Três peças escritas em momentos diferentes da carreira de Consuelo de Castro chegaram juntas ao papel em Três Histórias de Amor e Fúria, publicado pela Giostri Editora em 2014, na coleção Dramaturgia Brasileira. O próprio título anuncia o fio que costura os textos: a paixão como motor de acontecimentos inesperados, capaz de subverter a ordem estabelecida na vida das personagens.
O volume tem 158 páginas e reúne Only You (1998), Memórias do Mar Aberto: Medéia Conta Sua História (1997) e Mel de Pedra (1985) — três exercícios de dramaturgia que mostram a autora em fases distintas, do texto mais realista ao mergulho no mito.
Quais são as três peças do livro?
Only You acompanha André, um autor de novelas em crise, pressionado pela emissora em que trabalha por um passado que não passa. É a peça em que Consuelo usa o próprio universo da teledramaturgia como matéria de conflito, depois de anos escrevendo para a televisão.
Memórias do Mar Aberto: Medéia Conta Sua História é a releitura do mito grego. Aqui, Medeia toma o lugar de Jasão e chefia a expedição dos argonautas — não por amor a ele, mas pelo ideal de paz entre os povos do Ocidente e do Oriente. A peça foi lida no auditório da Folha de S.Paulo em 1997 e encenada em 2004.
Mel de Pedra trata do confronto entre paixão e estabilidade e do abismo entre o desejo e sua realização, por meio do debate entre uma bailarina e uma antropóloga. É o texto mais curto do conjunto e o que melhor resume a tensão entre o que se quer e o que é possível sustentar.
O que liga as três peças?
Nas três, o amor aparece menos como romance e mais como força de ruptura: personagens vivem paixões que desorganizam projetos, expõem contradições e obrigam cada uma a escolher um caminho. A política atravessa os textos sem didatismo, e o diálogo ágil — marca registrada da autora — conduz o conflito sem explicações desnecessárias.
Para quem lê Consuelo de Castro pela primeira vez, o conjunto oferece três entradas diferentes: o mundo da televisão, o mito grego e o debate íntimo sobre desejo e estabilidade. Para quem já conhece a dramaturgia dela, o volume documenta a fase menos realista da autora, iniciada nos anos 1980.
Para quem é indicado?
- Leitores de teatro interessados em dramaturgia brasileira contemporânea;
- Estudantes e profissionais de artes cênicas que buscam textos de repertório;
- Pesquisadores de adaptações de mitos clássicos para a cena;
- Quem deseja conhecer a produção de Consuelo de Castro posterior aos anos 1970.
O que a edição diz sobre a dramaturgia brasileira?
O volume integra a coleção Dramaturgia Brasileira, da Giostri, dedicada a manter em circulação textos de autores nacionais que tiveram passagem marcante pelos palcos. No caso de Consuelo de Castro, isso significa acesso a peças escritas entre 1985 e 1998 — um período em que a autora já havia conquistado os principais prêmios do teatro e experimentava formatos menos realistas, como o monólogo mitológico de Medeia e o painel sobre a indústria de novelas em Only You.
Para companhias e grupos de teatro, o livro funciona como material de estudo e de montagem: são textos curtos o suficiente para leituras dramatizadas e densos o bastante para sustentar temporadas. Para leitores, é a chance de acompanhar a autora depois da fase que a consagrou, sem depender de exemplares esgotados das primeiras edições.
Onde encontrar o livro?
A edição da Giostri é a principal rota de compra de Três Histórias de Amor e Fúria, encontrada em plataformas como a Amazon, com exemplares novos e usados. O link ao lado leva à página do título, onde é possível conferir preço, disponibilidade e condições de entrega antes de decidir.


