O País dos Petralhas II avisa o leitor já na capa: “O inimigo agora é o mesmo”. A Record lançou o volume em 11 de setembro de 2012, com 434 páginas e ISBN 978-85-01-40100-7. O subtítulo conversa, de propósito, com o slogan de Tropa de Elite 2, “o inimigo agora é outro”. Azevedo inverte a frase. O alvo, diz a capa, não mudou.
Quatro anos separam este livro do primeiro. O blog continuava na Veja, com audiência que a própria editora, na sinopse, estimava em cerca de 140 mil acessos por dia. Lula tinha deixado o Planalto. Dilma Rousseff governava. O mensalão voltava ao noticiário pelo julgamento. O volume reúne artigos e ensaios publicados entre 2009 e 2012 no blog e na revista, não uma tese escrita de uma vez.
O recorte que a editora assume
A sinopse da Record lista, sem meias palavras, os assuntos costurados no miolo: aborto, casamento entre pessoas do mesmo sexo, religião, o poder de Lula, o governo Dilma, o PT, Bolsa Família, Comissão da Verdade, segurança pública, cotas, código florestal, descriminalização das drogas, Obama, Israel, Palestina e a Primavera Árabe. É um índice de colunas, não um programa de governo. O fio que a editora destaca é a defesa, no texto do autor, da Constituição, das instituições e da liberdade individual.
Quem leu só o volume de 2008 encontra aqui a continuação do tom, não a repetição dos mesmos artigos. O país do título já é o do mensalão julgado e o do primeiro governo Dilma. Azevedo escreve como quem acredita que o adversário político permaneceu, mesmo com outro presidente. Daí a frase da capa. Concordar com ela é outra conversa. O livro existe para fixar esse argumento em papel.
Como ler sem confundir com o comentarista de agora
O País dos Petralhas II fecha a fase em que o blog ainda morava na Veja e a briga pública de Azevedo tinha um centro claro: o PT no governo. Não explica a saída de 2017, o Reconversa nem a coluna no Metrópoles. Serve para quem quer o arquivo de 2009 a 2012 com a curadoria do próprio autor, inclusive nos temas que extravasam Brasília e entram em costume, fé e política externa.
A edição comercial segue sendo a da Record. Não há, neste volume, curso, método ou atualização posterior colada no fim. O que mudou na voz do jornalista depois de 2012 está nos programas e nas colunas, não numa terceira parte anunciada. Ler o II como se fosse a opinião de hoje é anacronismo. Ler como se fosse só capa de slogan também perde o miolo: são centenas de páginas de artigo, com a prolixidade e a precisão de quem escrevia todo dia para ser lido no dia seguinte.



