Um clube, um personagem e um cartunista
Urubu e o Flamengo reúne desenhos e tiras em que Henfil trata da relação entre o clube e o mascote que a torcida adotou. Publicado pela Editora 34 em 1996, o volume organiza material produzido por um torcedor que trabalhou em jornal esportivo e conhecia por dentro o ambiente do futebol carioca.
O interesse do livro está justamente na mistura entre paixão e ofício. Henfil não desenhava o Flamengo de fora: usava as charges para comentar o noticiário do time, os personagens do vestiário e o comportamento da torcida. O urubu aparece ali não como enfeite, mas como ponto de vista — um jeito de olhar o clube e a cidade ao mesmo tempo.
Por que o livro ainda circula
Para pesquisadores do humor gráfico, o título documenta o período em que o cartunista ajudou a transformar o urubu em símbolo do Flamengo, depois de o apelido ter surgido de forma pejorativa. Para torcedores, é uma coleção de piadas que envelheceram bem e que explicam por que a figura do urubu ficou colada ao clube. Para quem lê Henfil pela crítica social, o volume mostra como o futebol servia de pretexto para falar de comportamento, imprensa e cultura popular.
É uma leitura complementar ao livro Urubu, da Editora Agir, com foco mais direto na relação entre o personagem, o Flamengo e o Rio de Janeiro. Quem se interessa pelo Flamengo também costuma procurar obras ligadas a ídolos do clube, como as que aparecem na página de Zico.




