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Augusto dos Anjos

Nascimento: 1884 Sapé, Paraíba
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Poeta e professor paraibano, conhecido pelos versos cientificistas e pessimistas de Eu (1912), obra que segue entre as mais reeditadas da literatura brasileira.

Augusto dos Anjos publicou um único livro em vida: Eu, lançado em 1912 com recursos próprios e a ajuda do irmão, Odilon. Morreu dois anos depois, aos 30 anos, vítima de pneumonia, em Leopoldina, Minas Gerais. O livro, porém, ganhou novo fôlego na década seguinte, quando o amigo Órris Soares organizou a edição ampliada Eu e outras poesias e transformou aquela estreia em uma das obras mais lidas e reeditadas da literatura brasileira.

Augusto de Carvalho Rodrigues dos Anjos nasceu em 1884 no Engenho Pau d'Arco, em Sapé, na Paraíba. A poesia que escreveu não se encaixa com facilidade em nenhum movimento: mistura vocabulário científico, imagens de decomposição e uma crítica direta à hipocrisia social e à ética cristã, em versos que incomodaram a crítica da época e, décadas depois, ajudaram a abrir caminho para os modernistas.

Quem foi Augusto dos Anjos

Aprendeu as primeiras letras com o pai, estudou no Lyceu Paraibano — onde voltaria a lecionar em 1908 — e compôs os primeiros versos aos 7 anos. Em 1903, ingressou no curso de Direito da Faculdade de Direito do Recife, bacharelando-se em 1907. Casou-se em 1910 com Ester Fialho e mudou-se para o Rio de Janeiro, onde lecionou em diversos estabelecimentos de ensino. Nos últimos meses de vida, em Leopoldina, dirigiu um grupo escolar.

O convívio com a leitura científica e filosófica marcou sua formação. De Herbert Spencer, dizia ter aprendido a impossibilidade de conhecer a essência das coisas; de Ernst Haeckel, a ideia da vida e da morte como fatos químicos. Schopenhauer apareceria na percepção de que o aniquilamento da própria vontade seria a única saída para o ser humano. Essa bagagem explica boa parte do vocabulário que tornou seus versos reconhecíveis à primeira leitura.

O livro que atravessou o século

Antes de Eu, Augusto dos Anjos publicava poemas em periódicos — o primeiro, "Saudade", saiu em 1900. O volume de 1912 reuniu a produção que escrevera até ali e foi custeado por ele mesmo. Depois da morte do poeta, Órris Soares acrescentou ao núcleo original os poemas que haviam ficado em jornais e manuscritos, dando origem a Eu e outras poesias, título pelo qual a obra se firmou e chegou ao grande público.

A recepção inicial foi dura. Os parnasianos reagiram ao vocabulário considerado feio e prosaico; a crítica demorou a se interessar por aquela poesia. O reconhecimento veio depois, com a divulgação feita pelos modernistas e com o sucesso entre camadas populares, que fizeram de Eu e outras poesias um dos livros brasileiros mais reeditados.

Lido em conjunto, o livro costuma ser dividido em três momentos. O primeiro ainda deve muito ao simbolismo, com poemas como "Saudade" e "Versos Íntimos". O segundo é o que define a voz do autor, com a visão de mundo peculiar de "Psicologia de um Vencido". O terceiro, mais maduro e complexo, tem em "Ao Luar" um de seus exemplos mais citados.

Um dos traços que mais desconcertavam os leitores de 1912 era a versificação. Augusto dos Anjos usava a forma fixa do soneto, mas com liberdades e escolhas sonoras consideradas impróprias para a época, além de termos que soavam técnicos demais para a poesia. É nesse atrito entre a forma tradicional e o conteúdo novo que a obra ganha força.

As marcas da poesia de Augusto dos Anjos

  • Vocabulário que mistura ciência, medicina e termos prosaicos a formas clássicas, como o soneto.
  • Pessimismo de raiz filosófica, apoiado em leituras de Schopenhauer, Herbert Spencer e Hippolyte Taine.
  • Presença constante da morte, da matéria em decomposição e da denúncia da hipocrisia moral.
  • Ironia contra a religião e o cristianismo, em versos de forte carga imagética.

Entre os poemas mais conhecidos estão "Versos Íntimos", "Psicologia de um Vencido", "Ao Luar" e "Contrastes".

Por que ele continua sendo lido

A obra de Augusto dos Anjos ocupa hoje um lugar raro: é popular sem ter sido best-seller em vida e é estudada sem ter pertencido a uma escola declarada. No simbolismo brasileiro, o diálogo mais evidente é com Cruz e Sousa, autor que o próprio poeta citava entre suas influências, ao lado de Baudelaire e Edgar Allan Poe.

A crítica literária também ajudou a manter a obra em circulação. Manuel Bandeira destacou o uso das sinéreses como recurso para expressar os limites da linguagem, enquanto Ferreira Gullar escreveu um estudo que se tornou prefácio e referência para edições posteriores da poesia reunida. Essa combinação de leitura acadêmica, presença em salas de aula e edições populares explica por que o poeta segue entre os mais procurados da literatura brasileira.

Onde a memória do poeta é preservada

Em João Pessoa, o prédio onde Augusto dos Anjos morou abriga a Academia Paraibana de Letras, que tem o poeta como patrono da cadeira número 1. Em Leopoldina, a casa em que passou os últimos meses de vida funciona como o Museu Espaço dos Anjos. Ele também é patrono da Academia Leopoldinense de Letras e Artes. Boa parte de seus textos está disponível em acervos digitais, como o Wikisource em português, que reúne poemas já em domínio público.

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Edição de bolso de Eu e outras poesias, o livro que reúne a poesia de Augusto dos Anjos, com versos cientificistas, angústia moral e crítica social.
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