Contexto e proposta de Redescobrindo o Brasil: Um Marinheiro na Terra dos Papagaios
Redescobrindo o Brasil: Um marinheiro na Terra dos Papagaios é um romance histórico de Arkan Simaan publicado pela Editora Insular em 2024. O ponto de partida é uma aventura real e pouco conhecida: a expedição do normando Binot Paulmier de Gonneville, que em 1503 armou o navio L'Espoir em Honfleur para comerciar especiarias e, dez anos depois da primeira viagem de Colombo à América, terminou por desembarcar na costa do atual estado de Santa Catarina.
A narrativa acompanha os dois pilotos portugueses contratados por Gonneville — nenhum normando conhecia então o céu do hemisfério sul —, as calmarias e tempestades que desviaram a rota, o encalhe na foz do rio São Francisco do Sul e o contato com os indígenas Carijó. No retorno, os navegadores levaram para a França o filho de um cacique, prometendo trazê-lo de volta "vinte luas depois". A promessa não foi cumprida: parte da tripulação foi morta em confronto na costa brasileira, piratas afundaram o navio perto de Jersey e o jovem indígena, batizado Essomericq, viveu o resto da vida na França, casou-se duas vezes e deixou descendência.
Foi publicado originalmente em francês como Un marin en Terre des perroquets (editora L'Ancre de Marine, 2024) e saiu no Brasil no mesmo ano, com tradução do próprio autor. A edição brasileira tem ilustrações de Michel Bisson, 164 páginas, e integra as categorias de literatura, romance e infantojuvenil do catálogo da editora.
História real e trabalho de reconstituição
O relato de Gonneville está entre os episódios mais mal documentados do início da presença europeia no Brasil. Seus diários de bordo se perderam com o navio, e o que restou foi uma queixa levada ao Almirantado de Rouen — um dos únicos registros documentais da viagem. Simaan parte desse material escasso e do contexto do Tratado de Tordesilhas, quando os reis ibéricos tratavam os navegadores de outras nações como intrusos, para reconstituir a expedição em forma de romance.
Para quem é indicado
O livro serve a leitores de romance histórico, estudantes e professores de história do Brasil colonial e do período das grandes navegações, e também a um público mais jovem, pelas cenas de viagem e pelo choque cultural que a narrativa explora. É uma boa porta de entrada para entender a presença francesa na costa brasileira antes da colonização sistemática e o destino do primeiro indígena brasileiro levado à Europa.



