Simplesmente eu, Clarice Lispector é o monólogo escrito, dirigido e protagonizado por Beth Goulart, em cartaz desde 2009. Quando subiu ao palco pela primeira vez como a escritora, ela já tinha dois anos de pesquisa e seis meses de preparação às costas. O espetáculo nasceu de uma pergunta: como trazer à cena não a biografia de Clarice, mas a experiência de pensamento que seus textos produzem? A resposta encontrada foi misturar a própria Clarice com as criaturas dela.
O que acontece em cena
No palco, Clarice Lispector conversa com o público — sendo ela mesma e algumas de suas personagens. São quatro mulheres que representam facetas da autora: Joana, de Perto do Coração Selvagem, que encarna o impulso criativo; Ana, do conto Amor, na fase dedicada ao marido e aos filhos; Lori, de Uma Aprendizagem ou o Livro dos Prazeres, a professora que se prepara para se entregar ao amor; e a mulher sem nome de Perdoando Deus, com sua ironia e humor.
Beth assina a adaptação, a interpretação e a direção, com supervisão de Amir Haddad. A ficha técnica reúne nomes como Maneco Quinderé na iluminação, Beth Filipecki no figurino, Ronald Teixeira e Leobruno Gama na cenografia e Alfredo Sertã na trilha sonora original. A montagem tem cerca de uma hora de duração, indicada para maiores de 12 anos, e explora temas como vida, morte, criação, cotidiano, palavra, solidão e entrega.
Uma trajetória de público e prêmios
O espetáculo estreou em 2009 e, entre 2009 e 2025, foi apresentado em 298 cidades brasileiras, superando a marca de 1,3 milhão de espectadores. Em 2010, acumulou cinco prêmios, entre eles o Prêmio Shell e o APTR de melhor atriz, além do prêmio de melhor espetáculo.
Depois de temporadas no Rio de Janeiro e circulação nacional, o monólogo retornou a São Paulo em 2026, no Teatro Moise Safra, na Barra Funda. A temporada foi prorrogada até 31 de outubro, com sessões às sextas às 20h e aos sábados e domingos às 19h. Os ingressos são vendidos pelo Sympla, e há sessões com intérprete de Libras e sessões em horário reduzido.
Experiência ao redor do espetáculo
No foyer do teatro, o público encontra a exposição Entre Ela e Eu, com curadoria de Beth Goulart, que reúne fragmentos de textos, fotografias de arquivo pessoal e materiais sobre a concepção da montagem. A produção também promove o sorteio de livros de Clarice Lispector entre os espectadores, como forma de manter a obra da escritora circulando depois da sessão.
Para quem é
O espetáculo interessa a leitores de Clarice Lispector, a estudantes de literatura e teatro, a professores que trabalham a obra da autora em sala de aula e a espectadores que buscam um monólogo de repertório, conduzido por uma atriz que se dedica ao texto há mais de uma década. Quem ainda não leu Clarice encontra no palco uma porta de entrada; quem já leu reconhece nas escolhas de Beth a leitura de uma admiradora de longa data.
É, ao mesmo tempo, uma obra sobre Clarice e um documento da maturidade artística de Beth Goulart — o trabalho em que atriz, dramaturga e diretora aparecem no mesmo corpo em cena.



