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Foto de perfil de Fernando Gabeira

Fernando Gabeira

Nascimento: 1941 Rio de Janeiro/RJ
Jornalista, escritor e ex-deputado federal pelo Rio de Janeiro, autor de O que é isso, companheiro? e voz histórica da política verde no Brasil.

Fernando Gabeira voltou do exílio em 1979 com um livro que virava a pergunta contra a própria geração. O que é isso, companheiro? recontava o sequestro do embaixador americano Charles Burke Elbrick sem transformar a luta armada em lenda: era memória, acerto de contas e crônica de um fracasso que o autor se recusou a enfeitar. No ano seguinte, a obra ganhou o Prêmio Jabuti de memórias. Em 1997, Bruno Barreto a levou ao cinema, e o filme foi indicado ao Oscar de melhor filme estrangeiro.

Quem procura o nome hoje raramente quer só o militante do MR-8. Quer o redator do Jornal do Brasil, o fundador do Partido Verde, o deputado federal pelo Rio de Janeiro em quatro mandatos, o candidato que perdeu a prefeitura carioca por menos de dois pontos e o comentarista da GloboNews que ainda atravessa o país a pé. Fernando Paulo Nagle Gabeira nasceu em Juiz de Fora, Minas Gerais, em 17 de fevereiro de 1941, e fez do Rio o palco público da carreira.

Da redação do Jornal do Brasil à luta armada

Filho do comerciante Paulo Gabeira e da professora Isabel Nagle, descendente de imigrantes libaneses, Gabeira começou cedo no jornalismo de Juiz de Fora, ainda no secundário. Passou por Belo Horizonte — Última Hora e Correio de Minas — e, em 1963, pediu emprego no Jornal do Brasil. Foi contratado, enviado à Inglaterra para estudar o modelo de redação britânico e voltou a um país que, em abril de 1964, já não era o mesmo.

A ditadura empurrou o repórter para a clandestinidade. No MR-8, participou do sequestro de Elbrick, em setembro de 1969, ação conjunta com a ALN que libertou quinze presos políticos. O próprio Gabeira, décadas depois, relativizou o papel que o cinema lhe atribuiu: não comandou a captura nem esteve no centro da operação armada; atuou sobretudo na divulgação do manifesto. A nuance importa porque o livro que o tornou famoso é, antes de tudo, um relato de quem esteve dentro e depois se recusou a virar herói.

Em 1970, tentou fugir de um cerco em São Paulo e levou um tiro nas costas, que perfurou rim, estômago e fígado. Foi preso, operado e, em junho daquele ano, trocado com outros 39 presos pelo embaixador alemão Ehrenfried von Holleben. O grupo saiu banido para a Argélia. Seguiram-se Chile — onde viu de perto o golpe contra Salvador Allende —, Suécia e Itália. Na Universidade de Estocolmo formou-se em antropologia e, para viver, foi repórter e condutor de metrô.

O livro que reabriu a biografia pública

A anistia de 1979 o trouxe de volta. O que é isso, companheiro?, lançado naquele mesmo ano pela Codecri, vendeu mais de 250 mil exemplares ao longo de dezenas de reedições e virou o documento literário mais lido sobre aquele pedaço da luta armada. A vitalidade do texto está na recusa da pose: Gabeira descreve o cativeiro, o medo, a improvisação e as contradições de uma geração que, segundo ele próprio admitiu em campanha, não lutava pela democracia, e sim pela ditadura do proletariado.

Vieram em seguida O crepúsculo do macho (1980) e Entradas e bandeiras (1981), em que registra o abandono do marxismo e a virada para ecologia, prazer e liberdade sexual. A foto de 1980 na praia de Ipanema, de sunga de crochê, entrou para o folclore da anistia; ele revelou depois que o tecido era o fundo do biquíni da prima, a jornalista Leda Nagle. O retrato ajuda a entender o personagem público, mas não substitui o trabalho de escritor nem a carreira política que se seguiu.

  • 1979: retorno do exílio e lançamento de O que é isso, companheiro?
  • 1980: Prêmio Jabuti na categoria biografia e memórias
  • 1986: um dos fundadores do Partido Verde no Brasil
  • 1995–2011: quatro mandatos consecutivos na Câmara pelo Rio de Janeiro
  • 2008: segundo turno da prefeitura do Rio, 49,17% dos votos válidos
  • 2013 em diante: programa próprio na GloboNews e colunas em jornal

Partido Verde, Câmara e a disputa pelo Rio

Em 1986 concorreu ao governo do Rio pelo PT e perdeu para Moreira Franco. No mesmo ano ajudou a fundar o Partido Verde, no qual se tornou a face mais reconhecível das pautas que o sistema tratava como tabu: descriminalização da maconha, casamento entre pessoas do mesmo sexo, profissionalização da prostituição e meio ambiente. Em 1989 foi candidato à Presidência pelo PV e obteve 0,18% dos votos. A eleição não mediu o que veio depois no Legislativo.

Eleito deputado federal em 1994, reeleito em 1998, 2002 e 2006, Gabeira passou dezesseis anos em Brasília. Foi o deputado mais votado do Rio em 2006, com 293.057 votos. Em 2003 deixou o PT, já no início do governo Lula, dizendo que a geração não podia se contentar em apenas estar no governo e que o sonho que tivera se revelara o sonho errado. Voltou ao PV, integrou a CPI das Sanguessugas como sub-relator e, em 2008, chegou ao segundo turno da prefeitura do Rio em aliança com PSDB e PPS. Perdeu para Eduardo Paes por 1,66 ponto percentual: 1.640.970 votos, 49,17% dos válidos.

Em 2009 admitiu uso indevido da cota parlamentar de passagens aéreas, episódio que ele próprio tratou como risco de morte política. Em 2010 tentou o governo do Estado, ficou em segundo lugar com 20,68% e perdeu para Sérgio Cabral Filho. Na campanha presidencial daquele ano, o PV lançou Marina Silva; Gabeira chegou a participar com ela do jogo online Um Mundo e, no segundo turno, declarou apoio a José Serra. Encerrada a sequência eleitoral, saiu da disputa por cargo e voltou ao ofício que o formou.

O jornalista depois do mandato

Entre 2010 e 2013 passou pela Band. Em 8 de setembro de 2013 estreou na GloboNews o programa que leva seu nome, aberto com a pauta da falta de médicos no Brasil. Seguiu como colunista de O Globo e comentarista do canal, com reportagens longas que misturam deslocamento, conversa e observação de rua. Em 2025, a série Pelas Feiras do Brasil o mostrou de novo na estrada, desta vez entre bancas, temperos e modos de viver que a política institucional costuma ignorar.

A obra em livro acompanhou essa virada. Onde está tudo aquilo agora? (2012, Companhia das Letras) relê cinco décadas de vida pública, do cativeiro ao Congresso. Democracia tropical: Caderno de um aprendiz (2017, Estação Brasil) cruza anotações pessoais com os artigos sobre o impeachment de Dilma Rousseff e o derretimento de 2016. Quem chega pelos livros encontra um ensaísta político; quem chega pela TV encontra o mesmo olhar, só que em movimento.

Família, origem e o que é público

Gabeira é primo de Leda Nagle. No exílio casou-se com a militante Vera Sílvia Magalhães. De volta ao Brasil, viveu dezesseis anos com a estilista Yamê Reis, com quem teve as filhas Tami, psicóloga, e Maya Gabeira, surfista de ondas gigantes com recorde mundial. Divorciaram-se em 1999. É casado com a empresária Neila Tavares. Esses dados circulam em biografias públicas; o restante da vida privada não cabe aqui.

Como acompanhar Gabeira hoje

O site gabeira.com.br reúne biografia, blog e arquivos de TV e rádio. No Instagram, o perfil @gabeiraoficial publica textos e recortes de opinião. Há canal no YouTube ligado ao mesmo domínio e um podcast no Spotify. Na política brasileira contemporânea, ele ocupa um lugar pouco cômodo: veio da esquerda armada, fundou o ambientalismo partidário, rompeu com o PT, quase governou o Rio com apoio tucano e hoje comenta o país sem dever fidelidade a uma tribo. Essa recusa a ficar parado é, de tão repetida, o próprio método.

Perguntas frequentes

Quem é Fernando Gabeira?

Jornalista, escritor e político brasileiro nascido em Juiz de Fora em 1941. Foi militante do MR-8, viveu no exílio na década de 1970, elegeu-se deputado federal pelo Rio de Janeiro por quatro mandatos e é um dos fundadores do Partido Verde.

Qual é o livro mais conhecido de Fernando Gabeira?

O que é isso, companheiro?, de 1979, relato da luta armada e do sequestro de Charles Burke Elbrick. Ganhou o Jabuti de memórias em 1980 e foi adaptado por Bruno Barreto em 1997.

Fernando Gabeira ainda é deputado?

Não. Os mandatos na Câmara foram de 1995 a 2011. Depois disso voltou ao jornalismo, com passagem pela Band e, desde 2013, pela GloboNews, além de colunas em jornal.

Onde acompanhar o trabalho atual?

No site oficial, no Instagram @gabeiraoficial, no programa da GloboNews e nos livros ainda em circulação, em especial O que é isso, companheiro?, Onde está tudo aquilo agora? e Democracia tropical.

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Projetos de Fernando Gabeira

O que é isso, companheiro?
O que é isso, companheiro?
Memória de Fernando Gabeira sobre a luta armada, o sequestro de Charles Burke Elbrick e o exílio, clássico da literatura política brasileira.
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Onde está tudo aquilo agora?
Onde está tudo aquilo agora?
Memória política de Fernando Gabeira sobre cinco décadas de vida pública, da luta armada aos quatro mandatos na Câmara.
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