Contexto e proposta de Poesia mundi: novos poemas reunidos
Poesia mundi: novos poemas reunidos é o volume em que Marco Lucchesi reúne e revê a obra poética de décadas, com três livros inéditos no mesmo tomo. Publicado pela Record em 2025, o livro não é uma antologia de sucessos: é o conjunto revisado, de Bizâncio a Microcosmo, passando por Sphera, Clio, Hinos matemáticos, Mal de amor e Maví, mais Quartetos, Mar Mussa e Al-Maʿarrī: Vestígios.
Para o leitor que conhece Lucchesi só pelos romances ou pelo cargo na Biblioteca Nacional, este é o mapa da voz mais antiga. A poesia dele dialoga com Drummond, Ferreira Gullar e Haroldo de Campos sem virar escola. Há erudição, memorialismo e trânsito entre línguas; há também forma breve, matemática, mística e a tensão entre solidão e amor. Clio e Sphera já tinham circulado com prêmios; aqui entram no mesmo corpo, revisadas.
O volume interessa a quem quer um único livro de poesia em vez de caçar edições esgotadas. Quatrocentas e quarenta páginas pedem leitura por ciclos, não de um fôlego só. Cada livro interno tem clima próprio: o Bizâncio de juventude não é o haicai de Microcosmo, e os inéditos não repetem o já premiado. A Record assina a edição comercial mais ampla dessa poesia no Brasil.
Não é um manual de introdução à poesia brasileira contemporânea. É o arquivo de um poeta que trata idioma como matéria experimental e, ao mesmo tempo, como memória familiar. Quem busca verso fácil de recado vai se chocar com a densidade. Quem busca uma voz capaz de ir da Toscana da infância à matemática e ao árabe encontra o livro certo.
Se a trilogia do Rio explica Lucchesi romancista, Poesia mundi explica Lucchesi poeta. Os dois caminhos se cruzam no mesmo autor, mas não se substituem. Para montar uma estante mínima, este volume e um dos romances bastam para ver as duas frentes.




