Buscar autoridades

Foto ilustrativa do produtor Nelson Rodrigues

Projeto relacionado a:

Nelson Rodrigues
Imagem promocional do produto Vestido de noiva

Vestido de noiva

Livro
Ver página do projeto

Este link pode ser comercial e gerar comissão para o site, sem alterar o preço para o leitor. Compare informações, preço e disponibilidade antes de decidir.

Peça de 1943 em que Alaíde vive entre realidade, memória e alucinação; marco do teatro moderno brasileiro, em edição da Nova Fronteira.

Vestido de noiva é o texto que separa o teatro brasileiro em antes e depois. Enquanto Alaíde se recupera no hospital depois de um atropelamento, a peça abre três planos ao mesmo tempo: a realidade da enfermaria, a memória do conflito com a irmã Lúcia e a alucinação em que entra madame Clessi, prostituta do começo do século XX cujo diário Alaíde leu. O público não assiste a um drama linear de traição entre irmãs; assiste à mente da protagonista em funcionamento.

Nelson escreveu a peça depois da estreia fria de A mulher sem pecado. O corte aconteceu em 28 de dezembro de 1943, no Theatro Municipal do Rio de Janeiro, com direção de Zbigniew Ziembiński e o grupo Os Comediantes. A encenação usou luz, cenário e marcação para tornar visíveis os três planos — recurso que a crítica e a Enciclopédia Itaú Cultural tratam como início efetivo do teatro moderno no país. No dia da estreia, segundo o próprio Nelson, Manuel Bandeira foi o primeiro a entrar na sala.

O conflito de superfície é doméstico e até conhecido: Alaíde fica com o namorado da irmã, Lúcia cobra, a família organiza o casamento, o acidente interrompe a festa. O que a peça inventa é o modo de contar. A memória não ilustra a realidade; disputa espaço com ela. A alucinação não é adorno expressionista; é o terceiro chão da ação. Madame Clessi, morta décadas antes, fala de perto com a noiva atropelada. O hospital, o passado e o delírio se atravessam até o espectador perder o chão confortável do “o que aconteceu de verdade”.

Por que a peça ainda é montada

Cada geração reencontra Vestido de noiva por uma porta diferente. Nos anos 1940, o choque era estético: o palco brasileiro ainda falava a língua do teatro de tese, do folhetim bem-comportado e da comédia de costumes. Ziembiński, polonês recém-chegado, deu à sintaxe de Nelson uma encenação à altura. Depois, a peça virou clássico escolar, objeto de vestibular, laboratório de direção e texto de elenco feminino — Alaíde, Lúcia e Clessi sustentam o espetáculo.

A edição da Nova Fronteira (14ª edição, 2019) traz o texto em três atos e o contexto da estreia. Serve a quem vai ver uma montagem, a quem estuda dramaturgia e a quem quer entender por que Nelson deixou de ser só o autor “imoral” das manchetes. Ler a peça no papel revela o que a encenação às vezes suaviza: falas curtas, cortes secos, didascálias que já pedem cinema dentro do palco.

Para quem é este livro

Não é romance para ler deitado como folhetim. É texto teatral, com falas, rubricas e saltos de tempo. Quem nunca leu peça pode estranhar a página; em poucas cenas o ouvido se acostuma. Vale para o leitor de literatura brasileira que só conhece Nelson pelos contos de jornal, para o estudante de artes cênicas e para quem viu uma montagem e quer o texto sem o filtro do diretor.

  • Três planos cênicos: realidade, memória e alucinação.
  • Estreia histórica em 1943, no Municipal do Rio, com Ziembiński.
  • Protagonismo feminino em torno de Alaíde, Lúcia e madame Clessi.
  • Porta de entrada mais citada da dramaturgia de Nelson Rodrigues.

Quem sai de Vestido de noiva em direção às tragédias cariocas percebe o salto: da psique para a calçada, da alucinação para a manchete. A peça de 1943 ainda é o melhor mapa da virada. Sem ela, o resto da obra parece escândalo solto; com ela, o escândalo ganha forma.

Página vinculada ao projeto

Para consultar a página vinculada a este projeto, acesse Vestido de noiva.


Experiências da comunidade

Avaliações sobre Vestido de noiva

Veja as opiniões dos leitores e compartilhe sua experiência.

0 avaliações positivas e 0 negativas com comentário.

Relatos publicados

Opiniões dos leitores sobre suas experiências. As avaliações não comprovam fatos nem representam a posição do site.

Ainda não há avaliações com comentário. Sua experiência pode ajudar o próximo leitor.

Para contestar um relato ou solicitar a remoção dos seus dados, entre em contato e informe a página e o comentário.

Compartilhe sua avaliação

Escreva de 60 a 200 palavras sobre esta pessoa ou projeto. Não inclua anúncios, links, insultos ou dados pessoais.

Sua experiência

0 de 200 palavras · mínimo de 60

Carregando verificação humana...

Outros projetos do mesmo autor

Se você se interessou por Vestido de noiva, talvez também queira conhecer outros projetos de Nelson Rodrigues.

Ver perfil completo
A vida como ela é
A vida como ela é
Cem contos inéditos em livro da coluna da Última Hora: ciúme, adultério e obsessão no Nelson narrador do jornal diário.
0—
0—
O beijo no asfalto
O beijo no asfalto
Tragédia carioca de 1960 em que um beijo de piedade vira manchete e destrói Arandir; peça escrita para Fernanda Montenegro.
0—
0—
Toda nudez será castigada
Toda nudez será castigada
Peça de 1965 sobre o viúvo Herculano e a prostituta Geni; uma das tragédias cariocas mais amargas de Nelson Rodrigues.
0—
0—