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Antônio Olinto

Nascimento: 1919 Ubá, Minas Gerais
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Escritor mineiro de Ubá, romancista, poeta e tradutor, imortal da Academia Brasileira de Letras na cadeira 8. Autor de A Casa da Água e do Minidicionário que leva seu nome.

Em 10 de maio de 1945, um grupo de jovens poetas datilografou poemas, emoldurou-os como quadros e pendurou tudo nas paredes da Escola Nacional de Belas Artes, no Rio de Janeiro. Antônio Olinto estava entre os organizadores e assinou a apresentação do catálogo. O episódio, registrado pela Academia Brasileira de Letras, é apontado como a primeira manifestação pública da Geração de 45 — e abre a trajetória de um escritor que atravessaria poesia, romance, ensaio, literatura infantil, dicionários e tradução sem abandonar duas frentes: a literatura brasileira e a cultura africana.

Nascido em Ubá, na Zona da Mata mineira, em 10 de maio de 1919, ele assinava como Antonio Olyntho Marques da Rocha. Morreu no Rio de Janeiro em 12 de setembro de 2009, aos 90 anos, como quinto ocupante da cadeira 8 da Academia Brasileira de Letras. Entre a cidade pequena e a Academia, publicou romances traduzidos em vários idiomas e ajudou a aproximar leitores de outros países da ficção feita no Brasil.

Quem foi Antônio Olinto?

Antes de se tornar escritor, Antônio Olinto estudou filosofia e teologia nos seminários católicos de Campos, Belo Horizonte e São Paulo, sem seguir o sacerdócio. A formação deixou marcas no modo como trataria questões de fé, arte e sentido ao longo da obra. Depois, lecionou durante dez anos latim, português, história da literatura, francês, inglês e história da civilização em colégios do Rio de Janeiro — ofício que sustentou a escrita nos primeiros tempos.

A ligação com a educação continuou décadas depois. A partir de 1998, foi professor visitante do curso de Letras da então UniverCidade, no Rio de Janeiro. Em 2004, a instituição inaugurou no campus Méier a Biblioteca Antônio Olinto, homenagem feita em vida ao escritor que já era nome de referência entre estudantes e professores.

Como a Geração de 45 marcou o início da carreira

A exposição de poesia de 1945 rendeu a Antônio Olinto o posto de um dos nomes associados à Geração de 45, movimento que buscou caminhos próprios depois da Semana de Arte Moderna e no rastro da Segunda Guerra Mundial. A estreia em livro veio com Presença, em 1949, seguida de títulos como Resumo (1954), O Homem do Madrigal (1957), Nagasaki (1957) e O Dia da Ira (1959).

O poema O Dia da Ira, de 1959, ganhou tradução inglesa em 1986 (The Day of Wrath), numa edição londrina da Rex Collings, que também publicou Theories and Other Poems, versão de As Teorias, em 1972. A poesia não foi um degrau abandonado: acompanhou o autor por toda a vida, em livros como Teorias, Novas e Antigas (1974), Tempo de Verso (1992) e 50 Poemas Escolhidos pelo Autor (2004).

Da poesia ao romance: A Casa da Água e a ficção

A virada para a prosa aconteceu com força no fim dos anos 1960. A Casa da Água, publicado em 1969, consolidou Antônio Olinto como romancista e se tornou sua obra mais traduzida, com edições em inglês (The Water House, 1970), espanhol (1972), francês (La Maison d'Eau, 1973), polonês (1983), italiano (1987) e macedônio (1992). Vieram depois O Cinema de Ubá (1972), romance ligado à cidade natal, e Copacabana (1975), que fixou seu nome também na ficção urbana.

Essa fase mostra um autor que não se prendeu a um único registro. Ele transitou entre o romance, a novela (Os Móveis da Bailarina, 1985), o conto (O Menino e o Trem, 2000) e a literatura infantil (Ainá no Reino do Baobá, 1979), sem deixar a crítica literária, presente em livros como Cadernos de Crítica (1958), A Verdade da Ficção (1966) e A Invenção da Verdade (1983).

África, Bahia e o título de Obá de Xangô

As viagens ao continente africano mudaram o rumo de sua escrita. Antônio Olinto costumava dizer que foi na África que descobriu a presença africana na cultura brasileira. Dessa imersão nasceu o ensaio Brasileiros na África (1964), que reuniu observações sobre a presença brasileira em países africanos e se tornou um dos seus livros mais citados.

Essa relação também aparece na ficção. O Rei de Keto (1980), Trono de Vidro (1987) e Sangue na Floresta (1993) formam o ciclo africano do autor, reeditado anos depois pela Bertrand na Coleção Alma da África. Na Bahia, a conexão com a cultura afro-brasileira ganhou forma institucional: Antônio Olinto foi feito Obá de Xangô no Ilê Axé Opô Afonjá, em Salvador, ao lado de Jorge Amado.

Cadeira 8: a entrada na Academia Brasileira de Letras

Antônio Olinto foi eleito para a Academia Brasileira de Letras em 31 de julho de 1997, na sucessão de Antonio Callado, e recebido em 12 de setembro do mesmo ano pelo acadêmico Geraldo França de Lima. Coube a ele receber Roberto Campos na Academia. Antes disso, em 1994, havia recebido o Prêmio Machado de Assis pelo conjunto da obra.

O vínculo com a ABL não terminou com a morte do escritor, em 2009. Em 2019, a Academia promoveu uma mesa-redonda em homenagem aos 100 anos de nascimento de Antônio Olinto e Sergio Corrêa da Costa. Anos antes, em 2016, o ciclo “África: olhares ficcionais da ABL” incluiu a palestra “O africano Antônio Olinto”, dentro de uma programação coordenada pelo acadêmico Antônio Torres.

Quais livros de Antônio Olinto ler primeiro?

A obra é extensa, e a porta de entrada depende do interesse do leitor. Vale organizar o percurso por afinidade:

  • A Casa da Água (1969) — romance mais traduzido e caminho natural para conhecer a ficção do autor.
  • O Cinema de Ubá (1972) — leitura de quem se interessa pela ligação entre memória, cidade pequena e formação do escritor.
  • Brasileiros na África (1964) — ensaio para entender a relação do autor com o continente africano.
  • O Rei de Keto (1980) e Trono de Vidro (1987) — romances do ciclo africano, relançados na Coleção Alma da África.
  • Minidicionário Antônio Olinto — obra de referência escolar com edições de inglês, espanhol e língua portuguesa.

Onde encontrar os livros hoje

As edições mais recentes da ficção de Antônio Olinto saíram pela Bertrand Brasil, como a Coleção Alma da África e a reedição de A Casa da Água. Os dicionários circulam em edições didáticas da Saraiva e da Moderna. Quem procura títulos fora de catálogo pode recorrer a sebos e livrarias online, sempre conferindo a edição e a disponibilidade antes da compra.

O que explica a permanência de Antônio Olinto?

A permanência de Antônio Olinto está menos no volume da obra do que na variedade dela. Ele foi poeta da Geração de 45, romancista traduzido, ensaísta da presença brasileira na África, dicionarista adotado por escolas e tradutor — verteu para o português, entre outros livros, Autobiografia de um Iogue, de Paramahansa Yogananda. A obra reúne poesia, romance, conto, ensaio, crítica literária, literatura infantil e dicionário.

Para quem pesquisa a literatura brasileira, ele interessa também como ponte: entre Minas e o Rio, entre o seminário e a Academia, entre o Brasil e a África. Esse trânsito ajuda a explicar por que sua obra continua sendo lida e estudada — e por que o nome Antônio Olinto segue associado tanto a um romance clássico quanto a um dicionário que atravessou gerações de estudantes. O perfil oficial do escritor está no site da Academia Brasileira de Letras.

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A Casa da Água
A Casa da Água
Romance de 1969 que consagrou Antônio Olinto na ficção e ganhou traduções em inglês, francês, espanhol, italiano, polonês e outras línguas.
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O Rei de Keto
O Rei de Keto
Romance de 1980 do ciclo africano de Antônio Olinto, reeditado pela Bertrand na Coleção Alma da África, com traduções em francês, italiano, inglês e sueco.
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