Entre 1968 e 1989, Consuelo de Castro acumulou prêmios, censura e montagens que discutiram o país em cena. Urgência e Ruptura, publicado pela Editora Perspectiva em 1989, reúne as principais peças dessa trajetória em um único volume — o caminho mais direto para quem quer ler a dramaturgia dela no papel, e não apenas em fichas de espetáculo.
O livro tem 598 páginas e reúne textos de duas fases da autora. Na primeira, desenvolvida sob o terror da arbitrariedade e da violência dos anos 1970, estão as peças que a projetaram: À Flor da Pele, o embate entre uma atriz e seu professor, e Caminho de Volta, sobre o mundo das agências de publicidade, vencedora dos prêmios Molière e APCT. Na segunda fase, quando a atmosfera política começa a se abrir, a escrita experimenta formatos menos realistas, sem perder a tensão.
Por que o volume se chama Urgência e Ruptura?
O título sintetiza os dois polos que atravessam a obra. A urgência está nas personagens capturadas no curso irreversível de seus confrontos; a ruptura, nos momentos em que tudo nelas e ao redor delas está se rompendo. São peças sobre ideias políticas e sociais, amor, sexo, liberdade, realização pessoal e busca de si mesmo — temas tratados em diálogos diretos e contundentes, sem concessões.
O que faz deste volume uma boa porta de entrada?
Porque ele organiza a produção mais premiada da autora em uma sequência legível. Quem conhece Consuelo de Castro apenas pela novela Ribeirão do Tempo encontra aqui a dramaturgia que a tornou um dos nomes mais premiados da geração formada sob a ditadura militar. Quem já viu alguma montagem de À Flor da Pele ou Caminho de Volta pode comparar os textos com as encenações que marcaram época.
A edição também interessa a quem pesquisa teatro brasileiro em contexto histórico. As peças permitem observar como uma autora da classe média paulistana transformou o noticiário político e a vida cotidiana em conflito dramático, sem abrir mão da construção cuidadosa de personagens.
Para quem é indicado?
- Estudantes e professores de teatro, dramaturgia e literatura brasileira;
- Diretores, atores e dramaturgos interessados em textos de repertório;
- Pesquisadores da produção cultural dos anos 1960 a 1980 e do período da ditadura militar;
- Leitores que acompanham a dramaturgia brasileira e procuram uma coletânea de referência.
Por que ler Consuelo de Castro hoje?
A obra dela atravessou décadas sem perder atualidade: os conflitos éticos e afetivos que colocam as personagens em choque continuam reconhecíveis, e o diálogo ágil, uma das marcas da autora, faz a leitura avançar com a sensação de assistir à cena. Quando o volume foi publicado, a crítica já destacava a excepcional noção de teatralidade da autora e a inquietação que a levava a buscar novos caminhos a cada texto.
Ler Urgência e Ruptura é também uma forma de acompanhar o percurso de uma geração de dramaturgos que escreveu contra a censura e viu suas peças proibidas, premiadas e, finalmente, montadas — em alguns casos, décadas depois de escritas. É drama de palco que funciona no papel, com frases que se sustentam sozinhas.
Onde encontrar o livro?
A edição de 1989 é encontrada principalmente no mercado de usados, com exemplares vendidos por sebos em plataformas como a Amazon — o link de compra leva à página do título, onde é possível comparar preço e disponibilidade. Para quem prefere começar por textos mais curtos, Três Histórias de Amor e Fúria, da Giostri, reúne três peças posteriores da autora.


