Buscar autoridades

Imagem de capa do perfil de Beto Brant
Foto de perfil de Beto Brant

Beto Brant

Nascimento: 1964 Jundiaí, São Paulo
Ver projetos (5)
Cineasta nascido em Jundiaí, diretor de Os Matadores, O Invasor, Crime Delicado, Cão sem Dono e Pitanga. Sócio da Drama Filmes, transforma literatura brasileira em cinema de gênero.

Beto Brant é o cineasta que levou o cinema policial brasileiro ao Festival de Sundance sem abrir mão de São Paulo como cenário e matéria-prima. Ele começou dirigindo clipes dos Titãs e curtas premiados em Havana, estreou no longa-metragem com Os Matadores (1997) e desde então construiu uma filmografia de thrillers e adaptações literárias que passa por O Invasor, Crime Delicado, Cão sem Dono e Eu Receberia as Piores Notícias dos Seus Lindos Lábios. Sócio da Drama Filmes ao lado de Renato Ciasca, tornou-se também um nome recorrente do documentário brasileiro, de Pitanga a A Planta.

A trajetória dele ajuda a entender boa parte do cinema nacional feito entre a retomada dos anos 1990 e os dias atuais: filmes de gênero com orçamento controlado, parcerias longas de roteiro e uma atenção constante à literatura contemporânea do país.

De Jundiaí à FAAP: como Beto Brant chegou ao cinema

Beto Brant nasceu em 23 de maio de 1964, em Jundiaí, no interior de São Paulo. Formou-se em cinema pela Fundação Armando Álvares Penteado (FAAP) em 1987, mesmo ano do curta Aurora, seu primeiro trabalho na direção. Vieram Dov'è Meneghetti? (1989), Eternidad (1991) e Jó (1993), o curta que venceu o prêmio de melhor curta-metragem no Festival de Cinema de Havana e o projetou no circuito de festivais antes mesmo do primeiro longa.

A passagem pelos videoclipes foi decisiva para a carreira. No início dos anos 1990, Brant dirigiu os clipes dos Titãs ligados ao álbum Titanomaquia (1993), entre eles “Nem sempre se pode ser Deus”, “Taxidermia” e “Será que é isso que eu necessito?”, este premiado no MTV Brasil Music Awards. Da convivência com a banda veio a parceria com Paulo Miklos, que anos depois protagonizaria O Invasor.

Os Matadores e a parceria com Marçal Aquino

A estreia em longa-metragem veio em 1997, com Os Matadores, thriller de fronteira que acompanha assassinos de aluguel na divisa com o Paraguai e trazia Murilo Benício, Chico Diaz, Maria Padilha, Adriano Stuart e Stênio Garcia no elenco. O filme rendeu a Brant o Kikito de Ouro de melhor direção no Festival de Gramado e a Lente de Cristal no Festival de Cinema Brasileiro de Miami, além de seleção oficial no Festival de Roterdã.

A obra também inaugurou a parceria com o escritor e roteirista Marçal Aquino, autor das histórias e coautor dos roteiros dos longas seguintes, e com o diretor e produtor Renato Ciasca. Os três se tornariam sócios da Drama Filmes, produtora pela qual Brant passou a produzir e dirigir seus filmes, de Ação entre Amigos (1998), exibido no Festival de Veneza e vencedor de melhor direção no Festival de Recife, até A Planta (2025).

O Invasor, Sundance e o reconhecimento internacional

Em 2001, o terceiro longa-metragem, O Invasor, colocou o nome de Brant no circuito internacional. A história de sócios de uma construtora que encomendam a morte de um dos donos e veem o matador Anísio tomar conta da situação rendeu o prêmio de melhor direção e de melhor trilha sonora no Festival de Brasília, além do prêmio de ator revelação para Paulo Miklos, que estreava no cinema.

O filme ainda ganhou o prêmio de melhor filme latino-americano no Festival de Sundance, em 2002, foi selecionado para o Festival de Berlim e venceu sete categorias no Festival de Recife, entre elas melhor filme e melhor direção. O rapper Sabotage, que assina músicas da trilha e colaborou nos diálogos do protagonista, também aparece no elenco ao lado de Marco Ricca, Alexandre Borges, Mariana Ximenes e Malu Mader.

Crime Delicado, Cão sem Dono e as adaptações literárias

Com Crime Delicado (2005), adaptação do romance de Sérgio Sant'Anna, Brant venceu o prêmio de melhor direção no Festival do Rio e o Prêmio FIPRESCI da crítica internacional, com passagem também pelos festivais de Toronto, Roterdã e Miami, onde levou melhor roteiro e melhor fotografia. No filme, Marco Ricca interpreta um crítico teatral que se desestrutura ao conhecer Inês, personagem de Lilian Taublib.

Dois anos depois chegou Cão sem Dono (2007), codirigido com Renato Ciasca e adaptado do livro Até o dia que o cão morreu, de Daniel Galera. O longa acompanha o encontro entre Ciro (Júlio Andrade), recém-formado em literatura, e Marcela (Tainá Müller), modelo em início de carreira, e rendeu a Tainá o prêmio de melhor atriz no Festival de Cuiabá, além do prêmio de melhor roteiro da APCA.

Na mesma linha de adaptações está Eu Receberia as Piores Notícias dos Seus Lindos Lábios (2011), também codirigido com Ciasca e baseado no romance homônimo de Marçal Aquino: o filme venceu melhor filme e melhor fotografia no Festival de Huelva, na Espanha, e recebeu o Prêmio Itamaraty de melhor filme brasileiro na Mostra Internacional de Cinema de São Paulo.

Pitanga, Ilú Obá de Min e a virada para o documentário

Nos anos 2010, Brant passou a dividir a direção de ficção com o documentário. Em Mundo Invisível, filme coletivo produzido pela Mostra de São Paulo e pela Gullane, assinou o episódio “Kreuko”. Em 2016, dirigiu ao lado de Camila Pitanga o documentário Pitanga, que investiga o percurso estético, político e existencial do ator Antônio Pitanga, dirigido por cineastas como Glauber Rocha, Cacá Diegues e Walter Lima Jr. O filme levou o Prêmio da Crítica de melhor filme brasileiro na 40ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo e o prêmio do público na Mostra de Tiradentes.

Em 2017, assinou Ilú Obá de Min, homenagem à cantora Elza Soares exibida a céu aberto no Memorial da América Latina durante o Festival Latino-Americano de Cinema de São Paulo. Em 2020, lançou o curta-metragem Beth Beli Maestra, produzido pela UOL.

A Planta e o documentário de causa

O documentário passou a ocupar o centro da produção recente. Em La Planta, exibido na 44ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, Brant levou a equipe ao Uruguai, primeiro país da América Latina a legalizar a cannabis, para ouvir personagens ligados ao tema. A experiência desdobrou-se em A Planta (2025), longa de 80 minutos produzido pela Drama Filmes que acompanha pacientes, familiares e especialistas no Brasil e discute o uso medicinal da cannabis.

Com roteiro assinado por Brant e pela médica Carolina Nocetti, o filme passou por cidades como João Pessoa, Campina Grande, Belo Horizonte, Rio de Janeiro, Marília e São Paulo antes de estrear nos cinemas em outubro de 2025 e chegar ao streaming na sequência.

Premiações principais de Beto Brant

  • Kikito de Ouro de melhor direção no Festival de Gramado por Os Matadores (1997);
  • melhor direção no Festival de Recife por Ação entre Amigos (1998);
  • melhor direção no Festival de Brasília e melhor filme latino-americano no Festival de Sundance por O Invasor (2001);
  • melhor direção no Festival do Rio e Prêmio FIPRESCI por Crime Delicado (2005);
  • Prêmio ABL de Cinema (2007);
  • melhor filme e melhor fotografia no Festival de Huelva por Eu Receberia as Piores Notícias dos Seus Lindos Lábios (2011);
  • Prêmio da Crítica de melhor filme brasileiro na 40ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo por Pitanga (2016).

O que marca o cinema de Beto Brant

A obra dele se organiza em torno de alguns fios constantes. O primeiro é o diálogo com a literatura brasileira contemporânea: Marçal Aquino, Sérgio Sant'Anna e Daniel Galera foram levados às telas em filmes que preservam o clima seco dos livros. O segundo é a mistura entre fórmula de gênero e paisagem nacional, com thrillers, dramas e histórias de violência ambientados em São Paulo, no interior e na fronteira.

O terceiro fio é a passagem para o documentário, feita sem ruptura brusca: dos retratos de artistas, como Pitanga, às questões de saúde pública de A Planta, Brant manteve a mesma equipe de produção e a mesma parceria com Renato Ciasca e a Drama Filmes.

Onde a obra de Beto Brant circula hoje

Parte da filmografia está disponível em serviços de streaming no Brasil, em plataformas como Prime Video e Apple TV, além de exibições gratuitas com anúncios e do DVD de Cão sem Dono. Cineclubes e festivais também mantêm a obra em circulação: em 2025, o Cineclube Paratodos, de Botucatu, dedicou um mês inteiro de programação aos filmes do diretor, com sessão comentada por ele.

Projetos de Beto Brant

Alguns links podem gerar comissão para o Autoridades.org. Confira o preço e a disponibilidade na plataforma antes de comprar.

O Invasor (filme)
O Invasor (filme)
Thriller de 2001 dirigido por Beto Brant: sócios de uma construtora encomendam a morte de um dos donos, e o matador Anísio não sai de cena.
0—
0—
Crime Delicado (filme)
Crime Delicado (filme)
Drama de 2005 baseado no romance de Sérgio Sant'Anna, com Marco Ricca como um crítico teatral que se desestrutura ao conhecer Inês.
0—
0—
Pitanga (filme)
Pitanga (filme)
Documentário de 2016 codirigido por Beto Brant e Camila Pitanga sobre a trajetória do ator Antônio Pitanga.
0—
0—
A Planta (filme)
A Planta (filme)
Documentário de 2025 dirigido por Beto Brant sobre o uso medicinal da cannabis no Brasil, com pacientes, familiares e especialistas.
0—
0—

Experiências da comunidade

Avaliações sobre Beto Brant

Veja as opiniões dos leitores e compartilhe sua experiência.

0 avaliações positivas e 0 negativas com comentário.

Relatos publicados

Opiniões dos leitores sobre suas experiências. As avaliações não comprovam fatos nem representam a posição do site.

Ainda não há avaliações com comentário. Sua experiência pode ajudar o próximo leitor.

Para contestar um relato ou solicitar a remoção dos seus dados, entre em contato e informe a página e o comentário.

Compartilhe sua avaliação

Escreva de 60 a 200 palavras sobre esta pessoa ou projeto. Não inclua anúncios, links, insultos ou dados pessoais.

Sua experiência

0 de 200 palavras · mínimo de 60

Carregando verificação humana...