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Letícia Wierzchowski

Nascimento: 1972 Porto Alegre, Rio Grande do Sul
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Escritora e roteirista de Porto Alegre, autora de A Casa das Sete Mulheres, romance que deu origem à minissérie da Globo e à trilogia histórica sobre o Rio Grande do Sul.

Em 2002, o romance A Casa das Sete Mulheres colocou a Revolução Farroupilha no centro de uma saga familiar e transformou Letícia Wierzchowski em uma das escritoras mais lidas do Rio Grande do Sul. O livro acompanha os anos em que as mulheres da família de Bento Gonçalves da Silva ficaram isoladas em uma estância distante dos combates, enquanto a guerra mais longa da América do Sul se arrastava pelo pampa. A minissérie exibida pela TV Globo em 2003, adaptada por Walther Negrão e Maria Adelaide Amaral e dirigida por Jayme Monjardim, levou a história a mais de quarenta países e mudou a proporção da carreira dela.

Letícia Wierzchowski nasceu em Porto Alegre, em 4 de junho de 1972, neta de imigrantes poloneses. Chegou à literatura por um caminho torto: começou Arquitetura sem concluir o curso, foi proprietária de uma confecção de roupas e trabalhou no escritório de construção civil do pai antes de publicar o primeiro romance. Essa mistura de formação prática e memória familiar aparece em quase tudo o que escreve, do drama histórico à crônica, passando pela literatura infantil.

Quem é Letícia Wierzchowski

A estreia veio em 1998, com O anjo e o resto de nós, saga da família Flores no interior gaúcho do início do século XX, relançada em 2001. No ano seguinte, a troca de e-mails com o publicitário e escritor Marcelo Pires virou o livro eu@teamo.com.br, escrito a quatro mãos e lançado em 1999 — um retrato de como a internet entrava na vida afetiva brasileira na virada do milênio.

Na mesma época, ela já trabalhava no que se tornaria sua marca: romances que misturam personagens inventados a episódios documentados da história do Sul do Brasil. Em vez de reconstituir batalhas como um manual, a autora desloca o olhar para quem espera, cuida da casa, envelhece e toma decisões enquanto a política decide o resto.

Como A Casa das Sete Mulheres se tornou um marco

Publicado em 2002, A Casa das Sete Mulheres parte de um fato da Revolução Farroupilha (1835-1845): o líder do movimento, general Bento Gonçalves da Silva, reuniu as mulheres de sua família em uma estância afastada das áreas de conflito. A guerra, que deveria ser curta, durou dez anos. É nesse intervalo que as sete mulheres — entre elas Manuela, que narra boa parte da história — vivem amores, perdas e rupturas.

A adaptação para a televisão estreou em 2003, com direção de Jayme Monjardim, e virou uma das minisséries brasileiras mais exportadas da década. A edição relançada do romance traz texto de orelha do escritor Tabajara Ruas, parceiro dela em outros projetos. Em 2026, a história ganhou anúncio de adaptação para o teatro musical, sinal de que o público continua voltando a esse universo mais de duas décadas depois.

A trilogia do pampa: Um farol no pampa e Travessia

O sucesso pediu continuidade. Em Um farol no pampa, de 2004, o foco se desloca para Matias, jovem que atravessa os acontecimentos que levam o Império do Brasil à Guerra do Paraguai. A narrativa reencontra personagens queridas do primeiro livro, como D. Antônia, D. Ana, Caetana, Mariana e Perpétua, e devolve a voz de Manuela para contar o que aconteceu com o Rio Grande depois do fim da Revolução Farroupilha.

Em 2017, Travessia fechou a saga com a história de Anita e Giuseppe Garibaldi, que viveram e lutaram em três países: no sul do Brasil durante a Farroupilha, em Montevidéu e na unificação da Itália. O casal que virou símbolo de liberdade em dois continentes ganhou um romance que equilibra as grandes batalhas e a intimidade de dois estrangeiros que se escolheram em meio à guerra.

Prêmios, literatura infantil e crônicas

A produção de Letícia não se limita ao romance histórico adulto. Ela construiu uma obra paralela de livros para crianças e jovens, muitas vezes em parceria com ilustradores. Era outra vez um gato xadrez, ilustrado por Virgilio Neves, venceu o Prêmio Jabuti de 2009 na categoria infantil. O dragão de Wawel e outras lendas polonesas resgata a herança dos avós. A autora também recebeu menções da FNLIJ e venceu o Prêmio Açorianos de 2012 na categoria narrativa longa com Neptuno.

Entre 2020 e 2021, foi jurada internacional do Prêmio Pena de Ouro. Em 2025, lançou o livro de crônicas Por onde o tempo passa, em que reflete sobre memória, passagem do tempo e vida cotidiana — um registro mais pessoal, mas ainda ligado à mesma atenção ao modo como os anos transformam as pessoas.

Roteiros para cinema e televisão

O trânsito entre romance e roteiro acontece desde os anos 2000. Ao lado de Tabajara Ruas, Letícia assinou o roteiro de O continente, adaptação da obra de Érico Veríssimo que deu origem ao filme O Tempo e o Vento, lançado em 2013 com direção de Jayme Monjardim e Thiago Lacerda no papel do capitão Rodrigo Cambará. O longa foi transformado depois em uma minissérie de três capítulos.

A parceria com Monjardim continuou. Em 2024, o diretor a convidou para escrever o roteiro de Romaria, novela anunciada com produção prevista pela HBO Max em parceria com a Band e locações na Paraíba. Em 2025, durante um evento que celebrou os 120 anos de Érico Veríssimo, o diretor anunciou O Retrato, sequência de O Tempo e o Vento, com Letícia no roteiro.

Por onde começar a ler Letícia Wierzchowski

Quem chega agora à obra dela pode montar uma sequência que atravessa a trilogia histórica e os livros menores:

  • A Casa das Sete Mulheres — o romance que a tornou conhecida e a porta de entrada natural para o universo da Farroupilha.
  • Um farol no pampa — a continuação direta, útil para quem quer acompanhar os destinos do pampa depois da revolução.
  • Travessia — o desfecho da saga, com Anita e Giuseppe Garibaldi no centro.
  • O oitavo dia — livro de memórias empresariais escrito a quatro mãos com Nelson P. Sirotsky, que mostra a autora fora da ficção histórica.
  • Era outra vez um gato xadrez — o lado infantil premiado, para quem lê com crianças.

Onde acompanhar o trabalho dela

Letícia mantém uma rotina pública de lançamentos, feiras do livro e conversas com leitores. Nos últimos anos, passou por eventos como a Feira do Livro de Canoas (2024), a Festa Literária Internacional de Taquara (2025) e a Feira do Livro de Tramandaí (2026). O perfil @leticiawierz no Instagram funciona como canal direto de novidades. Para conhecer outras autoras e autores do gênero, vale navegar pela página de literatura do site.

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O oitavo dia
O oitavo dia
Livro de 2018 escrito a quatro mãos com Nelson P. Sirotsky, mistura memórias, história empresarial e saga familiar.
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