O oitavo dia nasceu de uma parceria improvável: Nelson P. Sirotsky, um dos principais empresários de comunicação do país, convidou a romancista Letícia Wierzchowski para escrever a quatro mãos um livro sobre a própria trajetória. Publicado em 2018, o resultado recusa os rótulos de memória, biografia ou manual de gestão e mistura todos eles, transformando a vida de um executivo em matéria de literatura.
O que o livro conta
Depois de 45 anos de dedicação exclusiva ao Grupo RBS, 21 deles na presidência, Sirotsky decidiu repensar os rumos da vida. Desse momento nasceu o relato que o livro organiza em quatro narrativas que se cruzam: a trajetória pessoal do protagonista, a história da empresa de mídia que se tornou uma das maiores do Brasil, a saga da família, desde a chegada dos avós ao país fugindo de perseguições religiosas, e uma camada de histórias reais entrelaçadas pela escritora. Letícia conduz a costura literária e transforma o depoimento em narrativa com personagens fortes, valores e contradições de um homem que se reinventa.
Por que interessa a quem não é do mundo dos negócios
O oitavo dia não é um livro de gestão, embora trate de uma empresa e de decisões de carreira. O foco está no ser humano por trás do executivo: origem familiar, fé, dúvidas, acertos e recomeços. A prosa de Letícia Wierzchowski garante unidade ao material, e o leitor que conhece os romances históricos dela encontra aqui outro tipo de documento: um retrato do Brasil do século XX visto de dentro de uma sala de redação.
Para quem é
Leitores de memórias e biografias empresariais, profissionais de comunicação e administração e quem acompanha a história recente da mídia no Sul do país. Também é uma leitura de interesse para quem quer ver a escritora fora da ficção histórica, aplicando a mesma habilidade de reconstrução de época a uma trajetória familiar contemporânea.




