Vai na Bola, Glanderson! é o primeiro romance de Hélio de la Peña, lançado pela Objetiva em 2006. A história acompanha Paulo Ventania, um brasileiro que quer vencer na vida com pouco esforço e enxerga no futebol a chance de mudar de sorte. Ele encontra Glanderson, um menino que perdeu dois dedos do pé em um acidente e desenvolveu um chute de efeito desconcertante. Ventania vê ali a matéria-prima de um fenômeno e assume o papel de agente, com um objetivo fixo: levar o garoto à seleção brasileira que disputaria a Copa do Mundo de 2014, no Brasil.
O enredo é ficção e não disfarça a intenção de brincar com o imaginário nacional em torno do futebol. O menino pobre, o agente improvisado e a promessa de fama formam uma engrenagem de humor e crítica. Hélio desloca para a narrativa longa o mesmo olhar que usava nos esquetes de televisão, agora com espaço para desenvolver personagens, cenas de rua e o ambiente do subúrbio carioca.
O subúrbio carioca como cenário
O autor contou que queria uma história ambientada no subúrbio do Rio, onde nasceu e viveu até os 23 anos, sem tratar necessariamente da violência urbana. O futebol apareceu como caminho para essa brincadeira. A observação de crianças jogando em campinhos de terra batida, o movimento das barbearias e dos botecos entraram na construção do livro. O resultado é uma ficção que olha para a rotina do bairro com afeto e humor, sem transformar o lugar em caricatura.
Ventania e Glanderson circulam por esse cenário em busca de uma chance. O livro acompanha a informalidade do futebol de base, os acordos improvisados e a distância entre o sonho de fama e as condições reais de quem tenta chegar lá. Quem conhece a relação brasileira com o esporte reconhece as promessas e as estratégias que aparecem na história, mas o enredo se sustenta como ficção, com personagens inventados e situações construídas para a comédia.
Futebol, ambição e humor
Vai na Bola, Glanderson! é uma leitura para quem gosta de romances de humor, histórias de futebol e narrativas ambientadas no Rio de Janeiro. O livro também interessa a leitores que querem conhecer a faceta ficcional de Hélio de la Peña, conhecido principalmente pela atuação na televisão. Não é uma biografia de jogador nem um relato jornalístico sobre os negócios do futebol: é uma obra de imaginação, escrita para divertir e, ao mesmo tempo, comentar a cultura da fama rápida.
A publicação de 2006 marca a estreia do autor no romance. Para quem já leu O Livro do Papai, a mudança de registro é clara: sai o conselho doméstico, entra a narrativa de personagens e conflitos. Para quem chega agora, o livro funciona como uma amostra do humor de Hélio em formato longo, com a mesma veia observadora que atravessa sua carreira.




