Contexto e proposta de Poemas completos
Poemas completos junta, num só volume, a poesia que Néstor Perlongher publicou entre 1980 e 1992. Não é um livro escrito no fim da vida. É a reunião póstuma dos seis volumes que ele viu impressos: Austria-Hungría, Alambres, Hule, Parque Lezama, Aguas aéreas e El chorreo de las iluminaciones.
A primeira compilação saiu em 1997, pela Seix Barral, cinco anos depois da morte em São Paulo. Roberto Echavarren cuidou da edição e do prólogo. Reynaldo Jiménez escreveu uma nota e Tamara Kamenszain, o epílogo. Os três conheciam o autor. O volume serve para quem quer ler a sequência inteira sem caçar edições da Último Reino, da Sudamericana e da Pequeña Venecia, hoje difíceis de achar juntas.
A diferença entre os livros originais continua visível dentro da compilação. Austria-Hungría, de 1980, é o único publicado enquanto Perlongher ainda vivia em Buenos Aires. Alambres, de 1987, traz o Prêmio Boris Vian e o poema Cadáveres. Aguas aéreas, de 1990, corresponde aos anos em que ele se aproximou do Santo Daime. El chorreo de las iluminaciones, de 1992, é o último livro saído em vida, impresso em Caracas.
Há uma edição posterior, também com prólogo de Echavarren, que mantém o miolo de poemas e circula em brochura. A capa dessa edição, da La Flauta Mágica, não é a jaqueta da Seix Barral de 1997. Os poemas são os mesmos. O endereço de compra aponta para o exemplar que ainda se encontra à venda, não para o volume de sebo.
Quem procura um único poema pode se frustrar: o livro não isola Cadáveres nem transforma o neobarroso em antologia escolar. O procedimento que Perlongher batizou de neobarroso, barroco embolado no barro do Rio da Prata, atravessa o conjunto. Ler o volume inteiro mostra a passagem da militância dos anos 1970 para a escrita feita no Brasil, sem separar o verso da vida pública que o produziu.


