O livro que resgatou a memória de um inventor brasileiro
O Incrível Padre Landell de Moura: história triste de um inventor brasileiro é a biografia escrita por Ernani Fornari sobre Roberto Landell de Moura (1861-1928), padre católico e cientista gaúcho que realizou experiências pioneiras de transmissão de som e sinais sem fio. A primeira edição saiu pela Editora Globo em 1960; a segunda, publicada pela Biblioteca do Exército em 1984, é a que circula com mais frequência em sebos e bibliotecas.
Fornari acompanhou a história de perto: foi contemporâneo de Landell e é apontado como seu primeiro biógrafo. O livro nasceu da convivência com o personagem e da pesquisa em jornais, documentos e testemunhos da época, num esforço para reconstruir uma trajetória que a imprensa brasileira havia acompanhado com entusiasmo e depois esquecido. A edição da Biblioteca do Exército foi resenhada na revista A Defesa Nacional, em 1983, quando o livro voltou às livrarias.
Quem foi o padre Landell de Moura
Nascido em Porto Alegre em 1861, Landell de Moura formou-se sacerdote em Roma e voltou ao Brasil disposto a investigar a transmissão de energia e de sinais à distância. Na virada do século XX, realizou demonstrações de telegrafia e telefonia sem fio por ondas eletromagnéticas e por luz, obteve uma patente brasileira em 1901 e três patentes nos Estados Unidos em 1904 — um transmissor de ondas, um telefone sem fio e um telégrafo sem fio.
O reconhecimento, porém, não veio na mesma velocidade das invenções. Landell trabalhou quase sempre sozinho, com recursos próprios, viu pedidos de apoio serem arquivados por autoridades e enfrentou desconfiança até dentro da Igreja. Recusou propostas para industrializar seus aparelhos no exterior e morreu em 1928, vítima de tuberculose, sem ver sua contribuição devidamente reconhecida.
Por que esta biografia importa
Quando o livro foi publicado, em 1960, a memória de Landell ainda era restrita a círculos técnicos e a reportagens antigas. A obra de Fornari ajudou a organizar a história do inventor para o público geral, reunindo a trajetória religiosa, os experimentos, as patentes e as dificuldades que marcaram a vida do padre-cientista. A edição de 1984 saiu no mesmo período em que instituições brasileiras começaram a reconstruir e testar os aparelhos de Landell, reacendendo o debate sobre seu pioneirismo.
Hoje, Landell de Moura é patrono dos radioamadores brasileiros e tem o nome inscrito no Livro dos Heróis e Heroínas da Pátria. Biografias como esta continuam sendo uma porta de entrada para entender por que o país demorou a reconhecer um de seus inventores mais originais.
Para quem é esta leitura
- Leitores de história da ciência e da tecnologia no Brasil.
- Pesquisadores da história do rádio, das telecomunicações e das patentes.
- Interessados na vida religiosa e intelectual brasileira do fim do século XIX.
- Colecionadores de edições da Biblioteca do Exército.
A edição de 1984 é de capa comum e costuma aparecer em sebos e livrarias especializadas. Por ser uma obra de referência sobre Landell de Moura, é uma leitura indicada tanto para quem quer conhecer o inventor quanto para quem pesquisa a história das comunicações no Brasil.


