O Liberalismo Antigo e Moderno é a obra de maior fôlego de José Guilherme Merquior. Publicado em 1991, ano de sua morte, o livro percorre a história da teoria liberal desde o século XVII até o fim do século XX. A edição da É Realizações, de 2014, acrescenta fortuna crítica e documentos do arquivo pessoal do autor, o que permite acompanhar a gênese de um projeto intelectual gestado durante sua temporada como embaixador no México.
O que o livro propõe
Merquior não escreve uma defesa panfletária do mercado. Seu objetivo é reconstruir as diferentes tradições liberais, distinguir seus pressupostos e mostrar como o liberalismo se transformou ao responder a crises políticas e econômicas. A narrativa combina história das ideias, análise conceitual e comparação entre autores e correntes. O leitor encontra tanto a linhagem clássica quanto os dilemas do liberalismo social, que Merquior considerava a versão mais adequada ao século XX.
Por que a obra continua atual
A discussão sobre o papel do Estado, a relação entre liberdade e igualdade e os limites do mercado segue no centro do debate público. O livro ajuda a entender por que Merquior rejeitava tanto o socialismo autoritário quanto o neoliberalismo que reduz a liberdade à esfera econômica. Para ele, uma sociedade livre exige instituições capazes de proteger direitos, garantir oportunidades e sustentar a vida democrática.
Para quem é a leitura
O volume interessa a estudantes de filosofia política, história das ideias, direito e ciências sociais, além de leitores que querem compreender a tradição liberal sem slogans. Não é um livro introdutório leve: a erudição é densa e a argumentação pressupõe familiaridade com autores clássicos. A recompensa está na amplitude do percurso e na clareza com que Merquior conecta teoria e história.
Lugar na obra de Merquior
O Liberalismo Antigo e Moderno funciona como síntese de preocupações que aparecem em O Argumento Liberal e em seus ensaios sobre marxismo e estética. É também uma resposta ao ambiente intelectual brasileiro dos anos 1980, marcado pela redemocratização e pelo debate sobre o papel do Estado. A edição atualizada permite ler essa resposta com o distanciamento necessário para avaliar seus acertos e seus limites.





