Em 24 de junho de 2006, Reinaldo Azevedo publicou o primeiro texto de um blog hospedado no site da Veja. Onze anos depois, em 23 de maio de 2017, encerrou essa casa, pediu demissão da Jovem Pan no mesmo dia e, ainda naquela semana, estreou O É da Coisa na BandNews FM. Quem busca o nome hoje atravessa esse arco: o comentarista que lançou a palavra petralha, o âncora de rádio e o colunista que, em 2026, assina no Metrópoles.
José Reinaldo Azevedo e Silva nasceu em 19 de agosto de 1961, em Dois Córregos, no interior paulista, e vive em São Paulo. Cursou Letras na USP e Jornalismo na Universidade Metodista de São Paulo. A dúvida de quem chega ao perfil não é o cargo da semana. É entender como o mesmo jornalista passou do blog mais citado na briga com o PT à entrevista com Luiz Inácio Lula da Silva no Palácio do Planalto, em 2 de março de 2023.
Dois Córregos, USP e as primeiras redações
Dois Córregos aparece como origem e como memória pública. Em 2010, Azevedo publicou um texto sobre o título de Cidadão Emérito da cidade onde nasceu. A formação veio em duas escolas que não se confundem: Letras na Universidade de São Paulo e Jornalismo na Metodista.
A juventude política está no registro, sem romance. Ele próprio anotou filiação ao PT entre 1980 e 1981. A biografia pública o situa na Liberdade e Luta, a Libelu, corrente trotskista da ditadura, fase que ele comentou depois, já como crítico do partido.
O ofício de redação ganhou nome cedo. Entre 1991 e 1993 foi redator-chefe do Diário do Grande ABC, em Santo André. Na Folha de S.Paulo foi editor-adjunto de Política e coordenador de Política da sucursal de Brasília. Foi redator-chefe das revistas Bravo! e Primeira Leitura. Num perfil de 2025, o Portal dos Jornalistas situa a direção de redação da Primeira Leitura entre 2002 e 2006, a chefia de República e Bravo! entre 1996 e 2002, e três períodos de coluna na Folha dentro de uma relação com o jornal que vai de 1996 a 2023.
O blog da Veja e a palavra petralha
O blog na Veja durou de 24 de junho de 2006 a 23 de maio de 2017. A coluna na revista impressa, distinta do blog, foi até 7 de outubro de 2009. Nesse intervalo ele consolidou um vocabulário. Petralha, cruzamento de petista e metralha, virou marca dele e título de livro. A Record, ao apresentar O País dos Petralhas, de 2008, descreve a obra como crítica ao governo do PT entre 2002 e 2008 e trata Azevedo como criador da expressão.
O volume reúne artigos do blog e textos do Jornal do Brasil. Não é romance nem manual. É arquivo de uma briga pública. Em entrevista à GloboNews em 3 de outubro de 2008, perguntado por Edney Silvestre se o livro era contra o PT, ele respondeu que não: o alvo, disse, eram certos setores do partido.
Outros títulos marcam o mesmo ciclo, cada um com função própria. Contra o Consenso, da Barracuda, em 2005, junta 43 ensaios e resenhas saídos na Bravo! e na Primeira Leitura entre 1998 e 2005, com literatura, cinema e política. Máximas de um País Mínimo, Record, 2009, é uma coletânea curta de frases. O País dos Petralhas II, Record, 2012, traz na capa o subtítulo O inimigo agora é o mesmo, eco do slogan de Tropa de Elite 2. Objeções de um Rottweiler Amoroso, Três Estrelas, 2014, reúne colunas da Folha. No aniversário de oito anos do blog, em 2014, ele escreveu que três livros nascidos dali tinham vendido cerca de 120 mil exemplares. O número é declaração dele, não auditoria de editora.
2014 também fixou o nome numa lista. Alberto Cantalice, então vice-presidente do PT, publicou “A desmoralização dos pitbulls da grande mídia”. Além de Azevedo, o texto citava Danilo Gentili, Lobão, Arnaldo Jabor, Marcelo Madureira, Diogo Mainardi, Guilherme Fiúza e Demétrio Magnoli. O Globo tratou o episódio como a lista do PT.
Jovem Pan, RedeTV! e O É da Coisa
Antes da saída de 2017, Azevedo ancorava Os Pingos nos Is na Jovem Pan, no fim da tarde. A demissão coincidiu com o fim do blog na Veja. No mesmo ciclo, a Folha registrou que o STF divulgou, num pacote de grampos da JBS, conversa entre o jornalista e uma fonte. No dia seguinte à rescisão ele estreou Pela Ordem nas plataformas da RedeTV!. Também comentou o telejornal RedeTV! News até 14 de fevereiro de 2019.
O É da Coisa estreou na BandNews FM São Paulo ainda em maio de 2017. O programa repercutiu o material que ficou conhecido como Vaza Jato, circulado pelo The Intercept, pela Folha e pela Veja: mensagens atribuídas a procuradores da Lava Jato e ao então juiz Sérgio Moro. A faixa de rádio virou, para muita gente, o lugar diário onde a voz do blog ganhou horário fixo.
Em março de 2019 o blog foi para o UOL. Em 2021, o jornal O Povo anunciou Vera Magalhães e Reinaldo Azevedo como colunistas do OP+. Em março de 2023, com o advogado Walfrido Warde, estreou o podcast Reconversa, produzido com patrocínio do YouTube Brasil. O primeiro episódio trouxe Marina Silva. O canal Reinaldo Azevedo no YouTube passou a guardar essas entrevistas.
Em 28 de agosto de 2025 ele recebeu o Prêmio Personalidade da Comunicação, da Mega Brasil, como apresentador de O É da Coisa. Em 3 de setembro do mesmo ano anunciou afastamento do programa por um problema na voz. Em 2026 a faixa voltou ao ar com ele na BandNews FM. Em paralelo, o Metrópoles anunciou a contratação em fevereiro, com estreia em 2 de março: coluna no site e programa diário no canal da casa, de segunda a sexta.
O que o leitor encontra agora
Azevedo se declara católico. Em entrevista a Cristina Camargo, no Instituto Millenium, em 2007, descreveu-se como conservador no sentido americano ou europeu. O arquivo de colunas mistura política, literatura, economia e religião. Graciliano Ramos, por exemplo, aparece no Contra o Consenso e em texto da Veja. Não é um comentarista só de Brasília, embora seja por Brasília que a maior parte do público o procura.
O mapa de 2026 é concreto. A coluna está no Metrópoles. O É da Coisa segue na BandNews FM. O Reconversa continua no canal dele. No Instagram, o perfil reinaldoazevedo.com.br aponta rádio, TV e o portal. Não há site pessoal ativo no domínio que leva o nome: a página que responde pelo trabalho recente é a coluna.
Para quem quer o trajeto em ordem curta:
- 1961: nascimento em Dois Córregos, São Paulo.
- 1980–1981: filiação ao PT, depois da militância jovem na Libelu.
- 1991–1993: redator-chefe do Diário do Grande ABC.
- 2005: Contra o Consenso, pela Barracuda.
- 2006–2017: blog na Veja; 2008: O País dos Petralhas, pela Record.
- 2017: saída da Jovem Pan e da Veja; estreia de O É da Coisa na BandNews FM.
- 2023: Reconversa, com Walfrido Warde, e entrevista com Lula no Planalto.
- 2026: coluna e programa diário no Metrópoles, com a rádio mantida.
A página que explica Reinaldo Azevedo não é a de um autor de prateleira. Os livros registram fases. O que sustenta a busca é a voz diária: redação, rádio e o hábito de transformar a briga do dia em texto assinado. Quem quiser o argumento de 2008 em volume, o caminho é o livro. Quem quiser o comentarista de agora, o caminho é a coluna e o horário da BandNews.




