Contexto e proposta de Vem vamos embora: imigração, ditadura, exílio
Vem, vamos embora: imigração, ditadura, exílio reúne as memórias de Arkan Simaan em um relato que começa no Líbano, passa pela infância em Anápolis, no interior de Goiás, e atravessa um dos períodos mais duros da história brasileira recente. Publicado pela Editora Insular em 2025, com 212 páginas, o livro narra a imigração da família, o ingresso na Faculdade de Física da USP, o engajamento no movimento trotskista, a perseguição política, a clandestinidade, a prisão e a fuga do país em 1970.
O relato não termina no exílio. Na França, Simaan retomou os estudos, formou-se professor e participou da criação da revista Outubro com outros exilados brasileiros. Esses grupos tiveram papel importante na formação da Organização Socialista Internacionalista (OSI) e no processo que levou à fundação do Partido dos Trabalhadores. Mais tarde, o autor voltaria ao ativismo em outra frente, como cofundador da ONG Planète Amazone, de defesa dos povos indígenas e das florestas tropicais.
Segundo a apresentação da editora, o livro parte de uma ideia simples: é contando e ouvindo histórias que se entende de onde viemos e o que somos. As lembranças de Simaan revivem a trajetória dele e da família, mas também ajudam a olhar com os olhos de hoje o Brasil da ditadura, um país sem futuro imediato para jovens idealistas que partiram e nem sempre puderam voltar.
Como o livro se organiza
A narrativa combina memória pessoal e reconstituição histórica. O leitor acompanha a vida cotidiana da família no interior de Goiás, a atmosfera política da USP no início dos anos 1960, a rotina na clandestinidade e a experiência do exílio europeu. Esse vai e vem entre o privado e o político dá ao livro um valor documental sobre a imigração libanesa no Brasil e sobre a rede de brasileiros exilados em Paris.
Para quem é indicado
O título interessa a leitores de memórias políticas, pesquisadores da ditadura militar, estudantes de história contemporânea e pessoas que acompanham a trajetória do autor ou da esquerda brasileira no exílio. A edição tem capa ilustrada por Michel Bisson, da associação francesa Bons Baisers d'Étretat, criada para reintegrar socialmente trabalhadores após longos períodos de desemprego.



