Serra Pelada levou para a tela grande a corrida do ouro que marcou o garimpo paraense nos anos 1980. Dirigido por Heitor Dhalia e escrito por ele com Vera Egito, o filme acompanha dois amigos que deixam São Paulo em busca de enriquecimento e encontram, no garimpo, um ambiente de violência, dívidas e disputa por controle.
Juliano Cazarré e Júlio Andrade interpretam os protagonistas; Wagner Moura, Sophie Charlotte e Matheus Nachtergaele completam o elenco principal. A produção reconstruiu o garimpo em Mogi das Cruzes, no interior de São Paulo, e trabalhou com um orçamento estimado em 8,4 milhões de reais, parte financiada por incentivos fiscais.
O que o filme mostra
O interesse de Dhalia não está apenas na promessa de riqueza, mas na forma como ela reorganiza as relações. Amigos se tornam rivais, dívidas viram instrumento de poder e a lama do garimpo funciona como cenário e como armadilha. O roteiro acompanha a ascensão e a queda dos personagens sem transformar a história em lição de moral.
A escala da produção é um dos pontos mais comentados. A reconstrução do garimpo exigiu um trabalho de arte extenso, com cenários construídos para recriar o ambiente do garimpo. O resultado aparece na tela como uma paisagem ao mesmo tempo aberta e sufocante, na qual a busca pelo ouro domina todos os espaços.
Da tela grande para a televisão
Em 2014, o material foi remontado em quatro capítulos para a minissérie Serra Pelada: A Saga do Ouro, exibida pela Globo, com direção geral de Dhalia e roteiro dele com Vera Egito. A versão seriada ampliou o tempo de alguns núcleos e deu ao filme uma segunda circulação, permitindo que o público conhecesse a história em outro formato.
O longa também ganhou reconhecimento fora do Brasil. No Festin Lisboa, recebeu o prêmio de melhor filme pelo público, e a Globo TV International negociou a exibição da produção em outros países, incluindo a venda dos direitos para a Polônia.
A edição em DVD
A edição em DVD traz a versão de cinema, com a montagem que passou pelos festivais e pelos cinemas. Para quem quer entender a relação entre o filme e a minissérie, o disco funciona como ponto de partida: a comparação entre as duas versões mostra o que foi condensado no longa e o que ganhou espaço na televisão.
Serra Pelada pertence à fase de retorno de Dhalia ao Brasil depois da experiência em Hollywood. É um projeto de grande porte, com elenco conhecido e ambição visual, que ajudou a consolidar o diretor como alguém capaz de conduzir produções de escala sem abandonar o trabalho de ator e de narrativa.



