Vão-se os Dias e Eu Fico: Memórias e Evocações é o livro de memórias em que Edson Nery da Fonseca organiza cada capítulo em torno de uma negativa — uma memória que começa pelo que o autor não fez: por que não me chamo Antonio, por que não me fiz monge beneditino, por que não completei o curso de Direito, por que não me casei.
O recurso veio de uma ideia do filósofo Julián Marías, citada pelo próprio Edson Nery em entrevista: para entender bem uma pessoa, importa menos saber o que ela fez do que aquilo que deixou de fazer. A partir desse mote, o autor revisita a formação no Recife, a passagem pelo exército, a ida para Brasília, as pesquisas sobre Gilberto Freyre, o período em Guiné-Bissau e o retorno a Olinda.
O que o livro oferece
A obra se divide em duas partes. Na primeira, as memórias propriamente ditas; na segunda, as evocações de pessoas que marcaram a vida do autor. Pelo livro passam figuras centrais da cultura brasileira do século XX, vistas de perto por quem trabalhou e conviveu com elas.
O título vem do poema Le Pont Mirabeau, de Guillaume Apollinaire — versos que o autor tinha em um quadro na parede e que resumem a relação do memorialista com o tempo: os dias passam, ele fica.
Como o livro foi construído
Em entrevista na época do lançamento, Edson Nery contou que desejava escrever suas memórias havia muitos anos, mas não queria abrir o livro com a data de nascimento. A solução veio de uma conferência do filósofo espanhol Julián Marías no Recife: para entender uma pessoa, dizia ele, é mais importante saber o que ela deixou de fazer do que o que realizou. O autor adotou a ideia como método e transformou as negativas em capítulos, recebendo de um amigo a definição de que aquilo era nitroglicerina pura.
- Memórias de um bibliotecário que participou da criação de cursos e bibliotecas no Brasil;
- Retratos de personagens da cultura pernambucana e nacional;
- Testemunho da história da biblioteconomia brasileira por quem esteve no centro dela.
Para quem é
Leitores de memórias e de história intelectual, profissionais da informação curiosos sobre a própria área e quem se interessa pelo Recife e pela formação cultural do Nordeste. O livro foi lançado em 2009 e chegou às livrarias na esteira da produção memorialista do autor, que publicaria ainda Estão Todos Dormindo no ano seguinte.





