Contexto e proposta de Os que Bebem como os Cães
Os que Bebem como os Cães foi publicado em 1975 e marcou a virada de Assis Brasil para um território sombrio. Se a Tetralogia Piauiense olhava para a vida ribeirinha com lente social, este romance leva ao primeiro plano a violência, a doença e a desagregação das relações humanas. O livro rendeu ao autor o segundo prêmio Walmap e abriu o que ele denominou Ciclo do Terror.
O ciclo ganhou corpo nos anos seguintes, com O Aprendizado da Morte (1976), Deus, o Sol, Shakespeare (1978) e Os Crocodilos (1980). Em 1984, os quatro romances foram reunidos na edição Ciclo de Terror, que permite ler o projeto como um todo, na sequência em que foi concebido.
A edição da Ediouro, que circulou por mais tempo, traz apresentação do escritor José Cândido de Carvalho, autor de O Coronel e o Lobisomem, e estampa na capa os dois prêmios recebidos pelo romance em 1975: o Walmap e o Joaquim Manuel de Macedo. É essa edição que costuma aparecer nos sebos e a que serve de porta de entrada para o ciclo.
Por que ler Os que Bebem como os Cães
Quem conhece apenas o Assis Brasil regional encontra aqui um autor diferente, mais duro e experimental. O romance dialoga com a tradição do grotesco e com a ficção de terror, mas sem abandonar o chão realista que sustenta toda a obra do escritor. Para leitores interessados na literatura brasileira produzida durante a ditadura militar, o livro é uma peça-chave: mostra como a violência do período podia ser elaborada pela ficção sem discurso panfletário.
O título abre, ainda, uma trilha pouco explorada por leitores de hoje — a do horror feito no Brasil, com assinatura de um autor premiado e mais de cem obras no currículo. Os exemplares disponíveis são usados, vindos de coleções e bibliotecas particulares.





