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Francisco de Assis Almeida Brasil

Assis Brasil

Nascimento: 1929 Parnaíba, Piauí
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Escritor piauiense com mais de cem obras, crítico literário, membro da Academia Piauiense de Letras e vencedor do Prêmio Machado de Assis de 2004.

Em 1965, o romance Beira Rio, Beira Vida levou a vida ribeirinha do rio Parnaíba para o centro da ficção brasileira e deu a Francisco de Assis Almeida Brasil o primeiro dos dois prêmios Walmap que ele receberia na carreira. O livro abriu caminho para uma obra de mais de cem títulos — romances, contos, ensaios, antologias, dicionários e literatura infantojuvenil — e para quase três décadas de crítica literária nos principais jornais e revistas do país.

Conhecido como Assis Brasil, ele foi romancista, contista, ensaísta, dicionarista e jornalista. Ocupou a cadeira 36 da Academia Piauiense de Letras e, em 2004, recebeu o Prêmio Machado de Assis, concedido pela Academia Brasileira de Letras ao conjunto da obra de um escritor. Morreu em Teresina, em 28 de novembro de 2021.

Quem foi Assis Brasil

Nascido em Parnaíba, no litoral do Piauí, em 1929, mudou-se para Fortaleza em 1943, onde concluiu os estudos. O primeiro texto literário, O poste e a palmeira, foi escrito aos quinze anos e tinha como base um conto de Machado de Assis. O primeiro livro publicado foi Verdes mares bravios, história de aventura para jovens que já anunciava o narrador prolífico das décadas seguintes.

A crítica costuma dividir sua ficção em duas vertentes: uma mais ligada à tradição do romance regional, outra disposta a experimentar formas e linguagens novas. As duas convivem em uma produção que atravessou seis décadas e passou pelo romance social, pelo romance histórico, pelo conto e pela literatura infantojuvenil. Assinava também com os pseudônimos Castro Musél e Teresa Trota.

A crítica literária na imprensa brasileira

Entre as décadas de 1950 e 1980, Assis Brasil foi uma presença constante nas páginas de cultura da imprensa nacional. Escreveu sobre ficção, poesia e ensaio em jornais e revistas de circulação nacional, atividade que sustentou boa parte de sua vida de escritor e o colocou em contato direto com os principais nomes da literatura brasileira do período.

  • Crítico literário do Jornal do Brasil entre 1956 e 1961 e colunista do Caderno B do mesmo jornal entre 1963 e 1964;
  • Crítico literário do Diário de Notícias, no Rio de Janeiro, entre 1962 e 1963, e colaborador do Correio da Manhã e de seu suplemento literário;
  • Crítico de O Globo entre 1969 e 1970 e colunista literário da revista O Cruzeiro entre 1965 e 1976;
  • Colaborador do Jornal de Letras entre 1964 e 1989 e de publicações como Senhor, Revista do Livro, Leitura e o suplemento literário de O Estado de São Paulo.

Da crítica nasceram também os livros de ensaio. Publicou estudos sobre Graciliano Ramos, Guimarães Rosa, Clarice Lispector e Carlos Drummond de Andrade, além de obras sobre a técnica do romance moderno, de Faulkner a James Joyce.

A Tetralogia Piauiense e o retrato do rio

O reconhecimento nacional chegou com Beira Rio, Beira Vida (1965), primeiro volume do conjunto que a crítica chamaria depois de Tetralogia Piauiense. Os quatro romances foram escritos em cinco anos: Beira Rio, Beira Vida (1965), A Filha do Meio Quilo (1966), O Salto do Cavalo Cobridor (1968) e Pacamão (1969). Ambientados no Piauí, formam um painel da vida interiorana em transformação. Em 1979, os quatro títulos foram reunidos em um único volume pela editora Nórdica, formato em que circularam por mais tempo.

Pelo primeiro volume, o autor recebeu o prêmio Walmap de 1965. Em 1998, o Jornal de Letras, do Rio de Janeiro, incluiu Beira Rio, Beira Vida entre os cem melhores romances já publicados no Brasil.

Os que Bebem como os Cães e o Ciclo do Terror

Em 1975, Os que Bebem como os Cães rendeu a Assis Brasil o segundo prêmio Walmap e deu início ao chamado Ciclo do Terror, no qual o autor deslocou sua ficção para um território de violência e desagregação. Completam o ciclo O Aprendizado da Morte (1976), Deus, o Sol, Shakespeare (1978) e Os Crocodilos (1980), reunidos depois na edição Ciclo de Terror (1984). Na edição da Ediouro, Os que Bebem como os Cães traz apresentação do escritor José Cândido de Carvalho e os selos dos prêmios Walmap e Joaquim Manuel de Macedo de 1975.

Romances históricos e a série Gavião Vaqueiro

A partir dos anos 1980, Assis Brasil passou a investir em dois filões que o acompanhariam até o fim da vida. No romance histórico, revisitou episódios da formação do Brasil: Nassau, Sangue e Amor nos Trópicos (1990), Villegagnon, Paixão e Guerra na Guanabara (1991), Jovita, Missão Trágica no Paraguai (1992), Tiradentes, Poder Oculto o Livrou da Forca (1993), Paraguaçu e Caramuru (1995) e Bandeirantes, os Comandos da Morte (1999).

Para crianças e jovens, criou a série Aventuras de Gavião Vaqueiro, iniciada em 1980 com Um Preço pela Vida, O Primeiro Amor e O Velho Feiticeiro. Dezenas de volumes se seguiram, publicados por editoras como Melhoramentos, Círculo do Livro, Scipione, Saraiva e Moderna.

Prêmios, academia e reconhecimento

Em 2004, a Academia Brasileira de Letras concedeu a Assis Brasil o Prêmio Machado de Assis, o principal prêmio literário brasileiro, destinado ao conjunto da obra. Ele também ocupou a cadeira 36 da Academia Piauiense de Letras e recebeu, em 2012, o título de doutor honoris causa pela Universidade Federal do Piauí. Estudiosos costumam associá-lo à chamada Geração de 45 e às correntes que renovaram a literatura piauiense no século XX.

Mesmo idoso, seguia escrevendo. Em entrevista publicada em julho de 2021, afirmou que continuava ativo e produzindo novos livros. A morte veio em 28 de novembro daquele ano, em Teresina. Segundo a Academia Piauiense de Letras, ele deixou 106 obras publicadas.

Assis Brasil para o leitor de hoje

A obra de Assis Brasil circula hoje principalmente em sebos, bibliotecas e coleções particulares. Para quem quer começar, a Tetralogia Piauiense e o Ciclo do Terror formam as duas portas de entrada mais evidentes na ficção adulta; Dicionário Prático de Literatura Brasileira e a série Gavião Vaqueiro mostram outras duas faces do autor, a de estudioso da literatura e a de escritor para jovens. Ler Assis Brasil é também acompanhar, pelos personagens do rio Parnaíba e das cidades brasileiras, um país que mudou muito entre 1950 e 2020.

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Tetralogia Piauiense
Tetralogia Piauiense
Conjunto de quatro romances ambientados no Piauí, publicado entre 1965 e 1969, que rendeu a Assis Brasil o prêmio Walmap e o reconhecimento nacional.
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Os que Bebem como os Cães
Os que Bebem como os Cães
Romance de 1975 premiado com o segundo Walmap do autor, que abriu o Ciclo do Terror e mostrou um Assis Brasil mais sombrio e experimental.
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Aventuras de Gavião Vaqueiro
Aventuras de Gavião Vaqueiro
Série infantojuvenil iniciada em 1980, com dezenas de volumes de aventura estrelados pelo vaqueiro Gavião e publicada por grandes editoras do gênero.
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