Hélio de la Peña é o nome artístico de Helio Antonio do Couto Filho, humorista, ator, redator e escritor nascido no Rio de Janeiro em 18 de junho de 1959. Ele se tornou conhecido como integrante do Casseta & Planeta, grupo que transportou para a televisão personagens, paródias e um humor ligado ao noticiário. Antes da fama, formou-se em engenharia de produção pela Universidade Federal do Rio de Janeiro e trabalhou em um projeto relacionado à usina de Itaipu. A entrada na Globo como redator do TV Pirata, em 1988, marcou a virada que o levou a viver de texto e interpretação.
Essa combinação entre formação técnica, escrita e performance ajuda a explicar por que Hélio ocupa um lugar incomum no humor brasileiro. Ele não chegou à televisão como ator formado em teatro, mas como autor de piadas e revistas estudantis. Também não ficou preso ao Casseta & Planeta: publicou livros, criou um especial de televisão, apresentou-se em stand-up e participou de filmes e novelas. Sua trajetória permite entender tanto a lógica do humor de grupo que dominou a TV nos anos 1990 quanto a busca por uma voz solo depois do fim do programa.
Quem é Hélio de la Peña
Nascido na Vila da Penha, no subúrbio carioca, Hélio é o mais velho de cinco irmãos. A mãe era professora primária, e o pai, escriturário da Companhia Docas de Santos. A família tinha uma vida modesta, mas valorizava a educação. O menino estudou em escola pública até que a mãe conseguiu uma bolsa parcial no Colégio São Bento, no Centro do Rio. A distância entre a Vila da Penha e a escola de elite apareceu cedo em sua vida e virou matéria-prima de entrevistas e textos anos depois.
No São Bento, destacou-se nos estudos e ganhou olimpíadas de matemática. A boa formação o levou à UFRJ, onde cursou engenharia de produção. Foi lá que conheceu Marcelo Madureira e Beto Silva, colegas com quem criou, em 1978, o fanzine Casseta Popular. A publicação fazia humor com o movimento estudantil e circulava fora dos padrões da imprensa tradicional. O grupo cresceria e daria origem, mais tarde, ao Casseta & Planeta.
O nome artístico nasceu em 1979, quando Hélio tinha 20 anos e assinava uma página de humor no tabloide O Repórter. Como usava o nome de batismo, o pai pediu que ele tirasse o sobrenome da família daquela publicação. Ele então adotou De La Peña, uma referência à Vila da Penha, à pena da escrita e à Praça Saens Peña, na Tijuca, onde sonhava morar. O apelido pegou e passou a acompanhar toda a carreira pública.
De engenheiro a redator da TV Pirata
Antes de viver de humor, Hélio trabalhou na Promon Engenharia, em um projeto ligado à usina hidrelétrica de Itaipu. A rotina de engenheiro conviveu com a produção de textos e com o grupo de amigos que escrevia e se apresentava. Em 1988, a Globo o contratou como redator de um novo programa, que viraria o TV Pirata. Ele apresentou a demissão da empresa de engenharia assim que assinou o contrato e passou a se dedicar integralmente à televisão.
O TV Pirata estreou em 1988 e se tornou um marco por levar para a TV aberta um humor mais ácido, com esquetes curtas e referências ao noticiário. Hélio participou como redator e também apareceu em cena. Depois vieram trabalhos como redator de Os Trapalhões, entre 1993 e 1995, e a consolidação no Casseta & Planeta, Urgente!, que ficou no ar de 1992 a 2010. No programa, ele acumulava as funções de autor e intérprete, o que lhe dava influência direta sobre o texto e sobre os personagens que defendia.
- 1978: participa da criação do fanzine Casseta Popular com Beto Silva e Marcelo Madureira.
- 1988: entra na Globo como redator do TV Pirata e deixa a engenharia.
- 1992 a 2010: escreve e atua no Casseta & Planeta, Urgente!.
- 2003: lança O Livro do Papai e participa do filme Casseta & Planeta: A Taça do Mundo É Nossa.
- 2006: publica o romance Vai na Bola, Glanderson! e participa de Seus Problemas Acabaram!.
Quase duas décadas de Casseta & Planeta
O Casseta & Planeta nasceu do encontro entre o grupo da Casseta Popular e os humoristas do Planeta Diário. Na televisão, o coletivo ficou conhecido por comentar a atualidade no mesmo ritmo em que ela acontecia, com paródias de políticos, artistas, programas e comerciais. Hélio era um dos redatores e também um dos rostos do elenco. Durante quase 20 anos, foi o único integrante negro do programa, posição que ele próprio já descreveu como parte de sua experiência profissional e que rendeu reflexões públicas sobre representação e humor.
No cinema, o grupo lançou A Taça do Mundo É Nossa, em 2003, e Seus Problemas Acabaram!, em 2006. Hélio também participou de Casseta & Planeta Vai Fundo, em 2012, e de outros projetos do coletivo. A morte de Bussunda, em 2006, alterou o ambiente do grupo e é apontada por Hélio como um momento de mudança em sua relação com a carreira. A trajetória do parceiro está reunida no perfil de Bussunda, outro nome central da mesma geração de humoristas.
Livros: paternidade, futebol e esporte
A produção literária de Hélio de la Peña começou em 2003, com O Livro do Papai, publicado pela Objetiva. O ponto de partida foi a ausência de títulos voltados especificamente para os pais em uma prateleira dominada por livros para bebês, mães e babás. O autor transformou a experiência de ter filhos em um relato bem-humorado sobre fraldas, insônia e a convivência com o recém-nascido. O livro deu origem ao especial Paidecendo no Paraíso, em quatro episódios exibidos pelo GNT em 2007.
Em 2006, ele lançou o romance Vai na Bola, Glanderson!, também pela Objetiva. A ficção acompanha Paulo Ventania, um agente improvisado que aposta no chute torto de um menino do subúrbio para chegar à seleção brasileira. O livro desloca o humor de Hélio para a narrativa longa e usa o futebol como retrato de ambição, esperteza e sonho. Já Meu Pequeno Botafoguense, de 2010, é um livro infantil publicado pela Belas-Letras, com ilustrações de Aroeira, em que um menino viaja ao passado para acompanhar o início do Botafogo.
Em 2017, Hélio assinou com Daniel Takata Gomes a biografia Poliana Okimoto, publicada pela Contexto. O livro reconstitui a trajetória da nadadora que conquistou a primeira medalha olímpica feminina do Brasil na natação, na maratona aquática dos Jogos do Rio de Janeiro, em 2016. São quatro obras distintas, que vão do manual de paternidade ao romance, do infantil à biografia esportiva. Quem quiser explorar esse campo pode começar pela página de literatura.
Stand-up, samba e outras frentes
Além da televisão e dos livros, Hélio construiu uma carreira de stand-up. Em 2018, apresentou Coisa de Preto, espetáculo em que aborda racismo e pertencimento a partir de sua própria experiência. Em 2024, levou aos palcos Preto de Neve, show em que parte da constatação de ser o único homem negro em muitos ambientes que frequenta. O humor de palco lhe permitiu falar de temas pessoais com a mesma ferramenta que usava na TV: a observação do cotidiano e a piada como entrada para assuntos incômodos.
Na música, assinou com o sambista Arlindo Cruz e Mu Chebabi o Samba da Globalização, usado pela Rede Globo na abertura de sua programação em 2008. A parceria mostra outra faceta de Hélio, ligada ao samba e à cultura popular carioca. Ele também participou da banda Casseta & Planeta e de projetos musicais do grupo, sem abandonar a escrita e a atuação.
Hélio de la Peña hoje
Hélio segue atuando em televisão, cinema e stand-up. Depois do fim do Casseta & Planeta, participou de novelas como Totalmente Demais, em 2015 e 2016, e de séries como Encantado's, em 2024. Em 2025, apareceu no especial Show 60 Anos, da TV Globo. O canal do Casseta & Planeta no YouTube mantém parte desse acervo disponível e aproxima o grupo de uma audiência que não acompanhou a época original.
Para quem quer acompanhar seu trabalho, o Instagram @lapena e o perfil no X reúnem registros de projetos, opiniões e divulgação de trabalhos. Os livros continuam disponíveis em edições físicas, e os principais títulos podem ser encontrados em livrarias e no comércio online. A trajetória de Hélio de la Peña mostra como um redator de humor pode atravessar décadas de televisão sem abrir mão da autoria, alternando o trabalho em grupo com uma produção solo que inclui ficção, infantojuvenil e biografia.





