Contexto e proposta de Usufruto
Usufruto é a primeira peça escrita por Lúcia Veríssimo. O texto parte de um encontro casual entre uma mulher de 50 anos e um arquiteto de 30 que disputam a compra de um apartamento vazio. Ela propõe um jogo: quem perder a disputa desiste do imóvel. O que começa como uma negociação imobiliária vira um embate entre gerações, com diálogos afiados e uma disputa sobre o que cada um considera seu.
A peça estreou em 20 de janeiro de 2010 no Teatro FAAP, em São Paulo, com direção de José Possi Neto. A montagem ficou cinco meses em cartaz e, ao mesmo tempo, cumpriu turnê por várias cidades brasileiras, mantendo dois cenários e duas equipes. Depois, seguiu para temporada no Rio de Janeiro. A ficha técnica registra Lúcia Veríssimo e André Fusko no elenco, com produção executiva de Egberto Simões e direção de produção da própria autora.
O espetáculo tem 75 minutos e classificação de 16 anos. A crítica da Veja São Paulo destacou os diálogos afiados e o caráter provocativo do texto, embora tenha apontado uma estrutura convencional. Para Lúcia, a peça representou uma virada para a dramaturgia depois de uma carreira marcada pela televisão e por participações no teatro. A montagem recebeu indicações nas categorias de melhor atriz e melhor autora em 2012.
O título dialoga com a ideia de uso e posse que está no centro da trama. Na linguagem jurídica, usufruto é o direito de usar um bem e receber seus frutos sem ser o proprietário. A peça transporta essa ideia para a relação entre os dois personagens: ambos querem o mesmo apartamento, mas chegam a ele por motivos diferentes. Ela carrega a experiência de uma vida vivida; ele representa o ímpeto de quem ainda está começando. A direção de José Possi Neto aposta no confronto entre os atores e no texto como motor da cena, sem recorrer a grandes efeitos.
A produção ficou marcada pela logística de manter duas equipes e dois cenários em circulação ao mesmo tempo. Enquanto uma temporada acontecia em São Paulo, outra leva viajava pelo país, o que exigiu planejamento de transporte, montagem e agenda dos atores. A peça foi a primeira incursão de Lúcia na dramaturgia, depois de anos de trabalho na televisão e de participações esporádicas no teatro.
Em março de 2019, o texto foi publicado em livro pela Makron Books. A edição permite ler a peça fora do palco e acompanhar a construção dos diálogos que sustentam o espetáculo. Para quem se interessa por dramaturgia brasileira, teatro contemporâneo ou pela trajetória de Lúcia Veríssimo como autora, Usufruto é uma porta de entrada para uma fase menos conhecida da atriz, mas decisiva na sua relação com a escrita.
O site oficial da peça reúne ficha técnica, release, fotos e informações de contato. A temporada de 2010 e a publicação do texto em livro ajudam a situar Usufruto no conjunto da obra de Lúcia Veríssimo, ao lado dos trabalhos dela na televisão, no cinema e na direção.




