Uma Selfie com Lenin, romance publicado pela Record em 2016, pode ser lido como uma carta de despedida, de amor ou de desculpas. O protagonista é um jornalista que escreve para uma ex-namorada e, no texto que endereça a ela, reconstrói a própria trajetória — da militância juvenil ao trabalho na imprensa — enquanto vê suas convicções serem corroídas por um sistema político baseado na corrupção.
O que o romance conta
A narrativa acompanha o declínio de ideários políticos por meio da história de um homem comum e de suas contradições. Com humor e uma dose de melancolia, o narrador relembra as escolhas que fez, as causas em que acreditou e os caminhos que trilhou até perceber que o mundo à sua volta havia mudado — e ele também. Só ao final o leitor descobre por que a carta é escrita e a quem ela realmente responde.
O Brasil recente como pano de fundo
As memórias do casal se misturam à história política brasileira das últimas décadas: os escândalos de corrupção, as grandes manifestações de 2013 e as mobilizações que levaram milhões de pessoas às ruas antes da Copa do Mundo de 2014. O romance transforma esse pano de fundo em matéria ficcional, sem abrir mão da precisão de quem acompanhou os fatos como repórter.
Ficção e experiência jornalística
Publicado quando Molica já acumulava romances, contos e livros-reportagem, "Uma Selfie com Lenin" é o romance em que o autor volta seu olhar para o universo das redações e da política profissional. A mistura de ironia e luto dá o tom do livro, que dialoga com a obra de ficção de outros jornalistas-escritores brasileiros.
Para quem é a leitura
O livro interessa a leitores de ficção política, a jornalistas e a quem viveu — ou quer entender — o período das manifestações de 2013 e dos grandes escândalos de corrupção no Brasil. A edição é da Record, em capa comum.





