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Vanessa da Mata

Vanessa Sigiane da Mata Ferreira

Nascimento: 1976 Alto Garças, MT / São Paulo, SP
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Cantora e compositora de Alto Garças. Assina Ai, Ai, Ai, o dueto Boa Sorte/Good Luck e o romance A Filha das Flores.

Maria Bethânia pôs o nome de Vanessa da Mata na capa de um disco antes de o Brasil ouvir a cantora em carreira solo. Em 1999, A Força que Nunca Seca, parceria com Chico César, virou título do álbum de Bethânia e, no ano seguinte, entrou na categoria de canção brasileira do Grammy Latino. Quem digita o nome hoje costuma chegar por outra porta: Ai, Ai, Ai, Ainda Bem, Boa Sorte/Good Luck ou Amado. A compositora de Alto Garças já circulava em disco alheio quando o primeiro CD saiu, em 2002, pela Sony.

Vanessa Sigiane da Mata Ferreira nasceu em 10 de fevereiro de 1976 em Alto Garças, cidade pequena do Mato Grosso. Filha de professora e de fazendeiro, cresceu no rádio AM e em discos que não cabiam numa estante só: Luiz Gonzaga e Tom Jobim, Milton Nascimento e Orlando Silva, carimbó trazido da Amazônia, samba, música caipira e brega italiano. O ofício não é o de intérprete que espera canção pronta. Os sucessos que levam o nome dela no rádio, com uma exceção famosa, saíram da própria mão.

Por que o nome aparece antes do primeiro disco

O Brasil encontrou Vanessa como autora. Chico César a conheceu em 1997. Os dois escreveram A Força que Nunca Seca. Bethânia gravou a faixa e deu o título ao disco de 1999. César também a registrou em Mama Mundi. A indicação ao Grammy Latino de 2000, na categoria de canção em língua portuguesa, veio dessa gravação, não de um álbum solo que ainda não existia.

O rastro de compositora continuou curto e concreto. Bethânia voltou a ela em O Canto de Dona Sinhá, no disco Maricotinha, com participação de Caetano Veloso. Daniela Mercury registrou Viagem em Sol da Liberdade. Com Ana Carolina, Vanessa assinou Me Sento na Rua, do álbum Ana Rita Joana Iracema e Carolina, de 2001. Houve ainda participações em shows de Milton Nascimento, de Bethânia e das últimas apresentações de Baden Powell. O disco próprio era o passo que faltava, não o começo da história.

De Alto Garças a São Paulo, sem a medicina

Em 1990, aos 14 anos, Vanessa saiu sozinha para Uberlândia, em Minas Gerais. O plano declarado era estudo: terminar o ensino médio e prestar vestibular de medicina. O que segurou foi o bar. Aos 15 já cantava em casas da cidade. Em 1992, com o ensino médio concluído e o vestibular deixado para trás, mudou-se para São Paulo e entrou na Shalla-Ball, grupo feminino de reggae.

Poucos anos depois viajou em turnê como voz de apoio da banda jamaicana Black Uhuru. Na sequência veio a Mafuá, de ritmos regionais. No mesmo intervalo dividia a música com basquete e com trabalho de modelo fotográfica, incluindo passagem pela agência Elite depois do concurso Look of the Year. Nada disso virou a carreira que o público passou a buscar. Serviu de oficina: palco, ouvido e um jeito de escrever que não dependia de conservatório. A formação musical pública é a de autodidata.

O que o rádio passou a repetir

O álbum Vanessa da Mata, de 2002, teve produção dividida entre Liminha, Jacques Morelenbaum, Luiz Brasil, Dadi e Kassin. Três faixas explicam a chegada ao grande público, e só uma não é dela:

  • Não Me Deixe Só, composição própria que ganhou remix de Ramilson Maia e saiu das pistas para o rádio.
  • Onde Ir, também dela, na trilha da novela Esperança.
  • Nossa Canção, de Luiz Ayrão, na trilha de Celebridade. É a exceção: sucesso do disco de estreia que ela interpreta, não assina.

Essa Boneca Tem Manual veio em 2004, de novo com Liminha na produção e nas parcerias. Ai, Ai, Ai... entrou na trilha de Belíssima e levou o Prêmio Multishow de melhor música em 2006. Ainda Bem, do mesmo álbum, embalou Pé na Jaca. No disco também estão a regravação de Eu Sou Neguinha, de Caetano Veloso, usada em A Lua Me Disse, e História de Uma Gata, dos Saltimbancos de Chico Buarque. A partir daí o nome deixou de pedir apresentação.

Sim, Ben Harper e o Grammy de 2008

O terceiro álbum de estúdio, Sim, saiu em 28 de maio de 2007. Mario Caldato Jr. e Kassin produziram. Parte do disco foi gravada na Jamaica, com Sly & Robbie em cinco das treze faixas, e parte no Brasil. Ben Harper divide Boa Sorte/Good Luck, dueto em português e inglês que chegou ao topo no Brasil e em Portugal e foi a canção mais tocada nas rádios brasileiras em 2008. Amado, do mesmo trabalho, também liderou a parada brasileira e virou tema de A Favorita.

Em 14 de novembro de 2008, na noite em que os prêmios brasileiros do Grammy Latino foram entregues em São Paulo, Sim levou melhor álbum de pop contemporâneo brasileiro. A turnê Jardim de Perfumes de Sim gerou, em 2009, o ao vivo do Multishow, com Vermelho como faixa de trabalho. O disco não é um desvio pop colado na MPB. É o ponto em que o reggae que ela já tinha cantado na Shalla-Ball e com o Black Uhuru volta como escolha de estúdio, ao lado de samba e de canção.

Livro, Jobim e o disco de 2025

Em outubro de 2013 a Companhia das Letras publicou A Filha das Flores, romance de estreia, com 280 páginas. A narradora é Giza, menina criada entre flores no interior. O livro teve edições em Portugal, no México e na Alemanha. No mesmo ano saiu Vanessa da Mata canta Tom Jobim, registro da turnê Viva Tom, com Fotografia como single. Segue o Som, de 2014, voltou a disputar o Grammy Latino em álbum e em canção. A faixa-título foi, naquele ano, a música brasileira mais executada nas rádios do segmento adulto.

A diferença entre letra e romance ela mesma explicou anos depois: a canção precisa caber numa melodia, com acento, refrão e história curta; o livro abre a frase. Essa distinção ajuda a ler os dois ofícios sem transformar um no rascunho do outro. Em 2024 estreou no teatro como Clara Nunes no musical Clara Nunes — A Tal Guerreira, que ela idealizou e Jorge Farjalla dirigiu. Em 12 de maio de 2025 chegou Todas Elas, disco em que entram Jota.pê, em Troco Tudo, e Robert Glasper, em Um Passeio Com Robert Glasper pelo Brasil. Demorou, com João Gomes, circula no mesmo ciclo de lançamento, no canal oficial.

Ela mora em São Paulo, depois de cerca de dez anos no Rio, para onde foi com os três filhos. Foi casada de 2003 a 2012 com o ator e fotógrafo Gero Pestalozzi. A conversa pública que ela sustenta continua sendo a da obra: agenda, disco e, quando cabe, página de ficção.

Onde ouvir e o que separar

O canal no YouTube reúne os clipes oficiais, de Boa Sorte/Good Luck às faixas de Todas Elas. O Instagram publica a agenda da turnê. O site oficial concentra shows, discografia e vídeos, sem misturar isso com a ficha de um livro esgotado na editora. Quem chega pela música encontra um território de canção, rádio e palco. Quem chega pela literatura encontra um romance só, não uma prateleira de títulos.

Há um jeito útil de não confundir as portas. Ai, Ai, Ai e Ainda Bem pertencem a Essa Boneca Tem Manual. Boa Sorte/Good Luck e Amado pertencem a Sim. A Força que Nunca Seca é anterior aos dois e ficou famosa na voz de Bethânia. A Filha das Flores não é letra de nenhuma dessas faixas: é ficção de 2013, com outra velocidade. Todas Elas é o volume recente, de 2025, não uma coletânea dos antigos. Separar isso evita tratar uma carreira de mais de vinte anos de disco como se fosse um único sucesso de novela.

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Essa Boneca Tem Manual
Essa Boneca Tem Manual
Segundo álbum de Vanessa da Mata, de 2004, com Ai, Ai, Ai e Ainda Bem, produzido com Liminha.
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Sim
Terceiro álbum de estúdio, de 28 de maio de 2007, com Boa Sorte/Good Luck e Amado. Grammy Latino em 2008.
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A Filha das Flores
A Filha das Flores
Romance de estreia de Vanessa da Mata, publicado em outubro de 2013 pela Companhia das Letras, com 280 páginas.
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Todas Elas
Todas Elas
Álbum de Vanessa da Mata lançado em 12 de maio de 2025, com Jota.pê, Robert Glasper e o ciclo de Demorou com João Gomes.
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