Adriana Falcão publicou A Máquina, seu primeiro romance, em 1999, quatro anos depois de voltar ao Rio de Janeiro para escrever roteiros de televisão e cinema. O livro abriu uma carreira literária que corre em paralelo à sala de roteiristas: ela é reconhecida tanto por Luna Clara & Apolo Onze e Mania de Explicação, na literatura infantojuvenil, quanto por A Grande Família e O Auto da Compadecida, na teledramaturgia.
Nascida no Rio em 12 de fevereiro de 1960, mudou-se para Recife aos 11 anos e formou-se em Arquitetura, profissão que nunca exerceu. Neta do escritor Augusto Gonçalves de Sousa Júnior, voltou ao Rio em 1995 e começou a escrever para televisão e cinema. Seus diálogos passaram a ser usados por atores em peças de teatro.
Formação e começo da trajetória
A passagem por Recife marcou a formação de Adriana Falcão: foi lá que estudou arquitetura e criou raízes afetivas que aparecem em parte de sua obra. O retorno ao Rio, em meados dos anos 1990, mudou o rumo profissional. Sem ter exercido a arquitetura, ela entrou no mercado de roteiros e, em pouco tempo, passou a assinar episódios de séries de televisão.
A escrita entrou pela porta do roteiro, em 1995, e conviveu desde então com a produção literária. O livro infantil, a crônica e o romance adulto passaram a dividir espaço com séries e filmes ao longo das décadas seguintes.
O trabalho como roteirista de televisão e cinema
Na TV Globo, Adriana Falcão integrou equipes de séries que marcaram época. Assinou roteiros de A Comédia da Vida Privada, A Grande Família, Mulher, Mister Brau, A Fórmula e Amor e Sorte, além de ter colaborado em Louco por Elas. Em 1999, participou da minissérie O Auto da Compadecida, adaptada da obra de Ariano Suassuna e transformada em filme no ano seguinte.
No cinema, colaborou em longas como Se Eu Fosse Você e Se Eu Fosse Você 2, A Mulher Invisível, Fica Comigo Esta Noite, Chega de Saudade, O Ano em Que Meus Pais Saíram de Férias e Eu e Meu Guarda-Chuva. Em 2024, assinou o roteiro de O Auto da Compadecida 2 ao lado de Guel Arraes, Jorge Furtado e João Falcão. Também escreveu esquetes para o canal Porta dos Fundos.
Os livros: da literatura infantil às crônicas
O primeiro romance, A Máquina, saiu pela Editora Objetiva em 1999. Em 2001, Mania de Explicação inaugurou uma veia infantil que se firmaria no ano seguinte com Luna Clara & Apolo Onze, história ambientada em Desatino do Norte em que as famílias dos dois personagens-título se cruzam em desencontros sucessivos.
A produção para crianças e jovens conviveu com títulos de humor e crônica, como O Doido da Garrafa e A Comédia dos Anjos, e com a literatura adulta. Em 2013, publicou A Gaiola, livro sobre uma menina e um passarinho que tratava, em linguagem leve, do desapego. No ano seguinte, Queria ver você feliz marcou sua estreia na não ficção: a história real de seus pais, Caio e Maria Augusta, narrada pelo próprio Amor.
- A Máquina (1999) — primeiro romance;
- Mania de Explicação (2001) — dicionário poético das palavras difíceis;
- Luna Clara & Apolo Onze (2002) — infantojuvenil ambientado em Desatino do Norte;
- O Doido da Garrafa (2003) — crônicas de personagens e manias cotidianas;
- A Gaiola (2013) — separação e desapego para crianças e adultos;
- Queria ver você feliz (2014) — não ficção sobre a história de seus pais.
Musicais, cinema e outras adaptações
Parte da obra de Adriana Falcão foi concebida também para outros palcos e telas. Mania de Explicação ganhou versão teatral, publicada em livro como peça em seis atos, um prólogo e um epílogo, e A Gaiola virou musical em cartaz no CCBB em 2016, sob direção de Duda Maia e música de Eduardo Rios. Luna Clara & Apolo Onze teve adaptação para o cinema anunciada com roteiro de Clarice Falcão, filha da autora, e direção de Flávia Lacerda.
Entre as referências que a própria autora cita estão a MPB dos anos 1970 — Chico Buarque, Caetano Veloso, Gilberto Gil — e escritores como Paulo Mendes Campos, cuja crônica de tom leve e preciso aparece como influência declarada em entrevistas. Em 2015, participou do programa ABZ do Ziraldo, da TV Brasil, ao lado de Ziraldo.
Vida pessoal e familiares públicos
Adriana Falcão é mãe de três filhas. Do primeiro casamento, com o professor Tácio de Almeida Maciel, nasceu Tatiana Maciel. Depois, foi casada por cerca de 30 anos com o diretor e roteirista João Falcão, com quem teve Clarice Falcão, cantora, atriz e roteirista, e Maria Isabel. A separação, em 2009, inspirou diretamente o livro A Gaiola.
Perguntas frequentes sobre Adriana Falcão
Adriana Falcão é roteirista ou escritora?
As duas coisas. Ela construiu a carreira literária ao mesmo tempo em que atuava como roteirista de televisão e cinema, e costuma levar para os livros recursos de ritmo e diálogo aprendidos nos roteiros.
Qual foi o primeiro livro de Adriana Falcão?
A Máquina, publicado pela Editora Objetiva em 1999. É um romance adulto, anterior à fase infantojuvenil que a tornou conhecida entre leitores mais jovens.
Por onde começar a ler as obras dela?
Para o público infantil, Mania de Explicação e Luna Clara & Apolo Onze são as portas de entrada mais diretas. Adultos que querem conhecê-la pela crônica podem começar por O Doido da Garrafa; quem prefere memória encontra em Queria ver você feliz a obra mais pessoal.
Onde encontrar
Os títulos infantojuvenis de Adriana Falcão circulam em edições da Salamandra e em versões digitais, e Queria ver você feliz segue no catálogo da Editora Intrínseca. Os itens exatos de cada obra estão reunidos nas páginas de projetos abaixo, com link de compra quando disponível.






