Contexto e proposta de As sinhás pretas da Bahia
As sinhás pretas da Bahia investiga um capítulo pouco explorado da sociedade escravista brasileira: a presença de mulheres negras escravizadas que se tornaram senhoras de escravas e proprietárias de joias, em um jogo de ascensão social e dependência que atravessou a Bahia dos séculos XVIII e XIX. Publicado pela Topbooks em 2021, o livro reúne pesquisa histórica e leitura antropológica sobre a vida material e simbólica dessas mulheres.
O tema central é a relação entre escravidão, riqueza e aparência. As joias funcionam no livro como documentos: indicam status, circulação de bens, laços familiares e estratégias de sobrevivência dentro de uma ordem violenta. Risério parte de registros, inventários e fontes históricas para reconstruir trajetórias que a historiografia tradicional tratou de forma marginal.
O livro ganhou repercussão nacional depois de trechos serem usados como base para uma coluna do jornalista Leandro Narloch na Folha de S.Paulo. Diante das críticas, o autor publicou resposta no próprio jornal afirmando que não poderia ser julgado por argumentos que não estavam na obra. A polêmica aumentou o interesse pelo estudo e transformou o título em um dos mais discutidos da produção recente de Risério.
A edição em catálogo tem 439 páginas e interessa a leitores de história do Brasil, estudos raciais, cultura material e história da Bahia. É também uma leitura útil para entender por que os livros do autor costumam provocar reações opostas: admiração pela pesquisa e disputa política em torno das conclusões.





