O Grande Circo Místico (2018) é o musical brasileiro com que Cacá Diegues encerrou sua filmografia de ficção lançada em vida. O filme parte do poema homônimo de Jorge de Lima — que já havia originado as canções escritas por Edu Lobo e Chico Buarque para um balé — para contar a história de cinco gerações da família Knieps, de 1910 aos dias de hoje, do apogeu à decadência do Grande Circo Knieps.
O fio condutor é Celavi (Jesuíta Barbosa), o mestre de cerimônias que nunca envelhece e acompanha as aventuras e amores dos Knieps até um final em que realidade e fantasia se encontram. Com roteiro de Diegues e George Moura, produção de Renata de Almeida Magalhães, fotografia de Gustavo Hadba e figurino de Kiko Lopes, o longa traz no elenco Mariana Ximenes, Antônio Fagundes, Bruna Linzmeyer, Juliano Cazarré, Catherine Mouchet e participação especial de Vincent Cassel.
Música, poesia e fantasia
As músicas de Chico Buarque e Edu Lobo dão ao filme o tom de fábula musical, com números coreografados e um universo visual que mistura circo, memória e lirismo. É um projeto antigo do cineasta, que perseguiu o poema de Jorge de Lima por décadas até conseguir levá-lo às telas com produção internacional. O resultado agradou à crítica especializada e rendeu o Grande Otelo de melhor roteiro adaptado no Grande Prêmio do Cinema Brasileiro de 2019.
Festivais e a aposta no Oscar
O longa foi exibido no Festival de Cannes de 2018 e no Festival de Gramado e foi escolhido candidato brasileiro ao Oscar 2019 na categoria de melhor filme internacional. Para quem acompanha a obra de Diegues, o filme fecha um ciclo: depois de décadas adaptando literatura e teatro para o cinema, ele levou à tela um poema, tratado como espetáculo musical completo. É uma porta de entrada para o lado mais lírico do cineasta e uma das produções brasileiras mais ambiciosas da década.





