Contexto e proposta de Presidência da Câmara dos Deputados
A presidência da Câmara dos Deputados foi o posto de maior visibilidade de Arthur Lira. Eleito em 1º de fevereiro de 2021 com 302 votos, contra 145 do deputado Baleia Rossi, ele comandou a Casa no biênio 2021-2022 e foi reeleito em fevereiro de 2023 com 464 votos, a maior votação já registrada na história da Câmara. O segundo mandato terminou em 1º de fevereiro de 2025, quando Hugo Motta assumiu o comando.
O período foi marcado por votações de peso. No primeiro ano, a Câmara aprovou a PEC dos Precatórios, que mudou a regra de pagamento das dívidas judiciais da União e abriu espaço no orçamento para o Auxílio Brasil de R$ 400. Em 2022, veio a PEC da Transição, que acomodou despesas do governo eleito fora do teto de gastos. Em 2023, a reforma tributária sobre o consumo foi aprovada em dois turnos e promulgada como Emenda Constitucional 132.
A gestão também ficou marcada pela condução política. Lira foi aliado de Jair Bolsonaro no primeiro biênio e recebeu mais de 140 pedidos de impeachment do então presidente, nenhum deles pautado. As emendas de relator, o chamado orçamento secreto, foram consideradas inconstitucionais pelo Supremo Tribunal Federal em dezembro de 2022. A partir de 2023, Lira passou a negociar a agenda do governo Luiz Inácio Lula da Silva sem romper com a oposição.
Quem acompanha o noticiário do Congresso reconhece ali o núcleo do estilo de Lira: controle do calendário de votações, negociação direta com as bancadas e decisões sobre o que sobe ou não ao plenário. Esse conjunto explica por que a presidência dele é lembrada como um período de agenda concentrada na economia e de embates sobre os limites entre Legislativo, Executivo e Judiciário.



