Imagem de capa do perfil de Antonio Risério
Foto de perfil de Antonio Risério

Antonio Risério

Nascimento: 1953 Salvador, Bahia
Ver projetos (5)
Antropólogo, poeta e ensaísta nascido em Salvador, autor de mais de 20 livros e uma das vozes mais ativas do debate público brasileiro sobre identitarismo.

Antonio Risério nasceu em Salvador, em 1953, e construiu uma trajetória que atravessa a antropologia, a poesia, a política cultural e a crítica do identitarismo. Autor de mais de 20 livros, ele ficou conhecido em momentos distintos: como ensaísta do debate racial brasileiro em A utopia brasileira e os movimentos negros, como roteirista e gestor de projetos culturais e, nas últimas duas décadas, como um dos críticos mais ativos das políticas de identidade.

Para quem chega ao nome dele por uma coluna, por um curso ou por uma entrevista, a pergunta costuma ser a mesma: o que explica a passagem de militante clandestino na ditadura a crítico da esquerda identitária? A resposta começa na Bahia dos anos 1960 e passa por cidades, museus, campanhas presidenciais e uma produção intelectual que não caberia em um único gênero.

De Salvador, 1953: a formação de Antonio Risério

Filho de Salvador, Risério nasceu em 21 de novembro de 1953. Em 1968, entrou na Política Operária (Polop), organização clandestina de esquerda, e foi preso pela ditadura militar aos 16 anos. Depois da prisão, mergulhou na contracultura e, mais tarde, na luta pela redemocratização do país.

A formação acadêmica veio em paralelo à militância: em 1995, defendeu mestrado em sociologia com especialização em antropologia pela Universidade Federal da Bahia (UFBA). A combinação entre rua, arquivo e teoria aparece em quase tudo o que escreveu depois.

Antropologia, cidade e política cultural

Antes de se firmar como ensaísta, Risério atuou em projetos que moldaram equipamentos culturais e urbanos. Integrou grupos de trabalho responsáveis pela implantação da televisão educativa na Bahia, das fundações Ondazul e Gregório de Matos, durante a gestão de Mário Kertész em Salvador, e da unidade do Hospital Sarah Kubitschek na cidade, na década de 1990, ao lado do arquiteto João Filgueiras Lima, o Lelé, e de João Santana.

Assinou o projeto geral do Cais do Sertão Luiz Gonzaga, museu dedicado à cultura sertaneja no Recife, e escreveu roteiros de cinema e televisão sobre urbanismo e história da Bahia e do Brasil. No governo federal, trabalhou no Ministério da Cultura durante a gestão de Gilberto Gil, na implantação das Bases de Apoio à Cultura, até deixar o cargo em 2004.

Na música, composições suas foram gravadas por artistas da MPB, e parte da crítica o trata como herdeiro da Tropicália, ligação que também aparece em seus livros sobre Dorival Caymmi e sobre a vanguarda baiana.

Quais livros tornaram Antonio Risério conhecido

A obra é extensa e atravessa gêneros. Alguns marcos ajudam a entender a trajetória:

  • A utopia brasileira e os movimentos negros (Editora 34, 2007) — ensaio que levou a questão racial brasileira para fora dos nichos especializados e se tornou referência nas discussões sobre identidade nacional.
  • A cidade no Brasil (Editora 34, 2012) — história da formação das cidades brasileiras, do período colonial ao presente.
  • Que você é esse? (Record, 2016) — romance marcado por uma polêmica editorial: recusado pela Editora 34, saiu pela Record depois que o autor acusou a concorrente de censura, versão contestada pela editora.
  • Sobre o relativismo pós-moderno e a fantasia fascista da esquerda identitária (Topbooks, 2019) — livro que consolidou sua crítica ao identitarismo.
  • As sinhás pretas da Bahia (Topbooks, 2021) — estudo sobre sinhás negras, suas escravas e suas joias, que gerou debate público intenso após trechos serem usados em coluna da Folha de S.Paulo.
  • Pelé: o negão planetário (Topbooks, 2025) — volume de 464 páginas sobre Pelé, apresentado pelo autor menos como biografia e mais como releitura do rei do futebol.
  • Adeus, Identitarismo: A hora da maré vazante (LVM Editora, 2026) — retomada do tema, com prefácio de Wilson Gomes.

Entre os títulos mais recentes estão ainda Quartzo crescente, coletânea de escritos sobre estética, história, ecologia, política e antropologia, e A sociologia paulista contra o pensamento social brasileiro, que chegou às livrarias em 2026.

Por que Antonio Risério é criticado — e por quem ele é defendido

Risério ocupa uma posição incomum no debate brasileiro. Ex-militante de esquerda, integrou os núcleos de criação e estratégia das campanhas de Luiz Inácio Lula da Silva (2002 e 2006) e de Dilma Rousseff (2010), rompeu com o projeto lulopetista e passou a trabalhar com Eduardo Campos e o PSB até 2014. Apesar das críticas ao governo Dilma, declarou-se contra o impeachment da presidente.

A partir dali, tornou-se um crítico sistemático do identitarismo e de expressões como "lugar de fala". Em janeiro de 2022, uma coluna publicada na Folha de S.Paulo, com o título "Racismo de negros contra brancos ganha força com identitarismo", provocou reação imediata: 186 jornalistas do veículo assinaram uma carta sobre a forma como a questão racial era tratada no jornal, e um abaixo-assinado de apoio ao autor foi aberto em resposta.

A polêmica de 2021 envolvendo As sinhás pretas da Bahia seguiu roteiro parecido: o livro foi criticado após servir de base para uma coluna do jornalista Leandro Narloch, e o autor respondeu no próprio jornal que não poderia ser julgado por argumentos que não estavam na obra.

O tom combativo não é acidente de percurso. Em seus textos e na newsletter que mantém, Risério diz que quer pensar o Brasil "em nossos próprios termos, longe de sectarismos, modismos e mistificações", formulação que resume tanto o método quanto as inimizades acumuladas.

Onde acompanhar Antonio Risério hoje

Desde 2025, Risério mantém uma newsletter no Substack, com textos sobre política, cultura e vida intelectual, e um canal no YouTube em que entrevista pesquisadores, economistas e escritores, entre eles o economista Gustavo Franco, um dos formuladores do Plano Real. Também participa de cursos e palestras: em junho de 2026, anunciou o curso "Guerreiro Ramos, pensador brasileiro", e em 2025 participou do festival Fronteiras do Pensamento, em Porto Alegre, em uma conversa com Eduardo Wolf.

Ele vive na Ilha de Itaparica, na Bahia, onde mantém a rotina de escrita. Seus livros circulam por editoras como 34, Topbooks e LVM Editora, e o perfil de autor na Amazon reúne boa parte dos títulos em catálogo.

Experiências da comunidade

Avaliações sobre Antonio Risério

Veja as opiniões dos leitores e compartilhe sua experiência.

0 avaliações positivas e 0 negativas com comentário. O total inclui 1 votos positivos e 0 negativos sem comentário.

Relatos publicados

Opiniões dos leitores sobre suas experiências. As avaliações não comprovam fatos nem representam a posição do site.

Ainda não há avaliações com comentário. Sua experiência pode ajudar o próximo leitor.

Para contestar um relato ou solicitar a remoção dos seus dados, entre em contato e informe a página e o comentário.

Compartilhe sua avaliação

Escreva de 60 a 200 palavras sobre esta pessoa ou projeto. Não inclua anúncios, links, insultos ou dados pessoais.

Sua experiência

0 de 200 palavras · mínimo de 60

Carregando verificação humana...

Projetos de Antonio Risério

Alguns links podem gerar comissão para o Autoridades.org. Confira o preço e a disponibilidade na plataforma antes de comprar.