Eleito senador por Alagoas em outubro de 2026 com 948.703 votos, Arthur Lira chega ao Senado Federal depois de quatro mandatos consecutivos como deputado federal e de quatro anos na presidência da Câmara dos Deputados. Filho do ex-senador Benedito de Lira, ele fez toda a carreira política em Alagoas, de vereador em Maceió a uma das lideranças do bloco conhecido como centrão, até se tornar o deputado que comandou a pauta da Câmara entre 2021 e 2025.
A trajetória ajuda a explicar por que o nome dele aparece tanto nas buscas sobre o Congresso. Foi de Lira a relatoria do projeto que isentou do Imposto de Renda quem ganha até R$ 5 mil por mês, aprovado em 2025, e foi sob a sua presidência que a Câmara votou temas como a PEC dos Precatórios, a PEC da Transição e a reforma tributária. Nas eleições de 2026, o eleitorado alagoano o colocou no Senado com a maior votação da disputa no estado.
Quem é Arthur Lira
Arthur César Pereira de Lira nasceu em Maceió, em 25 de junho de 1969. Formou-se em Direito pela Universidade Federal de Alagoas (UFAL), entre 1988 e 1993, e atua como advogado, empresário e pecuarista. É filiado ao Progressistas (PP) desde 2009, depois de passagens por PFL, PSDB, PTB e PMN. Cresceu em uma família ligada à vida pública: o pai, Benedito de Lira, foi deputado federal e senador por Alagoas.
De Maceió a Brasília: a construção do mandato
A carreira eleitoral começou em 1992, quando Lira foi eleito vereador de Maceió pelo PFL. Reelegeu-se em 1996 e, em 1998, deu o salto para a Assembleia Legislativa de Alagoas, onde cumpriu três mandatos consecutivos como deputado estadual, reeleito em 2002 e 2006. Na Câmara dos Deputados, chegou em 2011, pelo PP. Em 2014, foi reeleito com 98.231 votos, o quarto mais votado do estado naquela eleição.
No primeiro mandato federal, ocupou a liderança do PP na Câmara, entre fevereiro de 2012 e outubro de 2013. Em 2015, foi indicado para presidir a Comissão de Constituição e Justiça, uma das mais decisivas da Casa. Em 2017, votou a favor da reforma trabalhista. Foi reeleito deputado federal em 2018 e em 2022, somando quatro mandatos consecutivos até 2027.
A presidência da Câmara dos Deputados (2021–2025)
Em 1º de fevereiro de 2021, Lira foi eleito presidente da Câmara em primeiro turno, com 302 votos, vencendo Baleia Rossi, que recebeu 145. Dois anos depois, em fevereiro de 2023, foi reeleito com 464 votos — a maior votação já registrada para o cargo — e comandou a Casa até 1º de fevereiro de 2025, quando passou o posto a Hugo Motta.
A gestão coincidiu com um período de tensão entre os Poderes. Logo no primeiro ano, a Câmara aprovou a PEC dos Precatórios, que mudou a regra de pagamento das dívidas judiciais da União. Em 2022, veio a PEC da Transição, que acomodou despesas do novo governo fora do teto de gastos. Em 2023, a reforma tributária sobre o consumo passou em dois turnos e foi promulgada como Emenda Constitucional 132.
Lira foi aliado de Jair Bolsonaro no primeiro biênio, período em que recebeu mais de 140 pedidos de impeachment do então presidente, nenhum deles levado a votação. As emendas de relator, apelidadas de orçamento secreto, cresceram nesse intervalo e foram declaradas inconstitucionais pelo Supremo Tribunal Federal em dezembro de 2022. A partir de 2023, Lira manteve a presidência com apoio de governistas e de oposicionistas e passou a negociar a agenda diretamente com o governo Luiz Inácio Lula da Silva.
O relator da isenção do Imposto de Renda
Em março de 2025, Lira foi escolhido relator do PL 1.087/2025, o projeto enviado pelo Executivo que reformulou a tabela do Imposto de Renda da pessoa física. O texto zerou o imposto para quem ganha até R$ 5 mil mensais, criou descontos parciais para rendimentos de até R$ 7.350 e instituiu a tributação mínima para as maiores rendas, com cobrança adicional sobre rendimentos tributáveis acima de R$ 600 mil ao ano. No parecer, Lira manteve a alíquota de 10% para rendas anuais acima de R$ 1,2 milhão, como queria o governo.
A Câmara aprovou o projeto em 1º de outubro de 2025 e o Senado votou o texto em 5 de novembro. Em 26 de novembro, a proposta foi sancionada como Lei 15.270, com efeitos a partir de janeiro de 2026.
Semipresidencialismo e posições no Congresso
Desde que assumiu a presidência da Câmara, Lira defende publicamente a adoção do semipresidencialismo no Brasil, com a criação do cargo de primeiro-ministro. Segundo ele, o modelo protegeria o próprio presidente da República de crises políticas — posição que repetiu em entrevistas e pronunciamentos ao longo do mandato.
Em 2025, votou a favor da PEC 3/2021, a chamada PEC da Blindagem, que restringe a prisão em flagrante de parlamentares e prevê votação secreta na Câmara e no Senado para autorizar a detenção. O texto enfrentou resistência de juristas e de parte do próprio Congresso.
Investigações e processos na Justiça
A trajetória pública de Lira inclui passagens pela Justiça. Em 2008, foi preso durante a Operação Taturana, que apurou desvio de recursos na Assembleia Legislativa de Alagoas, e, em 2012, foi condenado em primeira instância por improbidade administrativa no mesmo caso. Ele recorreu, e o Tribunal de Justiça de Alagoas já havia suspendido os efeitos do afastamento determinado em 2011.
Na Operação Lava Jato, foi denunciado pela Procuradoria-Geral da República em 2015 por corrupção e lavagem de dinheiro, e teve R$ 2,6 milhões em bens sequestrados por decisão do Supremo Tribunal Federal em 2016. Em 2023, a própria PGR pediu a rejeição da denúncia, aceita pela Primeira Turma do STF, que entendeu que a acusação se sustentava apenas em delações premiadas.
Em 2007, a então esposa, Jullyene Lins, o acusou de agressão. O caso chegou ao STF depois que ele assumiu o mandato federal, e Lira foi absolvido em setembro de 2015, por cinco votos a três. Em 2023, uma reportagem da Agência Pública retomou o episódio; a Justiça do Distrito Federal determinou a retirada da matéria do ar e proibiu novas publicações com o mesmo teor.
Eleito senador por Alagoas em 2026
Nas eleições de 4 de outubro de 2026, Lira foi eleito senador por Alagoas pelo PP com 948.703 votos, 28,87% dos votos válidos, a maior votação entre os candidatos do estado. Marina JHC, do PSDB, ficou com a segunda vaga. A posse está prevista para 1º de fevereiro de 2027, com mandato de oito anos.
Durante a campanha, apresentou como prioridades a conclusão do Canal do Sertão Alagoano, a segurança pública, a saúde e mudanças no funcionamento do Supremo Tribunal Federal. Em 2025, já havia participado de missão oficial do Congresso ao Japão e ao Vietnã como representante da Câmara.
Os principais marcos da trajetória
- 1993 a 1999: vereador de Maceió, em dois mandatos.
- 1999 a 2011: deputado estadual de Alagoas, em três mandatos.
- 2011: inicia o primeiro dos quatro mandatos consecutivos como deputado federal.
- 2015: preside a Comissão de Constituição e Justiça da Câmara.
- 2021 a 2025: presidente da Câmara dos Deputados, em dois biênios.
- 2025: relator do projeto que isentou o Imposto de Renda até R$ 5 mil, sancionado como Lei 15.270.
- 2026: eleito senador por Alagoas com 948.703 votos.
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