Put some farofa é o livro em que o humor de Gregório Duvivier ganha corpo de crônica e esquete impresso. Lançado em 2014 pela Companhia das Letras, reúne textos que já anunciavam o estilo satírico depois associado ao Porta dos Fundos e às colunas na imprensa: observação social afiada, oralidade carioca e punchline sem rodeio.
O título, com sotaque de anglicismo brincalhão, avisa o tom. Não há pretensão de tratado; há farofa — no melhor sentido de acompanhamento generoso, de fala que sobra e que, por isso mesmo, revela o prato principal da vida urbana brasileira.
O que o leitor encontra
Put some farofa funciona como porta de entrada para quem conhece Duvivier só dos vídeos. A prosa carrega o timing de ator e roteirista: cenas curtas, personagens-tipo, situações absurdas que parecem plausíveis demais. Ao mesmo tempo, o livro interessa a quem já lê crônica brasileira e quer um autor da geração YouTube com ofício de texto.
- Crônicas e esquetes com humor cotidiano e social
- Linguagem oral sem perder precisão de escrita
- Boa porta de entrada para a obra em prosa do autor
- Contexto de 2014, no auge da consolidação do Porta dos Fundos
Por que ainda circula
Mesmo com o avanço da carreira em TV, streaming e monólogos, Put some farofa permanece referência porque documenta o momento em que o humor digital de Duvivier migrou para o livro sem perder velocidade. É menos “antologia de fama” e mais amostra de método: pegar o detalhe miúdo, esticar até o ridículo e devolver com clareza.
Para estantes de humor brasileiro contemporâneo, combina com outros títulos de crônica e com a trajetória do autor na Companhia das Letras. Quem prefere poesia pode preferir Ligue os pontos ou Sonetos de amor e sacanagem; quem quer a veia cômica em prosa, começa por aqui.
Como ler sem tratar como catálogo
O melhor uso de Put some farofa é leitura em blocos curtos — um texto por vez, como quem assiste a um esquete. A recompensa está no ritmo e na capacidade de reconhecer tipos sociais sem precisar de manual de contexto. Para presente ou reposição de biblioteca, o link de compra aponta para a edição em circulação na Amazon.
Em resumo: é o livro-farofa do Duvivier — leve na aparência, temperado no comentário, e ainda útil para entender de onde veio a voz que depois ocupou palco, HBO e ensaios sobre a língua.




