reconstrói as investigações com fontes de imprensa e memória. O homicídio a golpes de pilão mobilizou o noticiário paulistano no rastro de um carnaval ainda de rua. Sobre Arias pesaram, além do inquérito, doutrinas raciais que então recebiam endosso de cientistas de prestígio. O livro não “absolve” no vazio: mostra como polícia e justiça aplicavam aquele repertório a um trabalhador negro do interior, num restaurante de imigrantes chineses, numa capital inchada de migrantes.

Ao redor do crime, São Paulo troca de assunto sem trocar de pele. O carnaval de rua começa a declinar. Em seguida, a Copa do Mundo de 1938 explode a cidade em torno da seleção. O historiador aponta o fio de sensibilidade que liga a festa, o quádruplo homicídio e o futebol: a mesma opinião pública que teme Arias pode, no mesmo ano, adorar Leônidas, outro brasileiro negro, goleador nos campos da França. O contraste não é efeito retórico. Está documentado no noticiário que o autor lê como fonte.

Para quem este livro existe

  • Leitor de não ficção que quer micro-história com arquivo, não true crime de streaming.
  • Quem estuda a São Paulo dos anos 1930 — imigração, trabalho, racismo científico, imprensa.
  • Quem chegou a Fausto por Crime e cotidiano e busca o método aplicado a um caso.
  • Leitor de Vargas que prefere o chão da cidade ao palácio.

Método: jornal, memória e recusa do folhetim

As fontes centrais são jornais e a memória do autor-menino. Fausto não esconde o limite: a imprensa da época operava no sensacionalismo. O ofício do historiador é exatamente esse — usar a manchete sem repetir o pânico. A narração tem maestria de romancista, diz a apresentação da editora; o objeto permanece historiográfico. Quem espera reviravolta de gênero policial encontra outra coisa: um ensaio sobre como uma metrópole classifica corpos, crimes e heróis no mesmo semestre.

O título conversa com O crime da Galeria de Cristal, publicado dez anos depois, e com o estudo de 1984. A diferença é de escala e de tom. Aqui há carnaval, copa e um restaurante com nome de origem. Há também a justiça da era Vargas operando doutrina. O livro de 2009 é o ponto em que o “historiador de domingo” deixa a tese e o didático e escreve para o leitor de sábado — sem abrir mão do arquivo.

Edição e o que o volume não é

A edição física da Companhia das Letras, em português, é a referência. Há ebook em outras lojas. O livro não entrega sentença moderna sobre o processo nem reconstituição criminalística de série. Entrega o caso como via de acesso a 1938: imigrantes, trabalhadores marginalizados, racismo de gabinete e uma cidade que já misturava futebol e medo. Para esse uso, permanece o mais legível dos Faustos da micro-história.

Página vinculada ao projeto

Para consultar a página vinculada a este projeto, acesse O crime do restaurante chinês.


O que você acha deste Projeto?

O projeto O crime do restaurante chinês entrega o que promete? Foi uma boa experiência de aprendizagem ou serviço? Mande o seu feedback franco.

Outros projetos do mesmo autor

Se você se interessou por O crime do restaurante chinês, talvez também queira conhecer outros projetos de Boris Fausto.

Ver perfil completo
História do Brasil
História do Brasil
Volume didático da Edusp em que Boris Fausto percorre mais de cinco séculos da formação brasileira, da colonização aos regimes autoritários do século XX.
00%
00%
A Revolução de 1930
A Revolução de 1930
Clássico de Boris Fausto sobre o fim da Primeira República: historiografia, classes, oligarquias e o Estado que emergiu depois de 1930.
00%
00%
Crime e cotidiano
Crime e cotidiano
Estudo de Boris Fausto sobre a criminalidade em São Paulo entre 1880 e 1924, entre imigração, controle social e a cidade que virava metrópole.
00%
00%