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Beth Goulart

Nascimento: 1961 Rio de Janeiro, RJ
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Atriz, cantora, dramaturga e escritora, Beth Goulart venceu o Prêmio Shell por Decadência e por Simplesmente Eu, Clarice Lispector, espetáculo visto por mais de 1,3 milhão de pessoas.

Beth Goulart ganhou o Troféu APCA de atriz revelação em 1974, aos 13 anos, ao contracenar pela primeira vez com a mãe, Nicette Bruno, e a irmã Bárbara Bruno em O Efeito dos Raios Gama Sobre as Margaridas do Campo, montagem assinada por Antônio Abujamra. Aquele início de carreira antecipa o que viria depois: uma trajetória construída entre a herança de uma família de atores e a decisão de escrever, dirigir e protagonizar os próprios espetáculos.

Elizabeth Miessa nasceu no Rio de Janeiro em 25 de janeiro de 1961 e foi criada em São Paulo dos cinco aos 18 anos. Filha dos atores Nicette Bruno e Paulo Goulart, cresceu numa casa em que palco e televisão faziam parte do cotidiano. A avó, Eleonor Bruno, também era atriz, e os irmãos Bárbara e Paulo Goulart Filho seguiram a mesma profissão. Antes de se firmar em cena, estudou balé clássico, canto lírico e leitura musical, formação que reaparece nos monólogos em que canta, interpreta e conduz a narrativa sozinha.

Quem é Beth Goulart

Atriz, cantora, dramaturga, diretora e escritora, Beth Goulart soma mais de cinco décadas de trabalho contínuo entre teatro, televisão, cinema e música. Ficou conhecida do grande público pelas novelas, mas foi no palco que construiu seu repertório mais pessoal, em espetáculos nos quais assina o texto, a adaptação, a direção e a atuação, como Dorotéia Minha e Simplesmente Eu, Clarice Lispector.

Em 2026, ela completou 52 anos de carreira e mantém o ritmo de quem trata o trabalho como ofício diário: em cartaz em São Paulo, com livros recém-publicados e presença constante nas redes sociais, onde reúne mais de dois milhões de seguidores no Instagram.

Uma formação entre o balé, o canto e o palco

A formação artística de Beth começou cedo e fora de casa. Em 1983, estudou canto com Pepê Castro Neves e canto lírico com Luís Carlos Brito. Dois anos depois, em 1985, estudou técnica com o diretor de teatro inglês Peter Brook. Na mesma década, fez sapateado com Kika Sampaio, dança com Ruth Rachou e Val Folly e canto lírico com Marga Nicolau, depois de anos de balé clássico.

Na televisão, a primeira participação veio no teleteatro Alô, Alguém aí?, de William Saroyan, exibido pela TV Cultura em 1975. A estreia em novela aconteceu no ano seguinte, em Papai Coração, na TV Tupi. Entre 1977 e 1979, integrou o elenco de produções da Tupi como Éramos Seis, Roda de Fogo, O Direito de Nascer e Como Salvar Meu Casamento. Em 1980, estreou na TV Globo como Fernanda, na novela Marina, de Wilson Aguiar Filho.

Da TV Globo à Record, em cinco décadas de novelas

Na Globo, Beth Goulart passou por Baila Comigo (1981), Selva de Pedra (1986), Perigosas Peruas (1992) e O Clone (2001), na qual interpretou Lidiane Valverde. Em 2007, viveu Neli Veloso Schneider em Paraíso Tropical, papel que lhe rendeu indicação ao Prêmio Contigo! de melhor atriz coadjuvante, e, no ano seguinte, atuou em Três Irmãs. Também trabalhou na TV Manchete e na Bandeirantes, onde fez A Idade da Loba, em 1995.

Em 2010, mudou de emissora e assinou contrato com a TV Record, onde fez Vidas em Jogo (2011), Vitória (2014), A Terra Prometida (2016), como a vilã Léia, Jesus (2018) e Gênesis (2021), na pele de Jaluzi, rainha de Sodoma. No mesmo período, foi colunista de cultura do Jornal da Record News.

Em 2025, voltou ao formato de novela vertical em Tudo Por Uma Segunda Chance, produção da Globo para o Globoplay, na qual interpretou Glória Trajano. Em 2026, esteve na Paixão de Cristo de Nova Jerusalém, no papel de Maria.

No palco: de Cabaret a Clarice Lispector

É no teatro que Beth Goulart concentra os trabalhos mais celebrados. Em 1989, interpretou Sally Bowles em Cabaret. Em 1999, atuou em Decadência, de Steven Berkoff, e venceu o Prêmio Shell de melhor atriz no ano seguinte. Depois vieram O Jardim das Cerejeiras (2000), de Anton Tchekhov, e Dorotéia Minha (2002 a 2004), solo inspirado nas cartas de amor trocadas entre a avó, Eleonor Bruno, e o dramaturgo Nelson Rodrigues.

Em 2006, atuou em Quartett, de Heiner Müller, com tradução e adaptação de João Gabriel Carneiro, seu filho, e no mesmo ano a família Goulart recebeu um troféu especial do Prêmio Shell pelo conjunto de realizações teatrais da família.

O espetáculo mais longevo da carreira começou em 2009, quando Beth mergulhou na obra de Clarice Lispector para criar Simplesmente Eu, Clarice Lispector, que assina como autora, diretora e intérprete. Em cena, ela dá vida à escritora e a quatro personagens: Joana, de Perto do Coração Selvagem; Ana, do conto Amor; Lori, de Uma Aprendizagem ou o Livro dos Prazeres; e a mulher sem nome de Perdoando Deus. O trabalho acumulou cinco prêmios em 2010, entre eles o Shell e o APTR de melhor atriz.

Ainda no teatro, adaptou para monólogo o livro Perdas e Ganhos, da escritora Lya Luft, espetáculo que dirigiu e que levou Nicette Bruno de volta aos palcos em 2014. Em 2023, interpretou Simone de Beauvoir na comédia A Cerimônia do Adeus, de Mauro Rasi.

Cinema e música

No cinema, ficou marcada pelo filme Joelma 23º Andar (1979), no qual interpretou Lucimar, vítima fatal do incêndio do edifício Joelma que teria psicografado seus últimos momentos para Chico Xavier. Trabalhou ainda em Dois Córregos (1999) e Bens Confiscados (2005), ambos de Carlos Reichenbach, em Canção de Baal (2007), dirigido por Helena Ignez, e em Nada a Perder (2018), no papel de Eugênia Macedo.

A música atravessa a carreira desde os anos 1980. Em 1981, participou do MPB Shell com a canção O Balão, de Nando Carneiro e Geraldo Carneiro, e lançou pela PolyGram o compacto homônimo e o LP Sementes no Ar. Em 1982, gravou Passional e, em 1985, lançou Mantra Brasil pela gravadora Carmo. Soprano lírico, ela costuma cantar em cena nos próprios espetáculos.

Beth Goulart escritora

Depois de anos assinando textos teatrais, Beth passou a publicar também em livro. A obra reúne peças encenadas, uma biografia da escritora que a acompanha há décadas e dois volumes de reflexões.

  • Dorotéia Minha (2002) — texto nascido da pesquisa sobre as cartas entre Eleonor Bruno e Nelson Rodrigues;
  • Simplesmente Eu, Clarice Lispector: Uma Biografia (2009) — percurso pela vida e pela obra da autora de A Hora da Estrela;
  • Viver é uma arte: transformando a dor em palavras (2022) — memórias escritas a partir da parceria com a mãe, Nicette Bruno;
  • O que transforma a gente? Breves reflexões para mudanças profundas (2024) — coletânea de textos curtos sobre mudança e recomeço.

O que Beth Goulart faz hoje

Desde maio de 2026, Beth Goulart está em cartaz em São Paulo com Simplesmente Eu, Clarice Lispector, no Teatro Moise Safra, na Barra Funda. A temporada, prorrogada até 31 de outubro, tem sessões às sextas às 20h e aos sábados e domingos às 19h, com ingressos à venda pelo Sympla. No foyer do teatro, o público encontra a exposição Entre Ela e Eu, com curadoria da própria atriz, reunindo fragmentos de textos, fotografias e materiais sobre a concepção do espetáculo.

Além do teatro, ela mantém atividade como palestrante e criadora de conteúdo, com mais de dois milhões de seguidores no Instagram, onde publica bastidores de cena, leituras e conversas sobre maturidade, arte e recomeços.

Perguntas frequentes sobre Beth Goulart

Quem são os pais de Beth Goulart? Ela é filha dos atores Nicette Bruno e Paulo Goulart, e irmã de Bárbara Bruno e Paulo Goulart Filho.

Por qual trabalho Beth Goulart ganhou o Prêmio Shell? Ela venceu como melhor atriz por Decadência (2000) e por Simplesmente Eu, Clarice Lispector (2010).

Onde ver Beth Goulart em cartaz? Em São Paulo, no Teatro Moise Safra, com Simplesmente Eu, Clarice Lispector, até 31 de outubro de 2026.

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