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Onde está tudo aquilo agora?

Livro
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Memória política de Fernando Gabeira sobre cinco décadas de vida pública, da luta armada aos quatro mandatos na Câmara.

Onde está tudo aquilo agora? é o livro em que Fernando Gabeira relê a própria vida pública como quem procura um objeto perdido e desconfia de tê-lo idealizado. Publicado em 2012 pela Companhia das Letras, com o subtítulo Minha vida na política, o volume parte de um “difuso desejo de liberdade” na juventude de Juiz de Fora e atravessa o jornalismo no Rio e em Belo Horizonte, o golpe de 1964, o sequestro de Charles Burke Elbrick, o cárcere, o exílio, a anistia e os dezesseis anos de mandato federal. Se O que é isso, companheiro? era o choque do retorno, este é o balanço de quem já foi deputado, candidato a prefeito e a governador e ainda não se convenceu de que a política partidária tenha resolvido a pergunta antiga.

Gabeira recusa ficar preso a um único papel — revolucionário, ecologista, deputado, ativista — e usa essa recusa como estrutura. Cada fase entra para ser examinada, não para ser encerrada com moral da história. O leitor acompanha a radicalização do jornalista, o treino em Cuba, a descrença na luta armada, a aposta verde, a aliança “verde-vermelha” com o PT e o desencanto que o tirou do partido em 2003.

O que muda em relação ao clássico de 1979

O primeiro livro cobria o sequestro, a prisão e o começo do exílio. Onde está tudo aquilo agora? reabre esse bloco com outra idade e outra informação: o militante que escreve já passou pelo Congresso, viu o fisiologismo de perto, admitiu erros de campanha e olha o cativeiro de Elbrick sem a urgência de 1979. Há páginas sobre o dia a dia da prisão do embaixador, sobre o exílio e sobre o treino guerrilheiro em Cuba, agora filtradas pela descrença posterior na via armada.

A segunda metade é institucional. Gabeira descreve o projeto de uma política verde no Brasil, os quatro mandatos, as CPIs — inclusive o trabalho como sub-relator na CPI das Sanguessugas — e as campanhas de 2008 e 2010 no Rio. O rompimento com o PT e a percepção interna do mensalão entram como capítulos de aprendizado, não como acerto de contas eleitoral. O livro transforma a atividade parlamentar em matéria para entender democracia, liberdade e poder, no mesmo tom de indagação que o título anuncia.

Para quem vale a leitura

A memória serve a quem quer a biografia política completa sem passar por dez volumes. Serve a leitores de jornalismo político que desconfiam tanto da hagiografia de esquerda quanto do libelo de direita. E serve a quem chegou a Gabeira pela GloboNews e precisa do mapa anterior: como o comentarista de agora foi o guerrilheiro, o verde e o deputado mais votado do Rio em 2006.

O texto é curto — cerca de 200 páginas — e corre na primeira pessoa, com a clareza que o autor cultiva desde o primeiro livro. Não há jargão de gabinete. Há cenas, nomes, derrotas e a insistência em não transformar a própria vida em destino. Quem busca um manual de como “fazer política no Brasil” não o encontrará; quem busca um testemunho de alguém que tentou vários caminhos e mediu o preço de cada um, sim.

  • Percurso de cinco décadas, da infância em Juiz de Fora ao fim dos mandatos
  • Releitura do sequestro de Elbrick e do exílio com distância crítica
  • Bastidores do Partido Verde, da Câmara e das campanhas do Rio
  • Publicado pela Companhia das Letras em 2012, em português
  • Ponte natural entre o clássico de 1979 e o caderno de 2017

O lugar do livro na obra

Entre o Jabuti de 1980 e Democracia tropical, este volume é o eixo. Organiza a biografia para o leitor que não acompanhou cada eleição. Mostra por que Gabeira saiu da luta armada rumo à ecologia e por que a ecologia, sozinha, não bastou quando o Congresso revelou seu modo de funcionar. A pergunta do título — onde está tudo aquilo agora? — não é nostalgia. É inventário: o que restou da revolução, do verde, do mandato, da cidade que ele quase governou.

Quem lê em sequência percebe o método. O primeiro livro pergunta o que foi a militância. Este pergunta o que a vida inteira fez com aquela militância. O caderno de 2017 pergunta o que a democracia fez com as instituições que vieram depois. Nenhum dos três oferece consolo. Os três oferecem um narrador que prefere a dúvida sustentada à frase de encerramento.

Limites

O livro para em 2012. Não cobre a consolidação na GloboNews nem o impeachment de 2016, temas de Democracia tropical. Também não é reportagem investigativa sobre terceiros: o centro é a experiência do autor. Como memória política, vale pelo ponto de vista e pela honestidade sobre derrotas. Como história do Brasil, precisa de companhia.

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O que é isso, companheiro?
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Memória de Fernando Gabeira sobre a luta armada, o sequestro de Charles Burke Elbrick e o exílio, clássico da literatura política brasileira.
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