Em Queria ver você feliz, Adriana Falcão deixa a ficção infantojuvenil de lado e reconstrói a história real de seus pais, Caio e Maria Augusta. A escolha mais incomum do livro está na voz: quem narra é o próprio Amor, personagem que se descreve como perfeccionista e obcecado por detalhes, sem deixar de ser descuidado com as consequências das flechas que dispara.
Publicado pela Editora Intrínseca em 2014, o título é a primeira obra de não ficção da autora e ocupa um lugar distinto na bibliografia dela. Onde os livros infantis trabalham com jogos de linguagem e invenção, aqui o material é memória familiar, organizada com recursos de ficção.
O que o livro conta
A narrativa acompanha a história do casal desde o encontro, passando pelas escolhas que moldaram a família. O Amor aparece como personagem mítico — chamado também de Eros, Kama, Philea ou Ahava — e assume a responsabilidade pelos desvios do caminho. É uma solução literária que permite tratar de afetos concretos sem transformar o livro em relato íntimo fechado.
O resultado interessa a leitores de memória e de não ficção literária, além do público que acompanha a obra da autora e quer entender de onde vem o olhar dela sobre família, perda e recomeço.
Como se relaciona com o restante da obra
O tema do vínculo familiar que muda de forma aparece em outros títulos de Adriana Falcão, como A Gaiola, escrito a partir da experiência da separação. Queria ver você feliz pode ser lido como o outro lado desse movimento: em vez de olhar para o fim de uma relação, olha para o começo das relações que formaram a própria autora.
Para quem conhece apenas a produção infantojuvenil, o livro mostra uma escrita mais contida e adulta, sem abandonar a clareza das frases curtas e a atenção aos detalhes do cotidiano que caracterizam a autora.





