Xica da Silva (1976) conta a história de uma escrava que se torna o centro das atenções no Distrito Diamantino, na segunda metade do século XVIII, onde ficavam as minas mais ricas do país. Interpretada por Zezé Motta, Xica conquista João Fernandes (Walmor Chagas), representante da Coroa Portuguesa, que se apaixona por ela e a transforma na Rainha do Diamante, satisfazendo seus desejos mais extravagantes. Alertado pelos inimigos do casal, o rei de Portugal envia um emissário para impedir que o poder de Xica cresça na colônia.
O filme foi o maior sucesso popular da carreira de Cacá Diegues e um dos maiores fenômenos de bilheteria do cinema brasileiro. O roteiro é assinado por Diegues e pelo escritor João Felício dos Santos, com direção de arte de Luiz Carlos Ripper, fotografia de José Medeiros e trilha de Roberto Menescal e Jorge Ben. No elenco estão ainda Altair Lima, Elke Maravilha, Stepan Nercessian, Rodolfo Arena e José Wilker.
Prêmios e leitura histórica
Lançado em plena abertura política, "Xica da Silva" venceu o Candango de melhor filme e melhor diretor no Festival de Brasília de 1976 e o Prêmio Molière de melhor filme, direção e atriz em 1977, além do Prêmio Air France. A exuberância e o otimismo do filme foram lidos como um anúncio dos últimos dias do autoritarismo e da volta da alegria democrática — interpretação que acompanha a obra até hoje.
O filme restaurado
Quase cinquenta anos depois da estreia, "Xica da Silva" ganhou uma cópia restaurada em 4K, apresentada na Mostra Preservação da CineOP — Mostra de Cinema de Ouro Preto — e relançada nos cinemas brasileiros. A restauração recolocou o clássico em circulação para novas gerações de espectadores e reforçou o debate sobre a preservação do patrimônio audiovisual nacional. Para quem quer entender o cinema brasileiro dos anos 1970, é uma das portas de entrada mais diretas: drama histórico, humor, música e uma personagem que virou símbolo.





