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Marco Lucchesi

Nascimento: 1963 Niterói, RJ
Poeta, romancista e tradutor, Marco Lucchesi ocupa a cadeira 15 da ABL, presidiu a Casa entre 2018 e 2021 e dirige a Fundação Biblioteca Nacional.

Antes de virar nome de biblioteca escolar e presidente da Fundação Biblioteca Nacional, Marco Lucchesi era o menino de Copacabana que ouvia em casa os versos da Divina Commedia e do Orlando Furioso. Filho de Elena Dati e Egidio Lucchesi, italianos da Toscana, ele cresceu entre o italiano e o português e nunca tratou essa herança como enfeite: virou ouvido de tradutor, vocabulário de poeta e um jeito de ler o Brasil sem cortar o mundo.

Quem busca o nome hoje encontra um poeta, romancista, ensaísta e professor titular de Literatura Comparada na Universidade Federal do Rio de Janeiro. Encontra também o sétimo ocupante da cadeira 15 da Academia Brasileira de Letras, que presidiu a Casa entre 2018 e 2021 e, desde 2023, dirige a Fundação Biblioteca Nacional. O ponto de interesse não é a lista de cargos. É entender como a obra, a sala de aula e a instituição pública se cruzam na mesma pessoa.

Quem é Marco Lucchesi

Marco Americo Lucchesi nasceu em 9 de dezembro de 1963, no Rio de Janeiro. Aos oito anos passou a viver em Niterói, estudou no Colégio Salesiano Santa Rosa, fez piano com Carmela Musmano e canto com Domenico Silvestro até os vinte. A formação musical não virou carreira, mas deixou marca na dicção: muita da sua poesia e da sua prosa pedem ouvido, não só olho.

Graduou-se em História pela Universidade Federal Fluminense, fez mestrado e doutorado em Ciência da Literatura na UFRJ e o pós-doutorado em Filosofia da Renascença no Petrarca Institut da Universidade de Colônia, na Alemanha. É professor da Faculdade de Letras da UFRJ desde 1989 e pesquisador do CNPq. A carreira acadêmica não substitui a literária: as duas se alimentam, e isso explica por que o mesmo autor traduz Umberto Eco, escreve haicai, discute matemática em verso e organiza exposições na Biblioteca Nacional.

Na adolescência já publicava. Ainda jovem teve diálogos que a própria Academia Brasileira de Letras registra como decisivos: Antonio Carlos Villaça, Nise da Silveira e Carlos Drummond de Andrade. Mais tarde vieram encontros com Nagib Mahfuz, Umberto Eco e Mario Luzi. Não é coleção de nomes para impressionar. É o mapa de uma leitura que nunca se contentou com um único idioma nem com um único gênero.

Poesia, tradução e o trânsito entre línguas

O público costuma chegar a Lucchesi por um de três caminhos: a poesia, os romances da trilogia do Rio de Janeiro ou o cargo institucional. A poesia veio primeiro. Livros como Bizâncio, Sphera, Meridiano celeste & bestiário e Clio construíram uma voz erudita sem virar pastiche. Clio ficou marcada pelo Prêmio Jabuti de poesia. O conjunto mais recente, Poesia mundi: novos poemas reunidos, publicado pela Record em 2025, revisa essa trajetória e inclui livros inéditos.

Como tradutor, vertou para o português autores que não cabem num único nicho: Umberto Eco, com Baudolino e A ilha do dia anterior, Giambattista Vico, Primo Levi, Rûmî, Hölderlin, Khliebnikov, Trakl, Juan de la Cruz e Angelus Silesius. O Prêmio Jabuti de tradução, em 2001, reconheceu o trabalho com Rûmî. O Ministério dos Bens Culturais da Itália também o premiou. Quem lê a tradução encontra o mesmo problema que a poesia coloca: como passar de uma língua a outra sem achatar o pensamento.

Lucchesi transita por mais de vinte idiomas e chegou a inventar uma língua artificial, o laputar, gesto lúdico que diz mais sobre método do que sobre mania. Seus livros foram traduzidos para árabe, romeno, italiano, inglês, francês, alemão, espanhol, persa, russo, turco, polonês, hindi, sueco, húngaro, urdu, bangla, latim, japonês, chinês e guarani. Há colóquios internacionais dedicados à obra, realizados em Roma, Lisboa, São Paulo e Bogotá.

ABL, UFRJ e a Fundação Biblioteca Nacional

Eleito em 3 de março de 2011 para a cadeira 15 da ABL, na sucessão de Fernando Bastos de Ávila, Lucchesi tomou posse em 20 de maio daquele ano. Em dezembro de 2017 foi eleito o presidente mais jovem da Casa nos setenta anos anteriores e exerceu o mandato de 2018 a 2021. A passagem pela presidência coincidiu com uma obra já consolidada, não com um começo de carreira.

A Biblioteca Nacional entra na biografia duas vezes. Entre 2006 e 2011, na Coordenação Geral de Pesquisa e Editoração, foi responsável por catálogos, fac-símiles e curadorias, inclusive as exposições sobre Machado de Assis e Euclides da Cunha e a mostra dos 200 anos da instituição. Em janeiro de 2023, indicado pela ministra da Cultura Margareth Menezes, assumiu a presidência da Fundação Biblioteca Nacional, cargo que a ficha da ABL ainda registra como atual.

Há também a frente menos visível: projetos de leitura em comunidades e prisões do Rio de Janeiro, convite do Conselho Nacional de Justiça para o plano de fomento à leitura em ambientes de privação de liberdade, e bibliotecas escolares que passaram a levar o seu nome. Não é um detalhe sentimental. Explica por que a figura pública não se esgota no imortal de fardão nem no professor de pós-graduação.

  • Professor titular de Literatura Comparada na UFRJ desde 1989.
  • Imortal da ABL desde 2011 e presidente da Casa de 2018 a 2021.
  • Presidente da Fundação Biblioteca Nacional desde 2023.
  • Tradutor premiado e poeta com circulação internacional.
  • Autor da trilogia do Rio de Janeiro: O Dom do Crime, O bibliotecário do imperador e Adeus, Pirandello.

Quais livros o leitor encontra primeiro

Na prosa, o caminho mais claro é a trilogia carioca. O Dom do Crime, de 2010, põe um narrador do século XIX diante de um crime passional e da sombra de Dom Casmurro. O bibliotecário do imperador, de 2013, segue Ignácio Augusto Cesar Raposo, bibliotecário de dom Pedro II, no Rio da Proclamação da República. Adeus, Pirandello, escrito durante a pandemia e publicado em 2021, desloca a cena para o Rio dos anos 1920, quando Luigi Pirandello esteve na cidade com Martha Abba. Os três livros conversam com a história sem virar reconstituição de época para turista.

Na poesia, além de Clio e de Poesia mundi, há volumes como Hinos matemáticos, Mal de amor e Maví, que mostram o diálogo com ciência, mística e forma breve. Nos ensaios, Carteiro imaterial e Nove cartas sobre a Divina Comédia deixam explícita a conversa com Dante. Nada disso precisa ser lido como degrau de carreira. Cada gênero resolve um problema diferente: a poesia condensa; o romance encena arquivo e cidade; o ensaio pensa a leitura.

Quem chega pela instituição e quer a obra, ou chega pela obra e quer o cargo, encontra a mesma tensão: um autor que trata biblioteca, idioma e cidade como matéria viva. Na literatura brasileira contemporânea, o perfil de Lucchesi mistura poeta, tradutor e gestor cultural sem reduzir um papel ao outro.

Perguntas frequentes sobre Marco Lucchesi

Marco Lucchesi ainda preside a Biblioteca Nacional?

Sim. Indicado em janeiro de 2023 e empossado em maio, ele permanece na presidência da Fundação Biblioteca Nacional, segundo a biografia institucional da Academia Brasileira de Letras.

Qual é a trilogia do Rio de Janeiro?

São os romances O Dom do Crime (2010), O bibliotecário do imperador (2013) e Adeus, Pirandello (2021), que percorrem o Rio do século XIX ao início do século XX sem repetir o mesmo enredo.

Marco Lucchesi é só poeta?

Não. A poesia é o centro mais antigo da obra, mas ele também publica romance, ensaio, memória e tradução, além de lecionar Literatura Comparada e dirigir instituições culturais.

A leitura mais justa de Marco Lucchesi não escolhe entre o poeta, o professor e o dirigente. Escolhe o ponto em que os três se encontram: uma vocação de leitor que virou livro, cátedra e arquivo público.

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Projetos de Marco Lucchesi

O Dom do Crime
O Dom do Crime
Romance que abre a trilogia do Rio de Janeiro, encostando um crime passional do século XIX na sombra de Dom Casmurro.
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Adeus Pirandello
Adeus Pirandello
Romance que fecha a trilogia do Rio com a visita de Luigi Pirandello à capital em 1927.
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