Viver é uma arte: transformando a dor em palavras é o livro de estreia de Beth Goulart como memorialista. A obra nasceu de um projeto a quatro mãos que a vida interrompeu: Beth e a mãe, Nicette Bruno, planejavam escrever juntas um volume de memórias com histórias de família, a chegada da televisão na sala de jantar, a arte dos pais e os bastidores das novelas e radionovelas. Com a morte de Nicette por Covid-19, em dezembro de 2020, Beth decidiu seguir sozinha — e transformou a perda em texto.
Viver é uma arte: transformando a dor em palavras é o resultado desse processo. Publicado pela editora Letramento, o livro alterna a narrativa de Beth com comentários afetuosos de Nicette, e costura memória pessoal e história da dramaturgia brasileira no mesmo fio.
O que o livro propõe
Não se trata de uma biografia de Nicette Bruno nem de um manual sobre luto. A proposta é mais íntima: uma filha revisita a convivência com a mãe, os palcos compartilhados, as escolhas de carreira e as pequenas cenas do cotidiano doméstico para mostrar como a arte funcionou como forma de elaboração. O subtítulo resume o movimento do texto — transformar a dor em palavras.
Nas páginas, o leitor encontra a casa da família, as novelas que atravessaram gerações, a cumplicidade entre mãe e filha em cena e o processo de escrita como resposta à ausência. É um testemunho sobre vínculo afetivo, e também sobre o ofício de atriz que passa de mãe para filhos.
Memória da televisão brasileira
O livro também funciona como registro de um período da comunicação no país. A narrativa atravessa a chegada da televisão às salas de jantar, o auge das radionovelas, quando os atores eram reconhecidos apenas pela voz, e a transformação das novelas em fenômeno nacional — universo em que Nicette Bruno e Paulo Goulart construíram carreiras e criaram os filhos. Para o leitor que se interessa pela história da dramaturgia e da teledramaturgia, o texto oferece esse pano de fundo sem abrir mão do relato pessoal.
Para quem é
O livro interessa a quem acompanha a história da televisão brasileira e das famílias de artistas, a leitores de memórias e relatos de luto e a admiradores do trabalho de Nicette Bruno e de Beth Goulart, juntas no mesmo palco em espetáculos como Perdas e Ganhos. Também serve a quem busca um exemplo de escrita memorialista feita por alguém com prática de dramaturgia — o texto tem ritmo de cena, com falas e lembranças organizadas como diálogo.
Como o livro chegou ao público
Lançada em 2022, a obra foi apresentada em entrevistas e programas de televisão, como o Faustão na Band, e em reportagens sobre o luto da atriz. Desde então, segue como uma das principais portas de entrada na escrita de Beth Goulart: o primeiro livro de memórias de uma atriz que já havia publicado textos teatrais e que voltaria à reflexão escrita dois anos depois, em O que transforma a gente?.
Para quem quer entender a relação entre Beth Goulart e Nicette Bruno para além do noticiário, esta é a obra central: uma artista escrevendo sobre a mãe, a herança familiar e a arte de continuar.



